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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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z_junior@bol.com.br


Caros, reproduzo, aqui, o debate travado com o Doutor em Filosofia pela UNICAMP, professor da UFPI, Vicente Gomes, no jornal Diário do Povo.

 

 

O professor e filósofo Vicente Gomes desancou dois textos publicados neste espaço que tratavam do mesmo tema: a fala do deputado Nazareno Fonteles sobre a sucessão estadual. Um deles, de minha autoria, partia do pressuposto que a tese bolorenta da luta de classes, implicitamente, contida no discurso do parlamentar federal é perniciosa, chamuscada de divisionismos.

 

Segundo o professor, a minha “acusação” é típica de posições “conservadoras”, afinal não identificar a “luta de classes”, que está aí a saltar os olhos, as escâncaras, é de um  conservadorismo pueril. Minhas opiniões, neste caso, remetem-me a um estado de espírito envolto pela errônea idéia de que a sociedade é harmônica, não-conflituosa.

 

Data vênia, o professor confundiu-se na sua afirmação. A não identificação da “luta de classes”, já que ela é objetiva, e não depende de nenhum juízo de valor, não é uma forma de ignorar os conflitos imanentes da sociedade e nem uma pretensão ingênua ou metódica, sei lá, de viver numa sociedade harmoniosa. Em minha opinião, os conflitos, não os de classe, é que aperfeiçoam a sociedade. Não reconhecer a luta de classes nesse país é só por uma única questão: ela não existe.

 

Um pouco de lógica para compensar a minha ignorância acadêmica: se a minha crença, como ele mesmo afirma, não tem o condão de erradicar a “luta de classes”, arraigada na sociedade, a crença do professor e de seus seguidores, não têm o efeito reverso, qual seja, instituir uma luta entre ricos e pobres. O que eu não entendi foi a afirmação de que os conflitos sociais entre as classes são “objetivos” e, segundo ele, por conta disso, torna irrefutável a sua convicção.

Os conflitos sociais existem sim e não os ignoro. Só entendo que o seu leito de composição e resolução são as instâncias adrede concebidas num Estado democrático de Direito.  Não consigo enxergar é a “institucionalização” desses conflitos, como se existissem uma elite congraçada  de um lado e o povo depauperado, do outro, rangendo os dentes.  

 

Outro consectário lógico e, por que não, irônico, pode ser levantado aqui. Acredito que os que entendem que há “luta de classes” - essa divisão nítida no seio social (Elite e Pobreza) só não percebida pelos conservadores, leia-se, a “elite dominante” - tenham como meta ou utopia uma sociedade de uma classe só: a do proletariado. Alcançado esse estágio onírico, desapareceria a luta, por conseqüência, os “não-conservadores” tornar-se-iam conservadores já que a sociedade enveredaria para a harmonia. Sem lutas para chamar de suas, os não-conservadores quedar-se-iam inertes, saciados com o fim alcançado.

O filósofo tenta esclarecer que os dados objetivos de sua idéia partem da questão dual riqueza x pobreza. Aquela é causadora desta: gêmeas siamesas. Dar conta de que as duas são a mesma realidade e que o capital, o monstro ignóbil, amordaça o trabalho e separa a sociedade em espoliadores e espoliados, colonizadores e colonizados, é de um vitimismo só. 

 

E é nesse vitimismo que países comandados por Chàvez, Fidel e seus asseclas arrimam-se. O regime socialista deles é incapaz de produzir riquezas para, pelo menos, mal-distribuir. Aliás, a história desse regime é uma procissão de monstruosidades de toda sorte. Em nome de uma tal  “igualdade”,  uma legião de pessoas, que se aproxima da casa dos milhões, foi relegada à condição de adubo por divergir de suas teorias.

 

O capitalismo, dotado de sua tara pelo lucro, realmente não é melhor dos mundos, pelo contrário, continua a produzir mazelas e vítimas aos borbotões.  Mas, pode ter certeza, caro professor, o seu oposto, o Socialismo, com seu desprezo pelo indivíduo, a sua insistência pelas saídas (sempre) coletivas, a sua inclinação renitente para demonizar a prosperidade – menos para a burocracia do Partido, é claro – foi uma experiência nada abonadora e, tenho convicção disso, não será ressuscitado, pois naufragou em suas próprias impropriedades.

 

O único “novo mundo possível” é esse mesmo mundo reformado. É um mundo dotado de um sistema menos excludente, que respeita as vontades individuais, que não “amordaça” a produção, que estimula a competição e que tenha como norte a meritocracia.

Entender que o “Eu” não é uma qualidade suspeita é um passo gigante para se afastar da barbárie. Afinal, “conduzir a chicotadas as massas lamuriosas a uma ‘felicidade’ futura e teórica que só o Partido possa enxergar” não passa de uma visão autoritária de mundo.  

 

O homem com suas misérias, imperfeições e precariedades, é o único que me seduz. Qualquer “reengenharia” que pretenda higienizá-lo, igualando-os a uma massa disforme, como pretende os regimes anti-capitalistas, é uma só tentativa tosca de lançá-lo na mediocridade, qualidade amada pela igualdade.  

             

Zeferino Junior - Servidor Público

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