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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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Moshen, o tirano e a unanimidade

z_junior@bol.com.br


 

Acendo uma luz amarela toda vez que me deparo com unanimidades. Quando ouço o alarido das ruas, da imprensa, dos comentaristas de plantão, faço uma inflexão, ponho o pé no freio.

 

Não digo que não possa vir a aderir a alguma dessas unanimidades. Não descarto. É difícil, porém, essa adesão. Aquela frase – “A unanimidade é burra” - dita por Nelson Rodrigues, “O anjo pornográfico”, ressoa em meus ouvidos diuturnamente. Sinto cheiro de tapeação, de embuste, quando avisto, ao longe, a fumaça do unânime.  

 

A imprensa brasileira e do mundo, os intelectuais e sub-intelectuais, os comentaristas, os amigos, os vizinhos, o taxista, o lavador de carro, o operário, todos, absolutamente todos, comemoram o acordo entabulado entre o presidente Lula  e o tirano iraniano de nome impronunciável.

 

A cena foi apoteótica: segurando pastas pretas, em clima de rega-bofe, num tom juvenil e burlesco, as mãos do presidente Lula, do diplomata Celso Amorim e do tirano de nome impronunciável, acenaram, freneticamente, com o acordo de não proliferação de armas atômicas.

 

O mundo havia tentado, é verdade. Mas ninguém havia conseguido dissuadir o governo iraniano do intento. Aí chega o pacifista, o humanista, o homem que prefere a paz e não a guerra, que se solidariza com as vítimas da política mundial e numa manobra, à la Gandhi, consegue um acordo.

 

Paro um pouco. Reflito. E me faço uma pergunta óbvia: é possível acreditar numa tirania que nega os horrores do Holocausto, que extermina opositores, que demoniza homossexuais e persegue  mulheres?

 

Um relato que li recentemente espanca, sem trocadilhos, todas as minhas dúvidas sobre a índole do governo iraniano.

 

Um jovem chamado Moshen, de 25 anos, foi preso pela milícia iraniana no dia 05 de agosto do ano passado durante os protestos contra a posse do tirano de nome impronunciável, que fraudou as eleições. Fraude essa reconhecida até mesmo pelos Aiatolás. O jovem rebelde passou 28 dias preso sob os “cuidados” da República Iraniana.

 

Transferido para uma prisão chamada Evin, espécie de “Bastilha Iraniana”, o jovem ficou algemado, encapuzado e obrigado ao silêncio, assim como todos os presos que estão encarcerados nessa prisão. Dias depois foi transferido para outro calabouço, qualhado de traficantes e cafetões.  

 

Espancado em nome do “Deus misericordioso e compadecido”, um dos policiais, em certo momento, disse para o outro: “engravide-o”. Outro policial perguntou ao jovem: “Você quer de volta o seu voto”? 

 

Segundo o relato, todos os dias os presos são espancados, violentados. Moshen, três semanas depois, foi jogado numa beira de estrada. Quando encontrou sua família, o jovem pediu que o levasse a um médico que não o conhecesse.

 

Logo após as fraudulentas eleições e dos protestos, Lula falou: “por enquanto, é só apenas alguma coisa entre flamenguistas e vascaínos”.

 

Antes de acreditar no acordo vou perguntar ao iraniano para que time ele torce no Brasil. Eu sou flamenguista. Mas se ele for vascaíno, eu adiro na hora: prefiro carregar a Cruz de Malta no peito a ser carregado em uma cruz segurada pelas mãos que abanaram as pastas vazias de um acordo mentiroso e protelatório.

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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