.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

 

   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
Últimas Matérias
Dunga e a mediocridade
Piauí e a Granja do Solar
A crônica de uma ponte anunciada
Debates, cores e rancores
Passado, melanina e revanchismo

Lula combate o crack; Dunga, o craque

z_junior@bol.com.br


Vocês já sabem que a minha relação com os leitores é assim meio que turbulenta. Sou alvo de elogios e críticas. Equilibro-me entre esses dois vetores que animam minha coluna. Pode não ser a melhor coluna do portal, mas, certamente, é a que dá mais voz aos leitores.

 

O texto sobre o técnico Dunga inflamou ânimos e provocou alguns, em especial os que consideraram meu texto impertinente, medíocre, velho ou qualquer coisa que o valha. Resolvi então, como de praxe, respondê-los naquele velho bate-papo que, ao invés, de assentar os ânimos, exaltam-nos mais ainda. É do jogo. E eu gosto.  

 

Então vamos ao debate, inspirados em duas campanhas institucionais muito parecidas veiculadas na mídia: a do governo Lula – que combate o Crack e a do Dunga – que combate o craque.

 

“Deixa de ter cabeça da ''globo'', tenha seu próprio pensamento, acho que deve dar uma refletida sobre seu senso de justiça, mais é mal de quem vive de criticar e nunca ter feito nada para mudar coisa alguma. Fica com Deus! Abraços”

 

A partir de agora, vou perseguir um pensamento para chamar de meu. O que você me sugere? Um pensamento SBT, RECORD, BAND? Nunca imaginei que existiam essas figuras ideológicas. Vou me esforçar para me livrar da demoníaca cabeça “globo”. É um pensamento que me atormenta na penumbra da noite, ameaçando-me. Ouço até o “plim, plim” ressoar em meus ouvidos, madrugada a fora. 

 

E que negócio é esse de que eu nunca ter feito nada para mudar coisa alguma? Peraí, amigão. Já fiz, sim. Vou lhe contar uma história.

 

Antes de torcer para o Pé-do-Morro futebol clube, acompanhava o Força Unida do Outro-Lado-do-Tanque. Quase fui dirigente do clube, acredita! Uma vez influenciei a escalação do time. Por conta disso, ganhamos do time da Lagoa-de-Fora, numa final cheia de emoções.

 

Sugeri que o meia-esquerda Batata fosse substituído pelo o meia-direita Burruchagas (não sei se ele ainda joga, mas era de uma garra incrível). Por conta disso, aos quarenta e quatro do segundo tempo, de cabeça, o substituto deu a vitória ao Força-Unida. O seu Manoel do Boi, presidente de honra do Força Unida, até hoje, me agradece. Quando vou lá, sou tratado como rei. Não falta caribé e galinha caipira gorda. Portanto, fiz, sim, alguma coisa para mudar as coisas.

 

Sobre o meu senso de justiça, continuo achando que o dunga está em campanha contra o craque.

 

Fica com Deus também.

 

 

“Por que não cobram a ida do Rodriguinho também,o que era do Santo Andre?foi artilheiro do paulista,fez mais gols que o Neymar. Você acha q eles que tem apenas 2 meses que vem jogando como titular ia pegar a vaga de quem passou 3 anos e meio trabalhando para estar lá?Me diga mais uma coisa,o que foi que o Ronaldinho fez na seleção de 8 anos pra cá?e o Adriano?todos tiveram suas chances,eles não souberam segurar.”

 

Olha só que boa opinião. Também levaria Rodriguinho junto com os “Meninos da Vila”. Aliás, levaria quase todo time do Santos mais o Ronaldinho gaúcho. Ia ser um espetáculo. O Adriano eu não levaria para o desgosto do Flávio, aquele que me chamou de velho no comentário abaixo. Aliás, cá para nós, levar o Cleberson, reserva do inconstante Flamengo, é de um mau gosto e tanto. Pena que o Pet não é brasileiro. Levaria ele de olhos fechados para a alegria do Flávio, fanático torcedor do Flamengo e que não gosta das novelas atuais. 

 

“Medíocre é esse seu texto, nunca o conheci como jogador nem se quer como técnico,você apenas demonstra que é pessoa sem personalidade e incapaz de ter seu próprio pensamento. Agora me diga: quem faltou na seleção?Neymar?Ganso?Adriano?Ronaldinho Gaúcho?..pois bem,os dois primeiros nunca foram chamados e testados com a amarelinha,fizeram a festa no paulista porque só pegaram aleijado.”

 

Meu amigo, você perdeu uma oportunidade única de me conhecer como jogador. Pergunte ao Flávio, aquele que me chamou de velho, como eu me comportava como jogador. Olha só minha carreira: comecei por um time chamado, que ironia!, Santos. As camisas eram do Luquinhas – hoje grande mestre em história e doutorando em Maquiavel.

 

Eu era um jogador clássico, tipo o Boiadeiro, aquele que jogou no Guarani e no Vasco: toque refinado e visão privilegiada.

 

Depois de ganharmos vários campeonatos, as camisas não agüentaram mais e, puídas, desapareceram. Bom. O que eu fiz: montei o meu time. Isso mesmo. Não contente em ser apenas jogador, parti para a cartolagem. Eu era, na verdade, cartola-jogador. O nome do time: “Clube de Regatas Central”, embora a gente não conhecesse um par de remos e muito menos uma canoa. De regatas, só conhecíamos as camisetas da Hering.  

 

Depois de um começo difícil, tornamo-nos um time campeão. Ainda me lembro das primeiras formações.

 

De dar inveja ao mestre Dunga, aquele que combate o craque, o time era esse:

 

Dió-do-seu-Zezé-da-dona-Cléia era o goleiro. Gostava de usar uma camisa com o nome do ex-goleiro do Flamengo, o argentino Ubaldo Matildo Filliol. 

 

Almir e Petrônio - ex-animador dos comícios do Pe. Herculano  - nas laterais. Esses dois eram da escola de futebol da Milonga.  

 

Eu, - conhecido como o líbero italiano Baresi - na zaga em companhia do zagueiro Mauro Medão – meu querido primo Arquimedes – ( o apelido é em alusão ao Mauro Galvão, então zagueiro do botafogo da época).

 

Meio de campo: Rômulo do Arsênio (eficientíssimo), Murilo, irmão do Neim, filho da dona Silvinha e habilidoso como o Edilson, o capetinha,  fazia a dupla com o veloz Jackson, também da escola de futebol da Milonga.

 

No ataque: o genial Zé Nilson (irmão do Paulo da Farmácia) e o velho e goleador Satiro, filho da Solimar do Zé Luiz. Este era parecido com o gaúcho, aquele goleador do Flamengo. E, por final, Roninha do Outro-Lado-do-Tanque, que era um velocista, como o Robson Caetano, fechava o ataque dos sonhos.  

 

Tínhamos, ainda, na reserva,  Bicudim da Rádio Cultura, na lateral e Bitoso do Adailton e seu Netim, filho do seu Teim, goleador do SARANO, time de futebol de São Raimundo das décadas passadas.

 

Pois bem, caro leitor, se você não conhecia a minha trajetória futebolística, acaba de conhecer. Que coisa boa. Sabe agora que fui cartola, jogador, treinador, e promovi vários talentos do centro e da periferia da cidade.

 

Mereço ou não um título na Câmara Municipal de promotor de talentos futebolísticos?  Vou pedir para o meu primo Laércio que faça um requerimento nesse sentido.

 

“Caro Junin, concordo com você quando disseste que o futebol está burocratizado, roubado, capitalizado e etc. Agora, você talvez inocentemente não se deu conta que estás ficando velho, e nesta fase coisas que eram maravilhosas não vemos mais graça. Quem não se lembra da novela Roque Santeiro que parou o país, e hoje dissemos q as novelas não prestam, pois é, é que estamos perdendo a graça.reflita.”

 

Oh, meu amigo Flávio, meu centroavante certeiro. Vou refletir sobre a minha velhice sempre. A cada cabelo branco que insista em pulular em minha fronte, vou lembrar-me de você. Vou pensar que um dia gostávamos de Roque Santeiro, de Sinhá Moça, de Que Rei sou Eu? Dos trapalhões, do Túnel do Tempo, do Balão Mágico, do Tamarino ( campo de futebol próximo do colégio das irmãs), onde íamos toda vez que éramos expulsos da quadra do colégio das irmãs. Prometo que vou refletir sobre o seu questionamento. 

 

Encerro por aqui, após a sentença do meu amigo Flávio,  curvado, enrugado, com dores lombares, fadigas nas pernas, osteoporose em alta, visão opaca e um sentimento de inaptidão, fruto de lembranças pesadas tão distantes, tão caras, tão límpidas. Fico a imaginar agora aquela poesia de Cecília – não a Cecília O. da Costa –, que foi nossa professora no colégio das  irmãs, mas a Meireles, que um dia disse olhando para o espelho:

 

eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
em que espelho ficou perdida a minha face?

 

 

Zeferino Junior - Servidor Público

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Zeferino Junior