|
Nesta semana tive a oportunidade de
acompanhar Padre Herculano na sua
“peregrinação” pelos gabinetes e
escritórios dos líderes políticos
da capital, com o intuito de formar
um bloco oposicionista forte capaz
de enfrentar a atual administração
municipal.
Foram longas horas de espera,
conversas, costuras políticas e
análises, tentando entender e
vislumbrar um norte para que as
“contas” fechem e os acordos
aconteçam.
É um
ambiente complicado. Um jogo de
interesses que não tem tamanho.
Cada pedra do jogo tem sua
importância. Uma jogada errada pode
comprometer tudo. È preciso
cautela, paciência e, acima de
tudo, gostar de “jogar”.
Encontros com Governador, com
deputados, com empresários, com
líderes políticos, tendo na pauta a
“mardita” da política. Como vão
se delinear as alianças? Quem não
pode ficar de fora? Quem é
prescindível? Tudo isso colocado
tête-à-tête.
Nesse percurso encontramos pessoas
que não estão no jogo diretamente,
mas acompanham o seu desenrolar. A
causa de São Raimundo, caros
leitores, é maior do que os limites
da cidade. Virou uma questão
estadual. Além de preocupar os que
a protagonizam, preocupa também
pessoas comuns.
O
que mais me impressionou foi o
leque de amizades de Padre
Herculano. A forma como é recebido
por todos. Sente-se de pronto o tom
de reverência, de admiração. Em
pouco tempo, a conversa ganha uma
dinâmica e se espraia em vários
assuntos, entrando pelos meandros
da política até desembocar na
história e/ou na religião.
O
certo é que estamos diante de um
dos mais complicados momentos da
conturbada vida política de São
Raimundo. Pulverizada, ressentida
de uma unidade, a oposição não
chega a um consenso. Não é
novidade, mas desta vez parecem ser
mais profundas as fissuras no bloco
oposicionista.
O
grupo dos Isaías, preterido pela
intromissão do deputado Edson
Ferreira na cúpula do Partido
Trabalhista Brasileiro,
fragilizou-se por demais. Ameaçado
de ser apeado do cargo de
presidente do partido, o irmão do
deputado Hélio Isaías ficou sem
força. Para se colocar com um forte
candidato deveria ter de pronto o
partido em suas mãos. Não o tem.
Conta com o agravante, diga-se de
passagem, de ter ajudado a atual
administração a chegar no poder
novamente. Isso pesa. È preciso
uma distância regulamentar da
oligarquia nossa de cada dia para
se identificar com grande parte do
eleitorado.
Já o
Deputado Marcelo Castro resiste a
uma eventual candidatura de Padre
Herculano. Alega que o Padre não o
apoiou na última eleição, embora
ele tenha o apoiado nas anteriores.
Ao que parece, o Deputado Federal
mais bem votado do Estado leva mais
em conta questões pessoais na hora
de fazer alianças.
Quanto ao próprio Padre, alega ele
que não havia feito compromisso com
ninguém para uma eventual
candidatura nas últimas eleições
gerais do Estado. E que em outra
ocasião, 2002, já o apoiou, embora
tenha sofrido um duro golpe na sua
campanha de reeleição – 2000 –
quando o irmão do deputado federal
– Castro Júnior – desistiu de ser
candidato na última hora para
permitir que o atual prefeito
vencesse.
São
as filigranas do jogo político.
Cada um com seus argumentos e suas
teses. Os próximos acontecimentos
definirão o futuro político da
cidade.
Esperamos todos que os nós sejam
desatados e que os interesses
pessoais sejam colocados de lado,
pelo menos uma vez na vida. Afinal,
a situação do nosso município é
caso de política, ou melhor, de
polícia.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |