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Caros, retornei à minha coluna, ao
meu espaço original. Saí daqui só
para tecer alguns comentários sobre
os jogos do Brasil na Copa. Foi uma
experiência fascinante e
desafiadora.
Confesso a vocês que não premeditei
a idéia. O primeiro texto – Brasil
e Coréia- que comecei a produzir,
na verdade, era para ser postado
nesta coluna. Quando ficou pronto,
pensei: “vou colocar-me como
comentarista de todos os jogos do
Brasil”.
Foi
um teste à minha capacidade de
inovar. O que sei sobre futebol é o
mínimo, não me habilita a escrever
sobre o esporte. Até porque de bons
comentaristas o país está cheio.
Gente grande mesmo. Escrutinar os
detalhes de uma partida de futebol
exige vivência e profissionalismo,
características ausentes em minha
caótica biografia.
Fui
atrevido, é verdade. Mas em
respeito aos leitores, acho que
dois ou três como bem-disse um
comentário postado no mural de
recados, tentei permear os textos
com informações “extra-futebol”,
relacionando-as com as jogadas
produzidas no gramado.
Cada
jogo tinha sua particularidade. No
primeiro, por exemplo, lembrei que
a combalida Coréia do Norte é
governada por um tirano homicida,
que massacra seu povo sem dó. Ficou
ali, mais uma vez, o meu reforço
aos valores democráticos que eu
acredito e defendo.
E
assim se seguiram os outros
comentários. Contra Costa do
Marfim, contra Portugal, contra o
Chile e, ao final, contra Holanda,
busquei em cada jogo relacionar
elementos políticos com
características lúdicas do próprio
esporte. Cheguei, em algum momento,
a remeter o leitor aos gênios de
Drummond e de Armando Nogueira, por
exemplo.
Outro ponto interessante foi
revelar alguns recalques nossos em
relação à história. A idéia de
torcer pela seleção brasileira
acaba sendo uma forma de projetar
no time às nossas aspirações, as
nossas paixões mundanas, a nossa
pulsão tribal e os nossos
sofrimentos coletivos que se
deságuam numa tentativa de redenção
com o nosso passado.
Somos pura paixão, na hora da
torcida E paixão, como conta a
história – Tristão e Isolda, Romeu
e Julieta, por exemplo – é
sofrimento, é drama. Em regra,
acaba em desilusão em prantos.
Diferente do amor, que é, em tese,
calmaria, contemplação.
O
importante de tudo isso é que
estabeleci mais uma ponte entre mim
e o leitor e o Portalsrn, mais uma
vez, foi o “agenciador” dessa
parceria. Aliás, tem sido assim de
há muito.
Esperamos continuar nessa parceria
que tanto me orgulha. Queiram ou
não acabei me tornando um
personagem desse portal, assim como
todos os outros colunistas, cada um
com seu estilo, com a sua forma de
vivenciar os fatos, de
reproduzi-los.
Divirto-me com as críticas,
emociono-me com os elogios e sigo
escrevendo, deixando minhas
impressões grafadas nesse espaço
crítico, lúdico e informativo que,
com ajuda de vocês, criamos.
Zeferino Junior - Servidor Público
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