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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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Folia, futebol e factóides

z_junior@bol.com.br


Foto: Google imagens

 

Ás vezes, ou sempre, posso parecer chato. Mas, mesmo assim, não me abstenho de opinar sobre dois assuntos que, a meu ver, devem ser rediscutidos no Piauí.

 

O primeiro é o carnaval de rua de Teresina. Todo ano é uma briga e tanto. Digladiam-se organizadores, poder público, mídia, todos em torno da questão momesca da “Cidade-Verde”.

 

O dilema é o mesmo: o financiamento público do evento mais popular do país. O poder público deve financiar essa festa, atribuindo-lhe um caráter cultural, comercial, incentivando a sua permanência no calendário da cidade?

 

Particularmente, acho que não. Em que pese os esforços dos organizadores e de alguns integrantes - muitos deles imbuídos da melhor das intenções -, que encarnam a folia como uma paixão, não há como subsidiar uma festa que já perdeu o glamour e que não encanta e nem embala mais ninguém nesta cidade.

 

A descentralização do carnaval, empurrando-o para os bairros, para mim, foi a última tentativa de salvar algo que já não é possível socorrer.  

 

Agora, se a festa tem como se estruturar com dinheiro privado, independente do subsídio público, tudo bem. Não se pode é injetar dinheiro público em algo que não tem mais viabilidade e que, convenhamos, não tem um apelo cultural mínimo, em minha opinião, é claro.

 

Some-se a isso, a revitalização dos carnavais do interior do Estado, regados a axé e empurrados por trios elétricos baianos.  Ou seja, o carnaval de rua de Teresina já não tem o poder de seduzir foliões inveterados e nem atrair uma alma viva de fora das cercanias de Teresina.

 

Na mesma esteira, afundado numa crise financeira e política permanentes, o futebol no nosso Estado vive de factóides futebolísticos. Tentando, em vão, respirar, o “esporte bretão” no nosso estado está sufocado por “cartolas” encastelados no poder há milênios, sem que ninguém levante a voz contra essa dinastia que míngua o que ainda resta desse esporte.   

 

A imprensa local, ciosa de seus deveres, tenta, sem sucesso, emprestar alguma credibilidade ao nosso depauperado futebol. Faz a cobertura da contratação do “século” pelo glorioso Flamengo do Piauí de um jogador que, de tão gordo, mal consegue vestir o uniforme do clube. Com uma barriga de dar inveja a antigos reis momos, o atacante Jardel representa bem o estágio atual do futebol no nosso Estado.

 

O River, outro portentoso de nosso futebol, tentando rivalizar com o seu eterno rival, espectacularizou, também, ao anunciar uma suposta contratação do veterano Túlio Maravilha, jogador em franca decadência, que já não pode mais contribuir em nada com o tricolor piauiense.

 

Assim caminham os nossos “maiores” clubes: vivem de espetáculos fajutos que não enganam ninguém, a não ser eles mesmos.

 

Resumindo: o carnaval e o futebol piauiense, infelizmente, por motivos conjunturais semelhantes, padecem dos males do amadorismo e caminham lentamente para, pegando emprestado o termo de um existencialista francês, a nadificação. Traduzindo: o desaparecimento.

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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