.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

 

   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
Últimas Matérias
Marcelo Castro, Pré-SAl e PMDB
Herculano: Átropos!?
Clichês, línguas e Camões
Aquecimento e o arroto das vacas
Imperadores, ladrões e piratas

 Ecos do Haiti

z_junior@bol.com.br


         

 

           Nós, palpiteiros de plantão, que escrevemos sobre tudo – política, meio ambiente, futricas palacianas, ética etc. - não podemos nos furtar de escrevinhar sobre tragédias, ainda mais quando elas são de proporções épicas. Escrever sobre elas expiam os pecados momentaneamente.

            Na filosofia antiga, desde os estóicos, a pedra-de-toque do pensamento dominante era de que a natureza era harmônica e justa. Por isso, agir de acordo com ela era a forma de se integrar. Seríamos, então, uma parte do cosmo, um átomo, jungido ao todo, afastando-se, assim, do caos. Dessa forma, ser justo, por exemplo, era agir em consonância com a ordem natural.

            A posteriori, com a filosofia moderna, a idéia de justeza e harmonia afastou-se da “ordem natural”. A natureza, na verdade, era hostil e precisava ser “domada” pelos experimentos científicos, frutos do racionalismo e da razão. O homem passou a ser o centro de tudo.

            A hecatombe que devastou o pobre Haiti tocou-me profundamente e me fez rememorar as lições acima expendidas. Uma leitura ligeira pelo pensamento filosófico para tentar entender a ordem das coisas.

            Pensando bem, teorias e proposições filosóficas não têm o condão de explicar a morte em série de seres humanos. Não há explicação plausível. O flagelo humano em proporções dantescas está acima da compreensão humana.  

            A aflição de observar seres humanos errando sobre escombros, enquanto seus pares perecem, é inenarrável. Não comporta descrições.

            As imagens veiculadas pelas TVs são chocantes.  Um povo que já não tinha as condições básicas de sobrevivência, agora sofre uma espécie de golpe final nas suas pequeninas esperanças de uma vida melhor.

            Das poucas boas lições que se pode tirar dessa tragédia, a mobilização mundial para criar as condições para ajudar os pobres haitianos é a única coisa que nos conforta, embora saibamos que a reconstrução daquele diminuto país é uma empreitada das mais difíceis.

            Muitas tragédias virão. Terremotos devastarão cidades. Tsunamis engolirão lugares. Furacões varrerão tudo que aparecer pela frente. O ser humano, como uma presa acuada, será a vítima primeira dos desvarios da natureza.

            Não resta muita coisa a fazer. Sobrará só a disposição para enterrar os mortos em valas comuns, juntar os cacos do que sobrará das construções e, para os religiosos que resistirem, agradecer por estar vivo e “desculpar” a fúria dos deuses.

            A existência humana, a cada evento deste porte, afigura-se ainda menor. Não passa de um pequeno fragmento solto, desprotegido e sujeito às intempéries devastadoras, capazes de materializar aquela passagem bíblica: “do pó viemos, para o pó voltaremos”.

 O Haiti é uma lição funesta e clarividente de nossa pequenez.

 

 

Zeferino Junior - Servidor Público

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Zeferino Junior