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Nas décadas de 1940 e 1950 as
ideologias de esquerda fincaram
raízes nas universidades. Na época,
levantar uma bandeira de esquerda
era charmoso, condizia com os
valores “humanistas”, afinal o
capitalismo – monstro ignóbil que
devorava sonhos – sufocava as
utopias e prometia transformar o
mundo num bolsão de miséria,
rodeado de burgueses beneficiados
pela penúria dos miseráveis.
A Ilha idílica de Fidel
era e ainda é o símbolo maior dessa
utopia liberticida, tão cultuada
por intelectuais e ativistas de
ideologia marxista mundo afora.
O
fato de ser uma Ilha dá mais charme
ainda ao ideário que entende que a
igualdade deve ser perseguida e
implantada a ferro e fogo, ainda
que as outras conquistas
democráticas sejam preteridas e que
corpos de inocentes sirvam de adubo
para cultivar os sonhos dos que
acreditam num sistema que não
comporta liberdade de expressão,
pluripartidarismo e o direito de ir
e vir.
Ressalte-se que a “igualdade” que
eles professam tem seus matizes. Os
comandantes e a burocracia do
partido que comandam a “revolução”,
por exemplo, podem desfrutar dela
“in totum”. Já a massa de manobra
popular tem que se contentar com
apenas um fragmento dela.
Ainda hoje esse ideário
é propalado e quem não comunga dele
é tratado de pária, vendido,
capitalista, direitista e outras
denominações que campeiam pelo
“dicionário” dos “revolucionários”
de sempre. Aliás, revolucionário é
um chavão charmoso que empresta um
ar galanteador aos que o ostenta.
A “utópica” Ilha
Cubana, comandada pelos Irmãos
Castro, é uma ditadura das mais
violentas, que já provocou a morte
de mais de cem mil pessoas. As
prisões e os espancamentos dos que
não concordam com o regime é
prática corriqueira. Vide o caso de
uma blogueira cubana que,
corajosamente, critica as ações
truculentas do governo e que,
recentemente, foi espancada pela
polícia da “revolução”.
Mais recente ainda é a
morte do ativista de Direitos
Humanos Orlando Zapata Tamayo. O
ativista foi condenado a vinte e
sete anos de prisão. Depois de
entrar em greve de fome e terem
suspendido a água os seus rins
pararam e ele veio a óbito. A
justificativa do governo cubano
causa asco: “Lamentamos muitíssimo
(a morte). Isso é resultado dessa
relação com os Estados Unidos”,
disse Castro, ao lado do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, que
visitava Cuba.
O cubano “suicidado”
estava sob “os cuidados” do governo
de Castro. Foi condenado a vinte e
sete anos de prisão pelo ditador
barbudo. O seu crime: divergir do
governo da Ilha caribenha. Mas a
culpa, é claro, é dos, como é
mesmo? “Estadunidenses”.
A lógica perversa dos
regimes ditatoriais de esquerda
funda-se numa única premissa: a
culpa é dos americanos. Sem eles
(americanos) seriam democratas e
libertários. Pena que são muitos os
que acreditam nisso. De Chico
Buarque a Gabriel Garcia Marques,
todos não contam conversa para
assinar abaixo-assinados em defesa
dos esquerdopatas que grassam
lépidos e faceiros por esse mundão
de meu Deus.
O escritor português
Saramago, Nobel de literatura,
rompeu com Castro depois que ele
mandou fuzilar alguns jornalistas.
Segundo Saramago, até aquela data
estava com Fidel. A partir dali,
não. O literato ajudou a carregar
nos ombros, ao dizer que até ali
estava com Fidel, o passado macabro
do barbudo. Doravante, não iria
mais carregar esse embornal
recheado de cadáveres.
Frei Betto,
co-partidário desse regime, em sua
última visita a Teresina, numa
palestra, não se fez de rogado ao
colocar em discussão a motivação
dos cubanos que fugiam da Ilha,
arriscando suas vidas. Para ele, o
indivíduo não pode fazer
escolhas... individuais. Deve
motivar-se sempre pelas saídas
coletivas, ainda que elas tenham
como norte o arbítrio e a
violência. Por isso, fugir da Ilha
para viver num país democrático é
pecado, afinal faz parte da sedução
capitalista.
É uma visão tacanha,
digna de quem flerta com regimes de
exceção. Por essa ótica, só uma
ditadura é legitimada: a do
proletariado. Essa sim pode cometer
seus crimes, suas vigarices, seus
atentados, seus terrorismos, afinal
o seu fim último é a libertação dos
“oprimidos” da economia de mercado
e da legião de demônios
capitaneados pelo grande satã: os
americanos.
O governo Lula abraça
essa idéia. Partidário que é dessa
ideologia, costuma fazer mesuras
aos ditadores de esquerda. Para o
governo que é aprovado por setenta
por cento dos brasileiros o
ativista cubano é apenas uma vítima
dos americanos.
Transcrever a fala de um cubano é a
melhor maneira de encerrar esse
texto: Oswaldo Payá, líder do
Movimento Cristão de Libertação -
segundo quem Lula é cúmplice das
violações aos direitos humanos na
ilha caribenha - em entrevista
publicada pelo jornal "O Globo":
"Respeitamos e
amamos o povo brasileiro, mas o
governo Lula não deu nenhuma
palavra de solidariedade para com
os direitos humanos em Cuba. Tem
sido um verdadeiro cúmplice da
violação dos direitos humanos",
disse Payá, outro dissidente cuja
voz alcança repercussão
internacional.
O silêncio cúmplice e
macabro de Lula é só a ponta do
iceberg de um líder que escolhe
ditadores para chamar de seus.
Melhor seria, presidente-operário,
esconjurar ditaduras, sejam elas de
esquerda ou de direita: Fidel e
Pinochet merecem coabitar nas
profundezas do mesmo inferno.
Zeferino Junior - Servidor Público
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