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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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A cópula das palavras

z_junior@bol.com.br


Cópula vocabular

 

Por que escrevo? Exatamente, não sei. Talvez para buscar sensações perdidas pelos desvãos do cotidiano.

 

Sair um pouco da realidade do dia a dia por meio da escrita, embora tratando, muitas vezes, de coisas cotidianas, é uma maneira saudável de enfrentar a vida, de se colocar diante dos fatos sem, no entanto, ser esmagado por eles.

 

Manipular as letras, torná-las atrativas para que outras se juntem, é a tarefa mais sublime desse ofício de escrevinhador. Há uma espécie, aí, de cafetinagem. Isso mesmo. Identifico-me com um agenciador das palavras, um cafetão das letras.

 

A minha coluna seria uma espécie de taberna, de leito para que no jogo amoroso, libertino, das palavras, das letras, uma pulsão de libido seja liberada desbragadamente, sem pejo.  

 

A tentativa - vã às vezes, diga-se - é que a “cópula”, o congresso carnal entre os vocábulos, crie um ambiente de fantasia estimulante, que permita sonhar, divagar, soltar a imaginação em busca das mais palpitantes sensações.  

 

Claro, não sou um agenciador de luxo. Não consigo atrair as “beldades” que estão no ápice. Volta e meia, consigo algo apetitoso, que desperta a cobiça até dos mais taciturnos, dos mais encabulados. Mas não é a regra.  

 

Na verdade, a “Beth Cuscus” do portal é a coluna do Cineas. Essa sim é rica em palavras que despertam paixões e a cupidez dos leitores mais afoitos.

 

A minha, quando muito, está mais para o Luizão, famosa casa de São Raimundo ambientada para os enlevos da carne, mas que não conta com as mais belas mocetonas e nem com uma estrutura confortável para receber os que querem se aventurar pelo “Império dos sentidos”.    

 

Olha só, caros leitores, por onde enveredamos. Não era nada disso. Nessa madrugada chuvosa de Teresina eu só queria falar de um e-mail que eu recebi do amigo-leitor Robson. Queria só mostrar que escrevo porque encontro pessoas como ele, capazes de tornar essa minha labuta um pouco menos árida.   

 

Grande leitor e grande observador, ele resolve comentar um texto meu, recentemente, publicado nesta coluna. Leio e releio o comentário, afinal melhor do que a leitura é a releitura. E a cada releitura parece uma nova leitura. As palavras não se esgotam, não são consumidas pelo primeiro, segundo, terceiro, quarto... olhares. Elas ficam lá em constante ebulição, fervendo, borbulhando, esperando novas leituras, novas investidas do atento leitor.

 

E assimo fiz. Li e reli. Ora numa marcha lenta, como se fosse engoli-las; ora em desabalada carreira, como se fosse atropelá-las. E elas lá: impassíveis, eternamente gratas pela luz do “scanner” dos meus olhos, que roçava seus “corpos”, acariciando-as.

 

Ao final, não resisti o intento. Resolvi, então, copiar e colar para que vocês pudessem apreciar também. Aí vai, caros leitores, uma demonstração de sabedoria. Leiam e releiam o texto, afinal melhor do que ler é reler. 

 

 

                                          "O SEGREDO DOS SEUS OLHOS"

 

No décimo quarto andar do apartamento, o jovem colunista reflete sobre a magia e o encantamento que o fez chorar. Observa o horizonte, buscando inspiração para explicar o sentimento que provocara a lágrima marota que teimara em escorrer dos seus olhos. Neste solene ato, o seu olhar sereno, choca-se com o que vê. No meio do  intenso verde, lá está o imenso colosso  a desafiar sua imaginação e a sua pena de teclas.


Nascida da promessa de melhor tornar o cotidiano de milhares de pessoas, ela o inquieta e instiga; inquieta pela constatação de grandeza que naturalmente subtrai o seu horizonte, instiga, pela possibilidade  de ligar zonas, diminuir distâncias e encurtar caminhos. O fato é que a simples presença do monumento de concreto o provoca e o faz pensar, despertando a sua aguçada sensibilidade para a falta dos "homenzinhos formigas"  que, em movimentos de vai e vem, construíram com suas picaretas, pás e perfuratrizes e o presentearam com a gigantesca vizinha de braços estaiados que  sem nenhuma cerimônia se incorpora a paisagem para sempre.


Enfim, do intentar de considerações sobre " O Segredo dos Seus Olhos" aparece ao longe sob o olhar subtraído mas atento do colunista uma "Ponte anunciada".  Daí, reflexivamente ele senta se a frente do computador, ergue os olhos e faz nascer arte em forma de palavras.


A mim, de longe, resta agradecer pelo privilégio por ter um amigo com alma de Poeta.    
 
Robson.

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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