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Não vou aqui fazer mesuras ou
desancar a atitude do Governador
Wellington Dias de permanecer no
governo. Seria repetitivo demais:
ou descambaria para os arroubos de
humildade e desapego do Governador
ou cairia na fala desconcertada da
oposição, que considerou blefe a
atitude.
O que me chama atenção
nesse imbróglio é o assombro de
todos. É claro que é digna de nota
uma atitude que contraria a regra
no nosso fétido ambiente político:
acostumamo-nos a encarar a relação
do indivíduo com o poder como um
contubérnio visceral, impossível de
se desvencilhar por vontade
própria. Para a maioria, só a
vontade popular seria capaz de
cortar os nós que atam essa
relação.
Num ambiente político mais
higiênico, desafetado dessa visão
medíocre, a atitude do governador
seria tomada como normal. Não
haveria assombro e sim uma reação
madura da sociedade e de todos os
atores sociais.
Ouvi e li de tudo. Alguns
disseram, vejam só!, que era um
desrespeito à soberania popular.
Outros mais agressivos,
representantes da oposição,
enfurecidos atribuíram adjetivos
não publicáveis ao governador.
O único adjetivo que cabe
para classificar a decisão é o que
designe sobriedade. E a sobriedade,
diga-se, deveria ser o móvel da
política. Não atribuo à decisão um
caráter de estadismo, como se o
projeto para redenção do Piauí
fosse o farol que iluminou
Wellington. Acho que não.
É verdade que a gestão de
Wellington Dias melhorou as
condições estruturais e sociais do
Estado. Em oito anos, criou-se um
ambiente melhor para o crescimento
do Piauí, afastando algumas
práticas que rebaixavam a nossa
dignidade e fomentando outras, mais
afetas aos postulados da moderna
administração pública. Sem
esquecer, evidente, de atos
suspeitos e da perpetuação de
várias práticas nefastas antes
combatidas a debalde pelos seus
partidários.
Não
acredito, porém, que essa decisão
possa garantir a preservação do
“projeto” de desenvolvimento.
A uma porque os nomes da
“base”, qualquer um deles, não
estão tão aptos a continuar o tal
projeto. Não consigo enxergar, nem
mesmo com a “lanterna de Diógenes”,
outro “estadista” capaz de tocar de
dar continuidade ao que se fez de
bom. São velhos conhecidos e não há
na biografia de nenhum deles, penso
eu, algo que diga, de antemão, que
serão venturosos no trato com a
coisa pública.
A duas porque é possível
que haja na oposição um nome capaz
de fazer um bom governo, embora
ela, a oposição, tenha em seus
quadros velhos conhecidos que já
deveriam ter sidos escorraçados da
vida pública. Na verdade, hoje, só
há um nome opositor capaz de
conduzir, com alguma desenvoltura,
os rumos do Estado: Sílvio Mendes,
em que pese às más companhias que
gravitam em torno dele.
A rigor, a rigor, essa
atitude singular do Governador
Wellington não terá o condão de
mudar as estruturas que sustentam
a vida política do Estado. Na
política, não nos enganemos,
atitudes porventura boas,
escorreitas, não “contaminam” o
espírito da maioria dos políticos.
Os vícios, esses sim, costumam
fazer morada no coração e mente
deles, sem prazo para ir embora.
Zeferino Junior - Servidor Público
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