|
Reveillon e carnaval passados,
só falta agora a Semana Santa
para, definitivamente,
começarmos a falar de política,
essa paixão que nos envolve (e
nos indigna) direta e
indiretamente.
Toda campanha eleitoral marca
uma época, releva
acontecimentos, projeta pessoas
e apequena outras. Nas nossas
cercanias não é diferente. A
nossa diminuta cidade, que
parece ser imensa, pois nos
“consome” e nos “esgota”, pelo
menos em tempos de eleição, vai
mergulhar nesse espiral de
acontecimentos que vai marcar
um momento histórico.
Presente, passado (de certa
forma) e futuro vão estar em
jogo. Tudo pode ser decidido
num simples tocar de tecla.
Alguns segundos definirão
vidas. O processo que enriquece
a democracia e a torna o regime
mais afeito às nossas
aspirações libertárias e
plurais vai nos sacudir e nos
exigir uma atitude positiva;
vai nos provocar e nos colocar
como responsáveis pelos nossos
próprios destinos.
A vida exige de nós. A omissão,
na vida em sociedade, é o
pecado mais, digamos,
pecaminoso. Cruzar os braços
pode não ser uma boa idéia,
mormente quando podemos colocar
em jogo as condições de vida da
coletividade.
A nossa cidade tem problemas
seríssimos: um povo, em sua
maioria, empobrecido e
esquecido; uma estrutura urbana
caótica; governantes
esquizofrênicos que,
divorciados do poder-dever de
governar, faltam com sua
responsabilidade legal e
constitucional. Um caos!!!
Talvez pedir consciência na
hora do voto é chover no
molhado. Toda eleição faz-se
isso repetidamente. Naquele tom
meio professoral e paternal
alerta-se: “o voto não tem
preço, tem conseqüências”. No
entanto, o que vemos é a
vitória da corrupção e da
compra de voto deslavada.
Temos que ser repetitivo, não
adianta: “a esperança é a
última que se suicida”. Por
isso, nós, comprometidos com a
ética e com o respeito à coisa
pública, devemos ser “chatos”.
Um dia, quem sabe, isso se
internalize de tal sorte que
não precisaremos ser tão
enfáticos e enfadonhos. Votar
em quem tem compromissos morais
e cidadãos será natural.
Somos seres políticos o tempo
todo. Um animal político, como
dizia Aristóteles.
Quando tomamos posições na
vida privada, quando escolhemos
essa ou outra roupa, quando
decidimos a ir a esse ou outro
lugar para nos divertirmos é
uma decisão política, um ato de
poder. A diferença para a
política exercida como múnus
público, é que neste caso a
vida da comunidade está em
jogo, a responsabilidade, por
conseqüência, pelas tomadas de
decisão é muito maior.
Acreditamos que um dia
possamos nos orgulhar dos
nossos representantes, pois a
vida da coletividade será
colocada em primeiro plano e os
interesses pessoais
restringir-se-ão ao ambiente
familiar, sem invadir a órbita
do público.
Nesse dia, caros leitores,
discutiremos, em épocas
eleitorais, apenas o conteúdo
programático dessa ou daquela
agremiação. O político, pessoa
física, só será um
representante de uma idéia,
jamais uma personalidade capaz
de concentrar poderes
ilimitados. Será apenas um
“refém” das leis e das
instituições. Um servidor
público na acepção mais pura da
palavra. Oxalá!!!
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |