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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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z_junior@bol.com.br


   

 

        Não vou aqui fazer mesuras ou desancar a atitude do Governador Wellington Dias de permanecer no governo. Seria repetitivo demais: ou descambaria para os arroubos de humildade e desapego do Governador ou cairia na fala desconcertada da oposição, que considerou blefe a atitude.

 

         O que me chama atenção nesse imbróglio é o assombro de todos. É claro que é digna de nota uma atitude que contraria a regra no nosso fétido ambiente político:  acostumamo-nos a encarar a relação do indivíduo com o poder como um contubérnio visceral, impossível de se desvencilhar por vontade própria. Para a maioria, só a vontade popular seria capaz de cortar os nós que atam essa relação.

  

         Num ambiente político mais higiênico, desafetado dessa visão medíocre, a atitude do governador seria tomada como normal. Não haveria assombro e sim uma reação madura da sociedade e de todos os atores sociais.

 

         Ouvi e li de tudo. Alguns disseram, vejam só!, que era um desrespeito à soberania popular. Outros mais agressivos, representantes da oposição, enfurecidos atribuíram adjetivos não publicáveis ao governador.

 

         O único adjetivo que cabe para classificar a decisão é o que designe sobriedade. E a sobriedade, diga-se, deveria ser o móvel da política. Não atribuo à decisão um caráter de estadismo, como se o projeto para redenção do Piauí fosse o farol que iluminou Wellington. Acho que não.

 

         É verdade que a gestão de Wellington Dias melhorou as condições estruturais e sociais do Estado. Em oito anos, criou-se um ambiente melhor para o crescimento do Piauí, afastando algumas práticas que rebaixavam a nossa dignidade e fomentando outras, mais afetas aos postulados da moderna administração pública. Sem esquecer, evidente, de atos suspeitos e da perpetuação de várias práticas nefastas antes combatidas a debalde pelos seus partidários.

 

Não acredito, porém, que essa decisão possa garantir a preservação do “projeto” de desenvolvimento.

 

         A uma porque os nomes da “base”, qualquer um deles, não estão tão aptos a continuar o tal projeto. Não consigo enxergar, nem mesmo com a “lanterna de Diógenes”, outro “estadista” capaz de tocar de dar continuidade ao que se fez de bom. São velhos conhecidos e não há na biografia de nenhum deles, penso eu, algo que diga, de antemão, que serão venturosos no trato com a coisa pública.

 

         A duas porque é possível que haja na oposição um nome capaz de fazer um bom governo, embora ela, a oposição, tenha em seus quadros velhos conhecidos que já deveriam ter sidos escorraçados da vida pública. Na verdade, hoje, só há um nome opositor capaz de conduzir, com alguma desenvoltura, os rumos do Estado: Sílvio Mendes, em que pese às más companhias que gravitam em torno dele.

 

         A rigor, a rigor, essa atitude singular do Governador Wellington não terá o condão de  mudar as estruturas que sustentam a vida política do Estado. Na política, não nos enganemos, atitudes porventura boas, escorreitas, não “contaminam” o espírito da maioria dos políticos. Os vícios, esses sim, costumam fazer morada no coração e mente deles, sem prazo para ir embora.

  

             

Zeferino Junior - Servidor Público

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