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A nossa democracia é recente.
Há pouco tempo ainda vivíamos
sob o manto do autoritarismo,
da força arbitrária do Estado,
do afrontamento às liberdades
individuais e da insensatez dos
generais que insanamente
acreditavam que só a força era
capaz de implementar a ordem.
Passados esses tempos obscuros,
a nossa democracia ganhou
substância e se enraizou na
consciência de todos, embora
trazendo consigo algumas
deficiências. Volta e meia
alguns ainda invocam, com certa
saudade, os tempos de ditadura,
alegando que naquela época não
havia tantos desacertos
sociais: violência, corrupção,
impunidade etc.
Mal sabem eles que por trás
daquele aparente “estado de
harmonia” a violência era mais
cruel, pois era
institucionalizada; que a
corrupção corroia as vigas de
nossa estrutura, mas era
camuflada pela dificuldade de
acesso às informações pelo
cidadão comum e pela imprensa;
que por trás de uma moralidade
“declarada” existiam os
conchavos, as negociatas
perpetradas por aqueles que
detinham o poder.
Com todos os males que um
regime democrático possa ter, é
ainda o melhor regime a ser
adotado por uma nação que prima
pelo bem do seu povo, pela
possibilidade de ascensão
social e pela luta por uma
sociedade mais fraterna e
pluralista.
É na própria democracia que
encontraremos a cura para os
seus males. Não é tolhendo
liberdades, olvidando direitos
e garantias dos cidadãos,
conspurcando os meios de
proteção legal que iremos
resolver os problemas mais
crônicos do nosso tempo.
Uma das manifestações mais
sublimes da democracia é o
voto. A possibilidade de se
escolher o representante que
conduzirá os destinos de uma
cidade ou de um Estado é a
concretização de um ideário que
revela o cerne de todo o
processo democrático. A
alternância de poder é de
extrema importância para se
consolidar essa grande
conquista que é a democracia.
O risco que corremos de ver
novamente os velhos políticos
ou seus herdeiros se instalando
e sugando os cofres públicos,
amealhando patrimônio para
prover suas necessidades
particulares não pode ser
invocado em detrimento do
regime democrático. Temos que
avançar no fortalecimento das
instituições, na efetividade da
prestação jurisdicional, no
implemento de meios
garantidores que possam ser
utilizados pelos cidadãos toda
vez que tiverem notícia de
investidas contra o erário,
certificando-os de que as penas
capituladas pelo nosso sistema
repressivo, seja ele, Penal,
Administrativo ou Civil, serão
aplicadas com severidade,
buscando-se incessantemente
enxugar os procedimentos
recursais que só servem para
protelar as demandas e criar um
sentimento de injustiça no meio
social.
Só assim nos livraremos de
alguns malfeitores que se
instalam na administração
pública e se servem do bem
público para satisfazer suas
volúpias, sua cupidez pelo que
é do povo, esquecendo-se que
sua missão é exatamente o
contrário, garantir que o
dinheiro público tenha seu
destino previsto na lei,
atendendo às necessidades do
seu verdadeiro destinatário: o
povo.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |