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“O
horário político é o único momento
em que ladrões de verdade ficam em
cadeia nacional”. (autor
desconhecido)
Fui
instado a falar sobre o projeto
“Ficha Limpa”. “Observador”, leitor
assíduo do portal, pediu que eu me
manifestasse sobre o projeto, que
tem por objetivo barrar a
candidatura de quem tem condenação
por um órgão colegiado.
Atualmente, estamos passando por um
momento especial no que diz
respeito ao processo eleitoral.
Antes, marcado pela inaptidão da
Justiça Eleitoral, pela
condescendência do Ministério
Público, os candidatos faziam gato
e sapato da lei.
As
coisas mudaram. Agora, a sociedade
e os órgãos de fiscalização já não
aceitam mais tanta devassidão. Já
não era sem tempo.
Para
vocês terem uma idéia, no Piauí já
ocorreram sete eleições
suplementares em virtude do
afastamento de prefeitos por conta
de abuso de poder econômico. É um
imenso avanço, sem entrar no mérito
se as cassações foram justas ou
não.
A
Justiça Eleitoral, hoje, mostra-se
como um poderoso instrumento de
coibição de práticas escusas no
curso do processo eleitoral. Faz
seu papel. E tem, verdadeiramente,
contribuído para que tenhamos uma
vida política mais limpa.
Podemos comemorar os avanços?
Podemos. Mas a luta não se esgota
na confecção de leis e atos que
tenham por escopo higienizar o meio
político. É preciso muito mais. È
preciso que todos contribuam para
que possamos chegar a um estágio
apto a tornar o processo eleitoral
saudável, hígido.
Tenho certeza que muitos leitores
que acompanham minha coluna devem
se perguntar por que,
constantemente, critico o
presidente Lula, já que ele detém
uma aceitação que beira a
unanimidade.
O
atual presidente não ajudou a criar
melhores condições de vida para
grande parte da população? Não foi
ele que tirou milhares ou milhões
da linha de pobreza? Não foi ele
que inventou um tal de PAC e
construiu obras estruturantes pelo
país afora?
Digamos que sim, embora saibamos
que, na verdade, governos
anteriores criaram ferramentas
importantes para que o atual
presidente, inteligentemente,
pudesse operar mudanças
importantes. Deixemos isso para lá.
Vamos dizer que ele inventou esse
país a partir de 2002, ano que ele
assumiu o primeiro mandato.
Pois
bem. Ainda assim, eu seria um
crítico ferrenho, pois o presidente
insiste em infringir a lei
eleitoral, criticar o Tribunal de
Contas da União e o Ministério
Público. Não concebo que o Gestor
Maior cometa reiterados crimes.
Ele, sim, deveria dar o bom
exemplo.
Portanto, acredito que o “Ficha
Limpa” é mais um instrumento
importante, mas que deve ser
acompanhado de uma tomada de
consciência e que o judiciário
continue a agir com rigor,
impedindo, desta feita, que as
normas que regulam o processo
eleitoral tornem-se letra morta.
O
desafio é grande. O passo é lento.
O tempo urge. A vida política do
país segue cheia de nódoas. As
instituições precisam se
fortalecer. O nosso representante
maior precisa dar o bom exemplo.
Cada (e)leitor tem que fazer sua
parte.
Que
o “Ficha Limpa” ajude-nos a separar
o joio do trigo. Embora saibamos
que aquele costuma passar
rapidamente pelos bloqueios da
peneira, enquanto este, o trigo,
costuma transformar-se, pós
eleições, naquele.
Melhor terminar o texto com uma
famosa parábola, capaz de ilustrar
melhor ainda a situação:
“O reino dos céus é
semelhante a um homem que semeou
boa semente no seu campo; mas,
enquanto os homens dormiam, veio o
inimigo dele, semeou o joio no meio
do trigo e retirou-se. E, quando a
erva cresceu e produziu fruto,
apareceu também o joio. Então,
vindo os servos do dono da casa,
lhe disseram: Senhor, não semeaste
boa semente no teu campo? Donde
vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes
respondeu: Um inimigo fez isso. Mas
os servos lhe perguntaram: Queres
que vamos e arranquemos o joio?
Não! Replicou ele, para que, ao
separar o joio, não arranqueis
também com ele o trigo. Deixai-os
crescer juntos até à colheita, e,
no tempo da colheita, direi aos
ceifeiros: ajuntai primeiro o joio,
atai-o em feixes para ser queimado;
mas o trigo, recolhei-o no meu
celeiro”.
É
isso.
Zeferino Junior - Servidor Público
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