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Ás
vezes, ou sempre, posso parecer
chato. Mas, mesmo assim, não me
abstenho de opinar sobre dois
assuntos que, a meu ver, devem ser
rediscutidos no Piauí.
O
primeiro é o carnaval de rua de
Teresina. Todo ano é uma briga e
tanto. Digladiam-se organizadores,
poder público, mídia, todos em
torno da questão momesca da
“Cidade-Verde”.
O
dilema é o mesmo: o financiamento
público do evento mais popular do
país. O poder público deve
financiar essa festa,
atribuindo-lhe um caráter cultural,
comercial, incentivando a sua
permanência no calendário da
cidade?
Particularmente, acho que não. Em
que pese os esforços dos
organizadores e de alguns
integrantes - muitos deles imbuídos
da melhor das intenções -, que
encarnam a folia como uma paixão,
não há como subsidiar uma festa que
já perdeu o glamour e que não
encanta e nem embala mais ninguém
nesta cidade.
A
descentralização do carnaval,
empurrando-o para os bairros, para
mim, foi a última tentativa de
salvar algo que já não é possível
socorrer.
Agora, se a festa tem como se
estruturar com dinheiro privado,
independente do subsídio público,
tudo bem. Não se pode é injetar
dinheiro público em algo que não
tem mais viabilidade e que,
convenhamos, não tem um apelo
cultural mínimo, em minha opinião,
é claro.
Some-se a isso, a revitalização dos
carnavais do interior do Estado,
regados a axé e empurrados por
trios elétricos baianos. Ou seja,
o carnaval de rua de Teresina já
não tem o poder de seduzir foliões
inveterados e nem atrair uma alma
viva de fora das cercanias de
Teresina.
Na
mesma esteira, afundado numa crise
financeira e política permanentes,
o futebol no nosso Estado vive de
factóides futebolísticos. Tentando,
em vão, respirar, o “esporte
bretão” no nosso estado está
sufocado por “cartolas”
encastelados no poder há milênios,
sem que ninguém levante a voz
contra essa dinastia que míngua o
que ainda resta desse esporte.
A
imprensa local, ciosa de seus
deveres, tenta, sem sucesso,
emprestar alguma credibilidade ao
nosso depauperado futebol. Faz a
cobertura da contratação do
“século” pelo glorioso Flamengo do
Piauí de um jogador que, de tão
gordo, mal consegue vestir o
uniforme do clube. Com uma barriga
de dar inveja a antigos reis momos,
o atacante Jardel representa bem o
estágio atual do futebol no nosso
Estado.
O
River, outro portentoso de nosso
futebol, tentando rivalizar com o
seu eterno rival, espectacularizou,
também, ao anunciar uma suposta
contratação do veterano Túlio
Maravilha, jogador em franca
decadência, que já não pode mais
contribuir em nada com o tricolor
piauiense.
Assim caminham os nossos “maiores”
clubes: vivem de espetáculos
fajutos que não enganam ninguém, a
não ser eles mesmos.
Resumindo: o carnaval e o futebol
piauiense, infelizmente, por
motivos conjunturais semelhantes,
padecem dos males do amadorismo e
caminham lentamente para, pegando
emprestado o termo de um
existencialista francês, a
nadificação. Traduzindo: o
desaparecimento.
Zeferino Junior - Servidor Público
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