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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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“Homens que não gostam de mulheres”

z_junior@bol.com.br


Foto: Google imagens

 

Há textos, para quem escreve regularmente, que você diz: “esse eu queria ter escrito”.

 

Nunca me arrisquei a rascunhar nada sobre o espetáculo deprimente que pauta o mundo da moda e nos força a reconhecer estilo e beleza em modelos encarceradas pela ditadura da magreza.

 

Não acompanho as “obras” dos estilistas, principalmente daqueles mais estilizados, perdoem-me o truísmo. Não dou conta nem dos meus assuntos favoritos, quanto mais dos que não me apetecem.   

 

Sempre que vejo aquela “arrumação”, como diz o bom piauiense quando se depara com uma “marmota” (outra expressão típica piauiense), sobe-me à boca uma “ânsia análoga a ânsia que escapa da boca de um cardíaco”, conforme se expressou o bom paraibano Augusto dos Anjos, em sua “Psicologia de um Vencido”.  

 

Aquelas mulheres seriíssimas, aborrecidas, mal-humoradas, às vezes com uns óculos maiores do que o rosto, caminhando “pé-sobre-pé”, quase em desabalada carreira, ostentando um corpo em processo de desaparecimento, despertam-me piedade. 

 

João Pereira Coutinho, articulista da Folha de São Paulo, vazou num texto formidável o que eu havia sentido de há muito, mas não materializei nas minhas “crônicas” superficiais do cotidiano.

 

Ele, mais ligeiro e capaz, foi no ponto: “Espetáculo admirável:...dizer que as modelos são magras é, se me permitem, um eufemismo. Magro sou eu. As modelos são esqueletos mórbidos com a pele dramaticamente colada aos ossos. Só faltam as moscas a rodear estes cadáveres adiados. Ou os abutres”

 

O nobre articulista deu um sugestivo nome ao seu texto: “Homens que não gostam de mulheres”. E mandou ver: “Basta regressar à foto e perguntar, com honestidade possível, se existe algum homem na Terra que sinta genuína atração por mulheres que são espectros de mulheres.”

 

            Encerra com maestria o que começou com extrema destreza: “Qualquer homem que goste de mulheres, confrontado com estas mulheres, não sente a vontade inevitável de as despir. Pelo contrário: sente o pudor paternalista e humanitário de as vestir. De as nutrir. E, em certos casos, de mandar chamar o cangalheiro. O que existe é um meio dominado por agências ou criadores que não gostam de mulheres... que desfiguram e ridicularizam as mulheres porque abominam nelas tudo aquilo que é deliciosamente sensual e feminino”

 

            Era dessa forma que queria escrever. Faltaram-me os dotes necessários. Coutinho veio ao meu socorro.

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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