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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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O sertão vai virar mar?

z_junior@bol.com.br


Distante dos grandes centros financeiros, fincada no coração do semi-árido nordestino, a cidade de Guaribas, situada no sul do Estado do Piauí, serviu como laboratório para a implementação do programa do Governo Federal de combate à fome e miséria intitulado “Fome-Zero”.

 

Criado em 1997 o município é um dos mais pobres do país. Em 2000 tinha o pior IDH do Piauí e um dos três piores do Brasil. Dados da Fundação Getúlio Vargas indicam que o município ostenta o sexto lugar no ranking da miséria – 91% de seus 4.500 habitantes vivem com menos de R$ 79 por mês.

 

Passados os primeiros anos do Governo do Partido dos Trabalhadores, a cidade sofreu uma tímida transformação: o cenário de antanho cedeu lugar a um pequeno vilarejo com um aspecto mais agradável, mas distante, ainda, daquilo que podemos chamar de digno.

 

O rosto sofrido da população ainda é o mesmo.  As “fendas” abertas pela voracidade dos raios solares imprimem no rosto de cada morador a dureza da vida. Seus olhares, seus gestos, sua ações ainda carregam o fardo do abandono.

 

A poeira que sobe encobrindo a imensidão de um céu azul, desnudo de nuvens, lembra muito um cenário que se faz presente toda vez que se vasculha a história em busca de fragmentos que restaram de um sertão que prometeu ser “Mar”, pelo menos nas palavras messiânicas que ecoaram do fanatismo de Antônio Conselheiro.

 

Sabemos que não se muda a realidade da noite para o dia. O enraizamento da exclusão e da miséria foi construído desde que o colonizador gritou: “Terra à vista” e, a partir daí, se fez presente à realidade de nossa região como se fosse um desígnio divino. Mas na verdade foi a omissão humana que emprestou ao ambiente um aspecto miserável, indigno.

 

É preciso de um tempo razoável para implementar uma mudança significativa e criar um ciclo de desenvolvimento capaz de erradicar a pobreza e a marginalização, objetivos talhados na nossa Lei Maior.

 

Houve avanços. A idéia de criar políticas públicas efetivas, levando escolas, sistema de abastecimento de água, espaços de lazer junto com o assistencialismo é um salto e tanto.

 

Alguns projetos foram implementados com sucesso. A qualidade de vida de alguns mudou. O isolamento que havia antes foi mitigado. Hoje, o pequeno município já respira um ar mais “arejado”, na esperança que se avance muito mais.

 

Mas o que se sente é que há um estancamento. O caráter meramente assistencialista ainda é dominante. O medo é que tudo se perca e os avanços esbarrem nos diques da burocracia e na falta de compromisso dos governantes.

 

O sertão não virou Mar. O Sertanejo mendiga ainda por dias melhores. Recebe, de bom grado, a ajuda dos “donos do poder”, mas, lá no fundo, sabe que o seu destino ainda é de peregrinar pelas estradas esturricadas da caatinga em busca de dias, muito, melhores.

 

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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