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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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Piauí e a Granja do Solar

z_junior@bol.com.br


 

 

A assombrosa obra distópica “Revolução dos Bichos” de George Orwell narra a história dos bichos que tomaram a “Granja do Solar”, local onde viviam sob o jugo dos humanos. Liderados pelo Porco Napoleão, os bichos fizeram sua revolução. A partir daí, segundo a nova doutrina, fruto da ruptura com a antiga ordem, tudo que fosse bípede era considerado inimigo dos quadrúpedes.  

 

Assim, após a tomada de poder, os líderes revolucionários prometeram o melhor dos mundos. A igualdade plena. A distribuição de alimentos e de bens seria equitativa. As deliberações principais, que tivessem carga decisória, seriam tomadas coletivamente. Sem a opressão humana, os bichos seriam livres e viveriam imergidos numa felicidade plena.

 

Tomado o poder, as coisas, paulatinamente, mudaram de rumo, destoando, desta feita, do discurso inicial. Começava assim uma nova opressão. Bichos oprimindo bichos. A corrupção grassou rapidamente. Alguns bichos tornaram-se mais iguais do que os outros.

 

A violência, antes combatida, virou política de estado na gestão da bicharada. As falas, os discursos, a linguagem, tudo era passado na peneira do “chefão”, o porco Napoleão.

 

É uma crítica ferina ao stalinismo e ao seu regime homicida. Uma verdadeira saga anti-utópica, de uma beleza edificante, capaz de revelar a natureza humana, embora encarnada, metaforicamente, em bichos.

 

Ao final, os comandantes dos bichos resolveram reatar com os homens. Sentados, lado a lado, entram em acordo e negociaram uma saída pacificadora e o congraçamento entre homens e bichos foi levado a efeito.

 

Assim, os homens e os bichos-comandantes, doravante, trocariam favores, regalias, dividiriam o poder, compartilhariam os louros obtidos com a nova aliança. Enquanto isso, a bicharada, relegada, novamente, à condição de escravos serviria de massa de manobra.  E o pior: teria dois senhores. Sofreria duplamente, oprimida pelos bichos e pelos homens.

 

Sob o olhar embasbacado dos bichos, que flertavam a reunião pela fresta das janelas, a sensação era de que: “Não havia dúvida agora quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco”.

 

Não sei por que, mas quando olho para o atual cenário político piauiense, e acompanho as negociatas entabuladas pelos cardeais petistas, petebistas, pemedebistas, pesebistas, pesedebistas, demistas etc., olho para um, olho para outro e não consigo distinguir fisionomias: quem é “homem e quem é porco”.

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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