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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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z_junior@bol.com.br


 

As polêmicas, vez por outra, borbulham nesse portal. Eu provoco algumas. Isso é saudável porque “desperta” e nos tira da condição passiva que, normalmente, adotamos em nossas vidas.

 

Algumas visões de mundo - de tão propaladas, de tão fácil assimilação - costumam seduzir as pessoas. O discurso está pronto e acabado. Na escola aprendemos assim. Na tevê, também. No seio familiar, idem. E assim, ao longo do tempo, as falas vão se cristalizando, fossilizando-se, até o ponto de serem irremovíveis das mentes das pessoas.

 

De repente, alguém diz: “epa!!, não é bem assim”.

 

A partir daí o mundo desmorona para os defensores de algumas teses unânimes. E aí aquela velha frase reverbera em alto e bom som, oriunda da boca deles “ quem você pensa que é?”.

 

Como ousa a discordar, por exemplo, de que os negros são vitimas de uma sociedade excludente, patrimonialista e elitista, governada até hoje pelos descentes dessa elite. Ou que os índios, de uma pureza panteísta, os bom-selvagens de Rousseau, não foram dizimados até perto do extermínio pelos colonizadores. E por aí vai.

 

Essa reação (deles) é tão desproporcional que, na maioria das vezes, beira a impostura intelectual. Aí é preciso fazer um longo intróito afirmando, reafirmando, que se reconhece que houve, sim, isso e que não se podem negar todos esses infortúnios que se abateram sobre a nossa sociedade ao longo dos séculos.

 

Não sou um negacionista. Coloco isso claramente nos textos. Repito insistentemente. Mas eles não se contentam. A cada frase, por mim escrita, parece que estrangula a úlcera deles.  E aí, rangendo os dentes, com foice e martelo na mão, condenam-me às profundezas, alcunhando-me de direitista, insensível, burguês, e por aí vai.

 

Confesso que meus textos possuem uma carga de ironia e contundência. Não poderia ser diferente. Esta - a contundência - deve marcar o texto da primeira à última linha, sob pena de algum tipo de recuo entremostrar titubeio; aquela - a ironia -, para mim, é a alma do texto. Aprendi, com deficiência, evidente, com Machado de Assis. Seus textos são recheados de tiradas irônicas que dão aquele toque de genialidade, marca de sua obra.

 

A minha visão sobre o passado, podem acreditar, é, praticamente, a mesma dessa turma que me contesta, guardadas imensas proporções. As lições que eu tiro disso é que são largamente diferentes.

 

 Creio que devamos usar os erros do passado para criar um novo presente e um futuro mais digno, e não para reescrever a história e apenar ou privilegiar quem descende desta ou daquela casta.

 

Eu entendo, por exemplo, que implantação das cotas raciais é um dos maiores erros que a sociedade brasileira está incorrendo. No afã de fazer uma reparação, vamos criar um sentimento de racialismo numa sociedade que se orgulha de ser mestiça.

 

Com o mapeamento do genoma, descobrimos, por exemplo, que o conjunto de genes que imprimem uma cor mais escura a um indivíduo é tão pequeno que é incapaz de caracterizar uma raça.

 

É possível que se encontre mais semelhanças genéticas entre um alemão da gema e um negro africano do que entre os próprios negros ou entre os próprios alemães. Entenderam?

 

Cachorros têm raças; humanos, não. Os ascendentes dos europeus e dos pigmeus da África Central, ou dos índios pré-colombianos e dos colonizadores, que aportaram por aqui há quinhentos anos, são os mesmos.

 

Há um ou dois anos, dois estudantes gêmeos concorreram ao vestibular pelo sistema de cotas da Universidade de Brasília. Um foi considerado negro, o outro, não. Isso é só uma das inúmeras evidências que estraçalham a tese dos cotistas.  

 

 

Então, nobre escriba, você afirma que não há preconceito no Brasil? Claro que não afirmo. Há, sim, em toda esquina. Somos preconceituosos. Mas isso não é institucionalizado. Isso não é política de Estado ou de organizações da sociedade civil.

 

Experimentem uma coisa: convoquem pelos meios de comunicação de todo o país uma passeata invocando o racismo, o direito dos brancos a isso ou aquilo, repudiando a raça negra. Sabe quem vai aparecer: alguns bêbados e uma penca de neonazistas, doidos para esfolar um negro, um homossexual e um nordestino.  

 

Além disso, implantada essa idéia, criaríamos dentro da própria comunidade negra segregação. Uma parte, beneficiada pelas cotas, ascenderia aos postos mais altos; outra parte, não estimulada pelo estímulo, ficaria na mesma.

 

Resultado: segregada duas vezes, muitos membros da “raça” negra ficariam mais distantes dos brancos da elite e dos negros da nova elite.

 

“Então, qual é a saída cara pálida”? : investimento maciço na educação de base, implantando a meritocracia para alunos e professores. Ah! é preciso algo emergencial, uma proteção mais rápida e urgente. Bom, então estabeleça cotas baseadas na faixa de renda da população.

 

Dessa forma, pretos, brancos e amarelos pobres teriam condições de chegar ao ensino público universitário. E já que a maioria dos miseráveis pertence à “raça” negra, seriam eles os maiores beneficiados. Acho que é uma solução simples e eficiente.

 

Gilberto Freyre, um dos maiores intelectuais desse país, legou-nos obras memoráveis. Uma delas, “Casa Grande e Senzala”, é um clássico. Lá ele reconhece a violência da elite branca, dos senhores de escravo, mas entende que houve, em vários casos, congraçamento entre as negras e os senhores nas relações íntimas que travaram ora na senzala, ora na Casa Grande.   

 

Essa tese revolta os marxistas tupiniquins. O intelectual pernambucano é chicotado sem pena no pelourinho dos esquerdistas por conta disso. Para estes, a nossa sociedade foi fundada pelo “Estupro Original”. Todos os rebentos concebidos pelas negras escravas ou ex-escravas em congresso com os coronéis brancos são frutos da violência.

 

Claro que houve uma grande leva de violência perpetrada pelos senhores de escravos. Não foi pouca. E isso choca qualquer um. Mas havia relações “normais” entre colonos pobres e negras, por exemplo. Ou até mesmo entre coronéis e escravas, enfim. A grande miscigenação- quase cinqüenta por cento dos brasileiros são mestiços - de nosso povo e documentos da época revelam isso.

 

Utilizei o exemplo do Gilberto Freire para reforçar que há uma resistência gigante empreendida pelos revisionistas, cotistas, contra os que pensam diferente, principalmente os que, como eu, expressa em público e assume os riscos de ser tachado de reacionário ou coisa que o valha.

 

Na semana passada, o mural de recados desse portal foi palco das discussões. Alguns, anônimos, desceram a ripa em mim. Outros, não-anônimos, saíram em minha defesa. E aí se estabeleceu outra discussão: os anônimos estão legitimados a criticar?

 

Evidente que eu gostaria que todos se identificassem. É muito bom saber com quem você está debatendo. Fico numa posição incômoda e alguns internautas, que fazem questão de se identificar, não aceitam a máscara dos outros.  

 

A minha situação não permite, no entanto, que eu ignore os debates, ainda que contra os “sem-nome”.  Tenho que enfrentá-los dentro da civilidade. Aos que se identificam, sempre agradeço de forma lacônica, para não transparecer soberba.

 

E assim construímos esse espaço, abarcando a todos, sem revanchismos, sem segregação, sem rancores ancestrais e com muita disposição para encarar o passado, o presente e projetar um futuro sem cor, sem rancor e, em síntese, sem quaisquer preconceitos.  

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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