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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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Dilma

z_junior@bol.com.br


Abro espaço para algumas considerações sobre a vitória de Dilma. Achei interessante não passar “in albis” diante desse fato histórico, afinal depois de escrever alguns textos sobre a sucessão política nacional, não seria de bom augúrio quedar-me inerte diante do desfecho da contenda eleitoral.  

 

Todos atribuem à vitória dela, somente, ao carisma de Lula, afinal o homem atingiu uma aprovação popular galáctica durante o mandato. Dessa forma, ele conseguiu capitanear votos para catapultar à presidência desse gigantesco país uma neófita política.  

 

Em grande medida, realmente, foi. O Presidente, passando por cima da liturgia do cargo, afrontando e tripudiando das leis do país, desancando adversários políticos, usando a estrutura da máquina estatal e se valendo de um torpor em que a sociedade civil mergulhou (diante dos seus grandes feitos), deu as condições necessárias para vitória da primeira mulher presidente das terras Tupiniquins.

 

Alguns dizem que qualquer um seria eleito com a benção do presidente. Não concordo. Embora fosse fácil perceber as limitações dela – dificuldade de fechar um raciocínio, aparente nervosismo diante da exposição midiática, pusilanimidade em relação a posições ideológicas e religiosas -, a evolução da candidata, durante a eleição, foi digna de nota. Passou a ser compreendida e, de alguma forma, ganhou certa independência que, acredito, ajudou na absorção de votos.

 

Eu fujo do consenso com relação a um aspecto tão ressaltado nesse momento: a condição de mulher daria a ela uma “vantagem” ou já teria feito história antes mesmo de governar.

 

É evidente que é algo interessante e deve ser ressaltado. Não concordo, no entanto, com as manifestações eufóricas e desmedidas por conta da ascensão de uma mulher ao cargo maior do executivo. 

 

Costumo ver essas clivagens (cortes e separações de gênero, cor, etnia etc.) com desconfiança. Sabe por quê? Porque se assim assumirmos legitimas essas diferenciações, um exercício lógico de argumentação deverá, necessariamente, ser invocado. Vejamos.

 

Vamos imaginar que o governo Dilma seja um sucesso, melhor mesmo do que seu antecessor. Raciocínio lógico: a mulher é realmente mais apta para governar do que o homem. Contrariu sensu: se ela for um desastre? Mulheres-políticas seriam vistas com desconfiança, já que sua gestão foi um retumbante fracasso? Isso vale para o negro, o nativo, o operário, o empresário, o médico etc.

 

Por isso, fico preocupado quando se elegem critérios desse naipe para pré-anunciar que isso ou aquilo é histórico. E, diante disso, declarar o sucesso da empreitada que ainda está por começar. A história é feita de acertos e erros monumentais. Estes são aferidos depois e não antes, por uma questão lógica.

 

O exemplo do atual presidente americano, Obama, é eloqüente. Com a popularidade em baixa, o primeiro negro a assumir a presidência do país mais poderoso do mundo teve que engolir, atualmente, uma derrota gigante no parlamento – fruto de várias dificuldades enfrentadas em sua administração. Ou seja, aquele que foi tratado como “o mito-dos-mitos” amarga dificuldades de toda ordem na sua gestão e sua envergadura mítica, hoje, é bem menor do que na época de sua vitória.   

 

Prefiro olhar – a eleição de Dilma - como um ato extremamente carregado de simbolismo. E, assim, coloco, a meu modo, a importância do acontecimento. Fico feliz por isso. Fico feliz que a nossa democracia permita que qualquer cidadão – homem e mulher, branco e negro, operário e empresário etc.- chegue ao mais alto posto da gerência do país, independente de qualquer coisa.

 

Espero que a história registre uma grande passagem dela pela presidência. E se assim acontecer, não será, espero, pelas qualidades de gênero, mas pela competência adquirida via conhecimento das causas mais sensíveis e prementes da sociedade brasileira.  

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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