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Por
que escrevo? Exatamente, não sei.
Talvez para buscar sensações
perdidas pelos desvãos do
cotidiano.
Sair
um pouco da realidade do dia a dia
por meio da escrita, embora
tratando, muitas vezes, de coisas
cotidianas, é uma maneira saudável
de enfrentar a vida, de se colocar
diante dos fatos sem, no entanto,
ser esmagado por eles.
Manipular as letras, torná-las
atrativas para que outras se
juntem, é a tarefa mais sublime
desse ofício de escrevinhador. Há
uma espécie, aí, de cafetinagem.
Isso mesmo. Identifico-me com um
agenciador das palavras, um cafetão
das letras.
A
minha coluna seria uma espécie de
taberna, de leito para que no jogo
amoroso, libertino, das palavras,
das letras, uma pulsão de libido
seja liberada desbragadamente, sem
pejo.
A
tentativa - vã às vezes, diga-se -
é que a “cópula”, o congresso
carnal entre os vocábulos, crie um
ambiente de fantasia estimulante,
que permita sonhar, divagar, soltar
a imaginação em busca das mais
palpitantes sensações.
Claro, não sou um agenciador de
luxo. Não consigo atrair as
“beldades” que estão no ápice.
Volta e meia, consigo algo
apetitoso, que desperta a cobiça
até dos mais taciturnos, dos mais
encabulados. Mas não é a regra.
Na
verdade, a “Beth Cuscus” do portal
é a coluna do Cineas. Essa sim é
rica em palavras que despertam
paixões e a cupidez dos leitores
mais afoitos.
A
minha, quando muito, está mais para
o Luizão, famosa casa de São
Raimundo ambientada para os enlevos
da carne, mas que não conta com as
mais belas mocetonas e nem com uma
estrutura confortável para receber
os que querem se aventurar pelo
“Império dos sentidos”.
Olha
só, caros leitores, por onde
enveredamos. Não era nada disso.
Nessa madrugada chuvosa de Teresina
eu só queria falar de um e-mail que
eu recebi do amigo-leitor Robson.
Queria só mostrar que escrevo
porque encontro pessoas como ele,
capazes de tornar essa minha labuta
um pouco menos árida.
Grande leitor e grande observador,
ele resolve comentar um texto meu,
recentemente, publicado nesta
coluna. Leio e releio o comentário,
afinal melhor do que a leitura é a
releitura. E a cada releitura
parece uma nova leitura. As
palavras não se esgotam, não são
consumidas pelo primeiro, segundo,
terceiro, quarto... olhares. Elas
ficam lá em constante ebulição,
fervendo, borbulhando, esperando
novas leituras, novas investidas do
atento leitor.
E
assimo fiz. Li e reli. Ora numa
marcha lenta, como se fosse
engoli-las; ora em desabalada
carreira, como se fosse
atropelá-las. E elas lá:
impassíveis, eternamente gratas
pela luz do “scanner” dos meus
olhos, que roçava seus “corpos”,
acariciando-as.
Ao
final, não resisti o intento.
Resolvi, então, copiar e colar para
que vocês pudessem apreciar também.
Aí vai, caros leitores, uma
demonstração de sabedoria. Leiam e
releiam o texto, afinal melhor do
que ler é reler.
"O SEGREDO DOS SEUS OLHOS"
No décimo quarto andar do
apartamento, o jovem
colunista reflete sobre a magia e o
encantamento que o fez chorar.
Observa o
horizonte, buscando inspiração para
explicar o sentimento que provocara
a lágrima marota que teimara em
escorrer dos seus olhos. Neste
solene ato, o seu olhar sereno,
choca-se com o que vê. No meio do
intenso verde, lá está o imenso
colosso a desafiar sua
imaginação e a sua pena de teclas.
Nascida da promessa de melhor
tornar o cotidiano de milhares de
pessoas, ela o inquieta e
instiga; inquieta pela constatação
de grandeza que naturalmente
subtrai o seu horizonte, instiga,
pela possibilidade de ligar zonas,
diminuir distâncias e encurtar
caminhos. O fato é que a simples
presença do monumento de concreto o
provoca e o faz pensar, despertando
a sua aguçada sensibilidade para a
falta dos "homenzinhos formigas"
que, em movimentos de vai e
vem, construíram com suas
picaretas, pás e perfuratrizes e o
presentearam com a gigantesca
vizinha de braços estaiados que
sem nenhuma cerimônia se incorpora
a paisagem para sempre.
Enfim, do intentar de
considerações sobre " O Segredo dos
Seus Olhos" aparece ao longe sob o
olhar subtraído mas atento do
colunista uma "Ponte anunciada".
Daí, reflexivamente ele senta se a
frente do computador, ergue os
olhos e faz nascer arte em forma de
palavras.
A mim, de longe, resta agradecer
pelo privilégio por ter um amigo
com alma de Poeta.
Robson.
Zeferino Junior - Servidor Público
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