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Há encontros que se eternizam.
Há outros que, embora possuam
características de eterno,
esboroam-se, minguam de plano.
A vida é serpenteada. Não há
nada de retilíneo nos caminhos
que nos são oferecidos. Uma
vida pré-concebida,
determinada, sem difíceis
escolhas, sem dilemas, não
forja personalidades, não
oferece a capacidade de
reinvenção ao ser humano. E
reinventar-se é fundamental.
Cada um carrega um ser errante
dentro de si. Quem se
enclausura, quem não se arrisca
em busca de novos horizontes,
míngua: desconhece novos
universos que gravitam em torno
dos seus.
Aprecio garimpar
características que se escondem
no recôndito da alma de cada
um. Deleito-me com atos e
olhares. Regozijo-me diante da
(in) diferenças do próximo.
Assombro-me com as
particularidades. Esbaldo-me
com o mundo que cada um carrega
nas costas e na mente.
Em regra, não perco
oportunidades de escrever e
publicar algo sobre o próximo,
principalmente quando o próximo
é bem próximo. Já fiz isso com
entes queridos e pessoas que
reputo notáveis, detentora de
atributos que as diferenciam de
alguma forma.
A cada texto produzido, no
final, sinto-me saciado e
compenetrado. Um dever
cumprido.
A minha pífia capacidade de
escrever já me recompensou,
abundantemente. Fora os
agradecimentos e sorrisos
vertidos pelos “meus”
personagens reais, uma
conquista trouxe-me à
felicidade terna, a
cumplicidade e, acima de tudo,
a paixão pelo o usufruto do
dia-a-dia.
A distância de três mil
quilômetros não esmoreceu os
sentimentos e a coragem. Um
clique numa tarde qualquer
projetou-me ao universo de uma
personagem que hoje divide
comigo sonhos e projetos.
Entabulamos a parti dali uma
história permeada de conquistas
e promessas. Tudo plasmado em
letras e em textos que iam e
viam freneticamente.
Sacudidos pela curiosidade e
pela atipicidade do encontro,
resolvemos, sem nos conhecermos
fisicamente, trocar
experiências e sensações por
meio de e-mails e cartas.
Sutilmente, inventamos um
universo pessoal dentro da
impessoalidade. Entre
metáforas e poesias construímos
pontes imaginárias que nos
abriram caminhos.
Não acredito em destinos.
Acredito, sim , na construção
de nossas vidas
quotidianamente. Em escolhas
certas e incorretas. Acredito
na sensibilidade, na capacidade
de perceber o que está por trás
das coisas.
Ao encontrar alguém para
dividir os mistérios da vida
num clique, num apertar de
tecla, apenas, mecanicamente,
agi. Ao “prendê-la” ao meu
universo, ao meu mundo
particular, com atributos que
apreendi com o passar dos anos,
acreditei no acaso e me
arrisquei- lancei-me num novo
momento desconhecido. Procurei
desvendá-lo, tirar o véu que o
cobria.
Hoje, depois de cinco anos de
relacionamento e de
encantamento, descobri que
conviver com ela é uma dádiva.
Uma recompensa pelas minhas
lutas. Uma retribuição pelas
minhas andanças por este país
afora.
No momento que dirigi minhas
primeiras letras, como forma de
substituir um carinho
impossível no momento, dei o
primeiro passo para entender
que os caminhos da vida são
capazes de nos proporcionar
também enlevos e
contentamentos.
Depois de um longo interlúdio
de promessas personificadas em
letras, começamos a
experimentar o contato, o
pegar.
Sobrou do primeiro momento um
amontoado de e-mails em forma
de carta e muito sentimento
descrito com formosura e
ternura. Do segundo, sobram
carinhos, olhares, risos,
intimidades. Sobra a
materialização de um história
que começou a ser contada,
literalmente, por duas pessoas
que acreditaram na
sensibilidade e na capacidade
do ser humano de perpetrar
mundos forjados pelas sensações
de afeto.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |