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Quando paro para ler os textos do
Cineas, começo a rir desde a
leitura do título. A sua
capacidade cômica e literária é
desanuviadora. Textos leves com
críticas sociais e comportamentais
dão o tom e a profundidade de seus
belos escritos.
Acredito, piamente, que não há no
nosso Estado estilo tão profícuo e
interessante. Conhecedor das
filigranas da vida, o nosso
cronista maior surfa nas ondas das
palavras com a desenvoltura de um
surfista havaiano.
Volta e meia o encontro nos eventos
ou nos ambientes de Teresina. O
estilo meio sisudo, com cara de
poucos amigos, só é amainado quando
ele resolve incentivar a cultura,
principalmente a regional.
Sempre me orgulho, quando divido
com ele o mesmo ambiente, da
conterraneidade protagonizada por
nós. Não há como fugir. Sou
sanraimundense de origens
caracolenses. O nosso cronista
maior costuma reiterar que nasceu
nas brenhas de Caracol ou Guaribas
e cresceu em São Raimundo.
Portanto, estamos vinculados pelo
torrão natal, ou melhor, pelas
brenhas da Serra das Confusões ou
da Serra da Capivara: alguma serra
nos une!!
Nessas idas e vindas já o
cumprimentei algumas vezes. Um
aperto de mão foi o máximo que
consegui durante todo esse tempo.
Volta e meia vou aos saraus que ele
promove na Oficina da Palavra,
local “encantado” de onde o velho
mestre dimana o seu saber
extraordinário.
Já
lhe dediquei, cheio de dedos, um
texto despretensioso. O título,
podem conferir, foi “ Cineas e
seus Personagens”. Está publicado
nesta coluna. Nele faço um apanhado
discreto sobre seu livro “ Despesas
do Envelhecer” e mostro o
deslumbramento de alguns amigos
paulistas que tiveram contato com a
obra pelo meu intermédio.
No
dia que eu me deparei com sua foto
no portalsrn fiquei abismado. É
ele!!! Será que posso me dar ao
luxo de dividir este espaço com o
mestre? Perguntei-me. Acabrunhado,
sentindo o peso da
responsabilidade, continuei a
escrever semanalmente neste meio de
comunicação, na companhia “dele”.
Sob
o “olhar” professoral do mestre
fica mais difícil expor uma idéia e
colocar um argumento dentro das
balizas gramaticais da nossa
“inculta e bela” língua. O medo de
cometer uma gafe aumenta. Além
disso, concorrer com os temas que
ele aborda é desleal. Ao que
parece, vou perder os meus
talvez, dois únicos leitores. Vou
ficar “desempregado”.
Em
verdade, apesar do aumento da
responsabilidade e da ameaça de
“desemprego”, senti-me lisonjeado.
Atrevo-me a continuar a escrevinhar
algumas linhas semanalmente na
tentativa de expor a minha visão de
mundo, de abordar os problemas
políticos, sociais e culturais de
nossa cidade. Continuarei com
Cineas, Alexandre, Salvador, Marcos
Damasceno e Valderino neste espaço
de informação e cultura.
O
que me resta, apesar do risco de
engrossar as fileiras dos
desempregados, é desejar as minhas
boas vindas ao mestre maior,
convicto de que ele vai nos guiar
pela elegância de um português
escorreito e castiço, digno de quem
poetisa o dia-a-dia de uma forma
deslumbrante. Bem vindo, mestre!!
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |