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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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A fala do Nazareno

z_junior@bol.com.br


Foto: Google imagens

 

       Sou aficionado pela linguagem, pelo discurso. As falas são poderosas e capazes de mudar destinos, incutir idéias, assombrar e desassombrar indivíduos.

 

Quando elas (as falas) são proferidas por autoridades e representantes de ideologias, ganham mais ainda peso e merecem análises para que se possa extrair algo além do seu conteúdo explícito, facilmente verificável pelo senso-comum.

 

A fala, o discurso, que engendrou esse texto, foi a do nobre deputado federal Nazareno Fonteles que, gratuitamente, tem minha simpatia por seus atributos de franqueza e retidão, coisa rara, raríssima, de se encontrar em homens públicos.

 

            Embora o deputado desperte em mim esse sentimento de admiração pelos atributos prefalados, tenho grandes restrições a alguns discursos que ele costuma verter em sua atuação como homem público.

 

            O último que ouvi, que tratava da sucessão estadual, causou-me um certo constrangimento. Achei reducionista e, de certa forma, atrasado.

 

            Entregar a um “rico” – JVC- os destinos de um Estado que, nos últimos anos, foi governado por um partido ligado aos “pobres” é uma afirmação distorcida.E os motivos da distorção são muitos. Talvez nem caiba nesse reduzido texto.

 

            Ao afirmar que como político - e o seu partido o ensinou isso - estava ao lado dos pobres, e só deles, o parlamentar em nada contribui para um debate democrático. Primeiro porque um país que pretende ser democrático abraça a todos. Ricos ou pobres são cidadãos. A riqueza não é um pecado original. Demonizar os que detêm patrimônio não parece ser uma opção política, mas um traço obscurantista, religioso-fudamentalista. Assim como negar legitimidade a um empresário bem-sucedido para  governar qualquer que seja o Estado é de uma pieguice sem tamanho.

 

            Já que a tentativa do deputado inclinou-se para o senso comum, necessário se faz invocar um adágio popular: “Diga com quem andas que eu te direi quem és”. Para chegar ao poder e ajudar os “pobres” o “Partido dos Pobres” aliou-se ao bilionário brasileiro José Alencar e no, Estado, ao milionário JVC, integrantes dos “Partidos dos Ricos”. Aliar-se aos “ricos”, andar de braços dados, pode. Não é pecado. É só um mal necessário para chegar ao poder e ajudar os depauperados?

 

            Afirma também o deputado que o país só cresceu e distribuiu renda no governo petista. Afirmação arrogante e divorciada da realidade política do país. Todos nós sabemos que são dezesseis anos, pelo menos, de avanço. Foi o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, as boas privatizações e os programas sociais engendrados pelo governo FHC que deram uma feição mais moderna ao país e o preparou para os avanços. Avanços estes bem retomados e, talvez, melhor operados pelo governo Lula.   

 

            Concordo - opinião pessoal - que o Partido dos Trabalhadores deva ter um candidato no Estado. Não porque JVC, Wilson Martins ou Marcelo Castro representem a elite e, por consectário, não teriam condições de fazer um bom governo. Mas por achar que José Medeiros tem mais atributos pessoais, aptos a torná-lo um gestor mais capacitado do que os outros.

 

            Só acho que esse discurso fácil, propalado pelo parlamentar federal, divide a sociedade, incute preconceitos vis no subconsciente das pessoas e acaba não se sustentando de todos os pontos de vista. Parece-me mais a retomada bolorenta da divisão de classes, tão perniciosa quanto deletéria propugnada pelos teóricos comunistas.  

 

            Os pobres merecem uma proteção maior do Estado e das insitiuições, afinal são hipossuficentes, carecem de políticas públicas voltadas para sua inclusão, mormente numa sociedade como a nossa, marcadamente patrimonialista. Mas tentar dividir a sociedade entre ricos e pobres, clamando pela salvação destes e esconjuração daqueles parece-me pouco produtivo.

 

            Por isso refuto como cidadão esse discurso. E faço, por meio desse texto, essa admoestação ao Deputado Federal Nazareno, em que pese a admiração que tenho pelas suas posturas retas e francas com as quais sempre pautou a sua atividade pública.

             

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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