.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

 

   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
Últimas Matérias
Folia, futebol e factóides
"Homens que não gostam de mulheres"
Ecos do Haiti
Marcelo Castro, Pré-SAl e PMDB
Herculano: Átropos!?

O silêncio, cúmplice, de Lula

z_junior@bol.com.br


Raul Castro (com a foto do ativista morto) Lula e Fidel num macabro banho.

 

        Nas décadas de 1940 e 1950 as ideologias de esquerda fincaram raízes nas universidades. Na época, levantar uma bandeira de esquerda era charmoso, condizia com os valores “humanistas”, afinal o capitalismo – monstro ignóbil que devorava sonhos – sufocava as utopias e prometia transformar o mundo num bolsão de miséria, rodeado de burgueses beneficiados pela penúria dos miseráveis.        

 

         A Ilha idílica de Fidel era e ainda é o símbolo maior dessa utopia liberticida, tão cultuada por intelectuais e ativistas de ideologia marxista mundo afora.

 

O fato de ser uma Ilha dá mais charme ainda ao ideário que entende que a igualdade deve ser perseguida e implantada a ferro e fogo, ainda que as outras conquistas democráticas sejam preteridas e que corpos de inocentes sirvam de adubo para cultivar os sonhos dos que acreditam num sistema que não comporta liberdade de expressão, pluripartidarismo e o direito de ir e vir.

 

Ressalte-se que a “igualdade” que eles professam tem seus matizes. Os comandantes e a burocracia do partido que comandam a “revolução”, por exemplo, podem desfrutar dela “in totum”. Já a massa de manobra popular tem que se contentar com apenas um fragmento dela. 

 

            Ainda hoje esse ideário é propalado e quem não comunga dele é tratado de pária, vendido, capitalista, direitista e outras denominações que campeiam pelo “dicionário” dos “revolucionários” de sempre. Aliás, revolucionário é um chavão charmoso que empresta um ar galanteador aos que o ostenta.

 

            A “utópica” Ilha Cubana, comandada pelos Irmãos Castro, é uma ditadura das mais violentas, que já provocou a morte de mais de cem mil pessoas. As prisões e os espancamentos dos que não concordam com o regime é prática corriqueira. Vide o caso de uma blogueira cubana que, corajosamente, critica as ações truculentas do governo e que, recentemente, foi espancada pela polícia da “revolução”.

 

            Mais recente ainda é a morte do ativista de Direitos Humanos Orlando Zapata Tamayo. O ativista foi condenado a vinte e sete anos de prisão. Depois de entrar em greve de fome e terem suspendido a água os seus rins pararam e ele veio a óbito. A justificativa do governo cubano causa asco: “Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos”, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitava Cuba.

 

            O cubano “suicidado” estava sob “os cuidados” do governo de Castro. Foi condenado a vinte e sete anos de prisão pelo ditador barbudo. O seu crime: divergir do governo da Ilha caribenha. Mas a culpa, é claro, é dos, como é mesmo? “Estadunidenses”.

           

            A lógica perversa dos regimes ditatoriais de esquerda funda-se numa única premissa: a culpa é dos americanos. Sem eles (americanos) seriam democratas e libertários. Pena que são muitos os que acreditam nisso. De Chico Buarque a  Gabriel Garcia Marques, todos não contam conversa para assinar abaixo-assinados em defesa dos esquerdopatas que grassam lépidos e faceiros por esse mundão de meu Deus.

 

            O escritor português Saramago, Nobel de literatura, rompeu com Castro depois que ele mandou fuzilar alguns jornalistas. Segundo Saramago, até aquela data estava com Fidel. A partir dali, não. O literato ajudou a carregar nos ombros, ao dizer que até ali estava com Fidel, o passado macabro do barbudo. Doravante, não iria mais carregar esse embornal recheado de cadáveres.

 

            Frei Betto, co-partidário desse regime, em sua última visita a Teresina, numa palestra, não se fez de rogado ao colocar em discussão a motivação dos cubanos que fugiam da Ilha, arriscando suas vidas. Para ele, o indivíduo não pode fazer escolhas... individuais. Deve motivar-se sempre pelas saídas coletivas, ainda que elas tenham como norte o arbítrio e a violência. Por isso, fugir da Ilha para viver num país democrático é pecado, afinal faz parte da sedução capitalista.

 

            É uma visão tacanha, digna de quem flerta com regimes de exceção. Por essa ótica, só uma ditadura é legitimada: a do proletariado. Essa sim pode cometer seus crimes, suas vigarices, seus atentados, seus terrorismos, afinal o seu fim último é a libertação dos “oprimidos” da economia de mercado e da legião de demônios capitaneados pelo grande satã: os americanos.

 

            O governo Lula abraça essa idéia. Partidário que é dessa ideologia, costuma fazer mesuras aos ditadores de esquerda. Para o governo que é aprovado por setenta por cento dos brasileiros o ativista cubano é apenas uma vítima dos americanos.

 

Transcrever a fala de um cubano é a melhor maneira de encerrar esse texto: Oswaldo Payá, líder do Movimento Cristão de Libertação - segundo quem Lula é cúmplice das violações aos direitos humanos na ilha caribenha - em entrevista publicada pelo jornal "O Globo":

 

"Respeitamos e amamos o povo brasileiro, mas o governo Lula não deu nenhuma palavra de solidariedade para com os direitos humanos em Cuba. Tem sido um verdadeiro cúmplice da violação dos direitos humanos", disse Payá, outro dissidente cuja voz alcança repercussão internacional.

            O silêncio cúmplice e macabro de Lula é só a ponta do iceberg de um líder que escolhe ditadores para chamar de seus. Melhor seria, presidente-operário, esconjurar ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita: Fidel e Pinochet merecem coabitar nas profundezas do mesmo inferno. 

 

Zeferino Junior - Servidor Público

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Zeferino Junior