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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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Dunga e a mediocridade

z_junior@bol.com.br


O futebol foi, para mim, uma paixão duradoura. Desde a tenra idade, o esporte bretão encantava-me.

 

Acompanhava atentamente o mundo da bola, com lupa. Conhecia de cor e salteado as escalações dos grandes clubes e seleções. Sabia a origem e a trajetória de cada jogador, as suas manias, as suas limitações, o seu brilhantismo.

 

De um tempo para cá, perdi, dramaticamente, o interesse pelo esporte. Isso ocorreu devido ao rumo que ele tomou. Pouco a pouco, o que era feito com magia, beleza e refinamento cedeu lugar à burocracia, à apatia e à melancolia.  

 

Os jogadores viraram estrelas, mega-astros, seres impolutos, símbolos do marketing, verdadeiros empresários de si mesmos, rodeados pelas hienas famintas dos negociadores de plantão.

 

Assim, fez-se a escuridão no planeta-futebol. Os lucros e o resultado é que seriam, doravante, a força motriz do esporte. Malabarismo com a bola: nunca - é falta de respeito com o adversário; uma gracinha, uma pedalada, um gesto irônico: crime de lesa-futebol.

 

Assim, a graça e a leveza construídas com toques mágicos foram condenadas pelos burocratas da bola, pelos “funcionários públicos” do futebol. Jogar agora: só com carimbo, máquina de datilografia, carbono e relógio de ponto.

 

A frustração criou em mim um certo azedume, que se traduziu em repulsa à seleção brasileira, desde há muito. Dirigida por cartolas suspeitos, envolvidos em negociatas idem, a seleção canarinho nunca mais ostentou o brilho de outrora. O arrepio da pele e o brilho nos olhos, quando ela entrava em campo, já não se depositam mais em mim, como dantes.

 

Com outros olhos, comecei a apenas apreciar, com denodo, o balé do futebol, fosse quem fosse o protagonista da dança futebolística. Camisa, flâmula, hino, nada me atrai mais. Só quero beleza, balé e magia.

 

O distintivo pode ter as cores francesas, africanas ou até mesmo do Pé-do-Morro futebol clube, time do interior de São Raimundo Nonato.

  

O meu olhar é só para o bom e o belo. Foi assim que o time do Santos, com seus “diabinhos de branco”, encantou-me, tirou-me da apatia.

Inventando espaços e passos, danças e fricotes, Neymar com sua impressionante rapidez e inteligência, aliada à sua impressionante eficiência, cobriu de beleza o futebol brasileiro.

 

O majestoso Ganso, por seu turno, com uma postura de dândi inglês, que mais parece entrar em campo para tomar o chá das cinco, em plena era vitoriana, carrega a bola colada aos pés, numa intimidade pouco vista nos dias atuais.

 

Sem olhar para ela, sabe que a comanda, não se preocupa com a ausência temporária da pelota. Sabe que ela vai voltar para que ele passe nela, novamente, um verniz que borbulha dos seus pés mágicos.

 

Sem rugas, redonda, amaciada, a bola volta ao campo, imantada, agradecida por ter sido tão bem-tratada pelo seu artesão mais genial.

 

Eles estão fora da Copa do Mundo. Dunga preferiu a transpiração ao talento. As trevas à luz. A rudez ao refinamento. A derrota da magia à vitória (ou derrota) da mediocridade. As sombras projetadas na “caverna de Platão” ao brilho da luz, que ilumina a vida fora dela. 

 

Capaz de sufocar a beleza e antecipar a derrota amarga do talento, ainda que vença o campeonato de ponta a ponta, a mediocridade viveu seus melhores dias, sob a batuta do nosso técnico raivoso, rude e medíocre.

 

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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