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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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Leitor x colunista: um debate frutífero

z_junior@bol.com.br


       Caros, a minha coluna está hospedada no site de São João do Piauí www.pedefigueira.com.br. Um leitor de lá criticou meu texto “O silêncio, cúmplice, de Lula”. Resolvi debater com ele. Reproduzo aqui o debate. Ficou interessante.

 

 

Havia dito na minha primeira coluna neste portal que, como no portalsrn, poderia, volta e meia, utilizar comentários sobre os meus textos para debater com os leitores. O intento não é meramente desafiador, mas uma forma que encontrei de oxigenar o espaço da coluna, não deixando que ela vire um monólogo insosso.

 

O diligente e presente leitor Clarindo deu-me essa oportunidade ao tecer comentários sobre a minha última coluna – “O silêncio, cúmplice, de Lula”.

 

Peço permissão aos leitores para dissecar os comentários do Sr. Clarindo e pontuar com considerações o que ele asseverou, enfaticamente, no painel do leitor.

 

Reitero que aceito, sobejamente, as manifestações contrárias ou não à minha coluna. Aliás, até estimulo, em nome dos valores democráticos e dos princípios que nos são caros num regime plural como o nosso.

 

Sem mais delongas, vamos direto ao assunto. Para ficar esteticamente melhor, as afirmações do leitor Clarindo serão grafadas em vermelho, as minhas, em preto.

 

“Patético esse señor Payá!!! Quem ele pensa que é para acusar o presidente de um país soberano, eleito pelo voto popular, de cumplicidade com crimes cometidos pelo regime de Cuba??? Patético e sacana”!

 

Essas primeiras afirmações não se sustentam logicamente. Um líder democraticamente eleito soberanamente pelo seu povo tem o dever de defender a democracia, ou melhor, as democracias, afinal vivemos numa aldeia global e qualquer afronta aos princípios básicos inerentes a um regime plural e libertário deve ser repudiada com veemência, pois atingem, reflexamente, todos que cultuam as liberdades e os direitos individuais e coletivos.  

 

A patetada e a sacanagem do Senhor Payá, impingidas pelo leitor à figura do ativista, restringiram-se a exigir de um democrata uma manifestação em favor da... democracia, da liberdade de expressão, dos direitos humanos, da possibilidade de se divergir de ideologias políticas.

 

O voto popular, um dos elementos da democracia - não o único, é verdade- não blinda o eleito, tornando-o imune às críticas, ao revés, abre a possibilidade para que todos, menos os que promovem o regime de exceção, possam apontar as incongruências, as violações perpetradas contra os valores que informam o Estado democrático de Direito.

 

O regime cubano já executou dezessete mil pessoas e mais de oitenta e três mil morreram tentando sair do país. Merece ou não uma reprimenda dos que não compactuam com o terror?

 

A expressão “quem ele pensa que é” não é muito, digamos, politicamente correta, caro leitor, afinal soa meio excludente, rotulando as pessoas não pelos seus argumentos, mas pela condição que ocupa na sociedade.

 

O mais lógico, aliás, o lógico, seria que o líder operário, filho da Dona Lindu, retirante, que lutou contra a ditadura de direita, que fez greve de fome, demonstrasse um mínimo de sensibilidade e, em nota, condenasse a prisão de “criminosos” políticos, repudiando qualquer violação aos direitos humanos, em qualquer lugar do mundo.

 

“O Movimento Cristão de Libertação (queira o nobre colunista ou não!) é um grupo financiado com verbas estrangeiras, com o intuito de fazer oposição ao governo de Cuba”.

 

Desde que as verbas estrangeiras não sejam públicas, não vejo problema algum. O que não se pode tolerar é que dinheiro da coletividade seja desviado em favor de entidades privadas, independente de sua ideologia. O que não pode, a exemplo do que ocorre com MST (que nem existe legalmente), é prover de verbas públicas um ente que promove depredações e saques. Só para não deixar brecha, reconheço a luta empreendida pelos que não possuem terra. Só acho que os mecanismos utilizados, hoje, pelo movimento, ou melhor, pelos seus líderes, não são razoáveis, extrapolando assim as balizas que delimitam o Estado de Direito.

 

Não sou favorável à tortura e nem qualquer outra forma de reação aos opositores de qualquer regime seja socialista ou capitalista!!! Torço muito que ocorram mudanças na "ilha" para um regime mais aberto, até para que quem queira saia... É impensável no mundo de hoje qualquer pessoa, por mais socialista que seja, defender a supressão de liberdades!

 

Nem eu nem você nem os que apreciam liberdades e valores podem aceitar passivamente violações aos direitos humanos. A sua torcida para as mudanças em Cuba, infelizmente, não se realizará enquanto o regime dos Castros fizer guarida por lá. São décadas de violações, tortura e crimes em nome de um socialismo. Ou alguém pode imaginar alternância de poder em Cuba, liberdade de expressão e pluripartidarismo, sob o comando dos "Comandantes da Revolução".  Acho difícil.

 

“É impensável no mundo de hoje qualquer pessoa, POR MAIS SOCIALISTA QUE SEJA, defender a supressão de liberdades”!

 

Essa sua última afirmação soou contraditória em face de sua idéia inicial, acabando por reforçar o que foi afirmado no meu texto. vejamos:

 

Quanto mais socialista mais defensor da supressão de liberdades? Se eu sou um socialista moderado eu devo defender uma supressão de liberdades moderada (devem ser suprimidas as liberdades a, b e c); se eu sou um socialista mais radical, devo defender mais supressões de liberdades (devem ser suprimidas as liberdades, a b, c, d, e,f, g, h, i, j.....z). Seria, então, inerente ao socialista o apego ao regime de supressão de liberdades?

 

Só uma conclusão, segundo a sua lógica: em regimes socialistas ou há parcial tolhimento de liberdades ou ausência total delas. Vide os regimes socialistas implantados na China de Mao, na URSS de Stalin, na Cuba de Fidel, no Camboja de Pol Pot.

 

Observação: nesse ponto, atente-se, eu só usei o seu raciocínio, queira o nobre leitor ou não.

 

Mas, não tenho o direito (e nenhum estado, governo ou governante, por mais legítimo que seja, tem!) de me intrometer em assuntos de outros países!!! Quantas vezes ouvimos algum governante brasileiro criticar a forma desumana, humilhante, preconceituosa com o governo americano trata imigrantes de origem latina??? Foram todos cúmplices desse regime excludente??? ... Patético, mister Payá!!!

 

A intromissão em assuntos “interna corporis” (estritamente ligado ao país) não deve ser, realmente, realizada. Alguns outros assuntos não são de interesses só dos países, mas de todo o mundo.

 

Vou lhe dar um exemplo esclarecedor. O Irã quer varrer Israel do mapa. Afirma, categoricamente, que o holocausto ( o extermínio de mais de 06 milhões de Judeus) não ocorreu. Atualmente realizou uma eleição fraudulenta, reconhecida, diga-se, até mesmo pelos Aiatolás.

 

Os que se opuseram à fraude, que se manifestaram nas ruas, estão sendo presos e torturados. A política nuclear do Irã caminha para a bomba atômica. Advinha onde ele pretende lançar essa bomba?
Mas, segundo o nosso presidente, não se deve se meter em assuntos internos. A propósito, ele classificou as manifestações dos iranianos, que redundaram em mortes e prisões, numa simples disputa de torcidas de um “FLA-FLU”. Quer dizer: para fazer chacotas pode se intrometer, para condenar violações, não.

 

Antes de terminar, as críticas aos governos americanos, ingleses, escoceses etc. todos capitalistas, podem ser feitas livremente nos meios de comunicação desses países e de qualquer lugar do mundo. Aliás, eu mesmo já condenei, num texto, as violações aos direitos humanos perpetradas pelos americanos na prisão de Guantânamo. Ou seja, todos os países têm problemas com direitos humanos. A diferença está em não permitir que vozes se levantem ou que os culpados por essas violações sejam punidos com rigor por um judiciário livre.

 

Bom, Clarindo e leitores, perdoem-me pelo tom. Só acho que discussões desse tipo não podem ser insossas, despidas de afirmações mais contundentes. Reconheço sua opinião e, digo mais, ela ajudou a todos que se dispuseram a ler esse portal, afinal o debate foi travado num leito democrático, com respeito aos contendores e ao público.   

 

 É isso.

             

Zeferino Junior - Servidor Público

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