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Li
dois textos recentes sobre um mesmo
tema. O primeiro, vazado num grande
jornal do Brasil, intitulado “Carta
a um amigo petista”, de lavra de
Frei Betto, teólogo, ex-integrante
do Governo Lula.
Num
certo momento do texto, o Frei
indaga com aquele pesar que amarga
a boca: “Me pergunto se o PT
voltará, algum dia, a ser fiel a
seus princípios e documentos de
origem. Hoje, ele luta por
governabilidade ou empregabilidade
de seus correligionários? É movido
pela ânsia de construir um novo
Brasil ou pelo projeto de poder?
Como o professor de O anjo azul, a
paixão pelo poder não teria lhe
turvado a visão”?
No
outro texto - vertido da pena de
uma petista histórica de Minas
Gerais - a articulista, lá pelas
tantas, assevera: “Mas não aceito
fazer parte de uma farsa:
participei de uma prévia para
escolher um candidato petista ao
governo, sem que se colocasse a
hipótese de aliança com o PMDB.
Prevalece, agora, a vontade dos de
cima. Trocando em miúdos, vejo que
é hora de, mais uma vez,
parafrasear Chico Buarque: ‘Eu bato
o portão sem fazer alarde. Eu levo
a carteira de identidade. Uma
saideira, muita saudade. E a leve
impressão de que já vou tarde.´
Juntem-se a essas duas
manifestações a greve de fome
promovida pelo deputado federal
maranhense que repudiou a aliança
com a governadora Roseana Sarney.
Os
próceres do partido dos
trabalhadores, indiferente ao apelo
famélico do deputado, seguiu a
orientação do manda-chuva maior do
partido, Luiz Inácio, forçando a
união “espúria”.
No
Piauí, o partido não foi diferente:
revogou o irrevogável várias vezes,
numa demonstração clara de
frouxidão e de adesismos às regras
do jogo do poder. Há quem conteste?
Esses fatos, jungidos a outros,
Brasil afora, fazem parte de um
processo de desconstrução de um
partido que se arvorou de
monopolista da ética e que apostou
tudo num líder que encarnou suas
verdades, seus princípios, suas
ideologias.
Na
nossa paróquia, o PT sai do governo
do Piauí, depois de oito anos de
gestão, menor do que entrou. E o
apequenamento se dá de maneira
indelével porque atinge a medula do
partido.
O deputado Nazareno
Fonteles recorreu às instâncias
maiores do partido para que a
decisão- a última de muitas tomadas
e revogadas - de não coligar
proporcionalmente nas eleições
estaduais fosse cumprida. Soçobrou.
Viu-se mais uma vez pregando,
sozinho, num árido deserto.
Seus “companheiros” de
luta, co-fundadores do partido,
fizeram aquele silêncio
constrangedor e eloqüente, apto a
descaracterizar e deformar
biografias e histórias de vida.
A
desconstrução ideológica do partido
foi levada a efeito, pelos seus
líderes, com precisão cirúrgica:
retiraram os órgãos vitais,
deixando apenas o cérebro travesso,
que talvez precise menos vinte anos
de idade ou mais vinte de reflexão
para compreender o que fizeram.
Zeferino Junior - Servidor Público
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