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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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O "espetáculo" da vida!!!

z_junior@bol.com.br


Espetacularizar. Esse é o impulso mais primitivo estimulado em nós, atualmente. A sociedade "moderna" assim exige. Um fato corriqueiro ganha ares de espetáculo. Enquanto algo realmente sério passará despercebido em alguns dias, após tanto estardalhaço. Flashes, imagens, cliques, caras e bocas, e muita dramatização, emprestam aos acontecimentos um pulsar extraordinário, algo dantesco.

 

A notícia instantânea, os fatos se atropelando, a vida se miniaturizando, a pressa sendo alçada à condição de motor da humanidade. Marginalizados, somos vez por outra empurrados para o epicentro dos acontecimentos, paradoxalmente, tragados pela roda viva da vida.

 

Do assassinato da garota Isabella, com todos os seus requintes demoníacos, ao excesso de peso do Ronaldinho, o "fenômeno". O melhor ângulo, o “furo” de reportagem, a matéria “exclusiva”, as últimas notícias, “ao vivo”, fazem o diferencial para prender a atenção do público, enquanto sorrateiramente um e outro merchandising acabam se infiltrando no subconsciente do espectador. E, assim, sem que nos demos conta, a imagem de uma gordurinha sobressalente que escapa da blusa do craque brasileiro acaba tendo a mesma importância do olhar catatônico do pai de Isabella sendo levado à prisão no carro da polícia, até que a notícia seja esquecida e outro viés sensacionalista tome conta de nossas mentes.

 

Não há mais hierarquia entre os bens da vida. Todos estão no mesmo saco. A manipulação das imagens, a inversão dos valores, a onipresença da mídia, a banalização da nudez e do sexo, a normalidade das práticas ilícitas, o desapego, a distância, o isolamento, são os ingredientes desse "admirável mundo novo".

 

A notícia é esgotada em toda sua essência. Quando não há notícias, vocifera-se: "Atenção!!! Não percam! Não saiam daí! Daqui a pouco! Logo, logo! Em instantes." De repente, logo depois da imagem de uma boazuda propagando uma marca de cerveja, volta o apresentador, com vultuosidades na face, anunciando: "- Não há nada de novo no caso". Repete-se a matéria do dia anterior e acrescenta-se um detalhe sem importância: pronto, o nosso vazio foi preenchido.

 

E assim, a nossa vida é pautada. Entra dia e sai dia. Esmagados pelos acontecimentos, somos empurrados para o mundo "moderno". A realidade nos escapa. Somos eternamente comandados e (re) direcionados. Tornamo-nos dependentes de tudo.

 

As novas drogas da humanidade são potentes, capazes de causar abstinências terríveis. Experimente esquecer o celular em casa, ao sair. Um pânico só. O medo de estar desconectado pode levar ao desespero.

 

Mais um pouco e a esquizofrenia será uma nova "gripe". Uma espécie de vírus mutante. A indústria farmacêutica lucrará em demasia com isso. As "novas" seitas religiosas prometerão a cura imediata. Os cientistas anunciarão pesquisas que dependerão de "células raízes", em vez de "tronco", como a panacéia. A mídia, ah!! A mídia regozijará com toda sua afetação, deleitando-se em seu frêmito alienado.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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