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Caros leitores, esse texto foi
enviado para a imprensa da
capital.
Há uma tragédia em curso no
nosso Estado. A grande maioria
dos municípios está sendo
administrada
irresponsavelmente. A
impunidade, o nosso mal do
século, é reinante e se
impregna nos escaninhos dos
combalidos entes municipais
piauienses.
Licitações fraudulentas,
conluios com bancos para
fraudar empréstimos
consignados, desvio de dinheiro
público, concursos fraudados
para favorecer apaniguados,
enfim, uma lista de ilícitos
que não tem tamanho.
Há cerca de quinze dias uma
situação deplorável, digna de
ações de gângsteres, ocorreu na
cidade de São Raimundo Nonato.
Centenas de cheques da
prefeitura municipal, assinados
pelo atual prefeito, foram
devolvidos sem fundos.
Já denunciei neste espaço,
repetidas vezes, as ações nada
republicanas dos (des)governantes
da cidade que, segundo dizem,
vai sediar um aeroporto
internacional.
A inoperância da fiscalização é
de dar pena. A “família-poder”,
que governa a cidade há
cinqüenta anos, tripudia em
cima da lei e do povo. O
Ministério Público local, numa
omissão inexplicável, assiste a
tudo de camarote; a Ordem dos
Advogados do Brasil, por sua
seccional, é inoperante; a
Câmara dos Vereadores, anêmica,
contribui para engrossar o
caldo das deformações morais da
cidade. Impressionante!!
A imprensa da capital não dá a
mínima. Somente um portal da
cidade noticiou, timidamente, o
derrame de cheques sem fundos
na cidade. Segundo informações
do vereador do município,
Laércio Carvalho, solitário
combatente dos desmandos
locais, uma espécie de Dom
Quixote da “capital da
pré-história”, relatou, em
detalhes, a cena ocorrida na
cidade: “uma espécie de pânico
tomou conta dos que detinham os
cheques sem fundos da
prefeitura. Um vaivém
descontrolado de pessoas que
entravam e saíam do Banco. Um
desespero só.”.
Em pleno século XXI, na era da
informação e da transparência,
fatos como esses são
corriqueiros, mormente numa
cidade isolada por uma espécie
de “cerca de arame farpado” ,
fincada pelos que acreditam na
impunidade e na tibieza dos
órgãos fiscalizadores.
Os coronéis da modernidade
estão lá e vão ficar por lá,
incólumes. Os donos do passado,
do presente e do futuro do povo
sanraimundense surfam nas ondas
gigantes da leniência dos
incumbidos de fiscalizar.
Como “gramelins” , criaturas
que se reproduzem em escala e
devoram tudo que encontram pela
frente, eles atacam sem dó e
piedade o erário.
Capitão Nascimento, policial
austero, encenado por Wagner
Moura, no longa “Tropa de
Elite”, transformou-se, pela
sua densidade moral, num
personagem quase real, digno de
ser invocado, diuturnamente,
para nos tirar das garras dos
malfeitores. Baseado no filme
criou-se um jargão: “Chamem o
Capitão Nascimento”, quando
somos importunados pelo flagelo
da violência urbana.
Aproprio-me do termo para
clamar por um personagem real,
que atua, como Promotor
Público, com esmero e dedicação
no combate à corrupção do
dinheiro público, sem descambar
para o destempero do Capitão do
BOPE, criado pelo diretor José
Padilha. Sem cerimônias
vocifero: CHAMEM O DR. RUSZEL.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |