|
Caros leitores, retornei das
férias. Antecipo o texto do final
de semana.

A
pequenez de nossa política é algo
que salta aos olhos. As declarações
de alguns políticos piauienses
corroboram com essa afirmação.
O
assunto da hora, do minuto e do
segundo - a malfadada e malfalada
sucessão estadual que, de tão
repetitiva, virou uma cantilena sem
fim - revela um traço marcante de
alguns homens públicos que compõem
o partido que, em praticamente
todos os Estados, detém o “poder”
de decidir as eleições.
Alguns representantes do PMDB, em
público, admoestaram o pretenso
candidato a governador do partido,
Marcelo Castro, por não estar
brigando para se colocar como
legítimo candidato de uma
estrovenga chamada base-aliada, que
de aliada só tem o nome.
Segundo alguns próceres do PMDB,
partido que, segundo dizem, não
inventou os vícios de nossa
República, mas que melhor se
adaptou a eles, a luta do Deputado
Federal de São Raimundo Nonato pela
causa “Pré-Sal” tem o tirado da
briga direta pela condição de
candidato ao Governo do Estado.
Ao
assumir a causa Pré-Sal, o Deputado
Federal mais votado do Estado na
última eleição, dá uma contribuição
significativa numa luta justa e
igualitária pelos dividendos de um
projeto que pode redimir o país de
parte de suas misérias. Mas,
segundo a ótica de seus congêneres
partidários, a busca para assumir o
poder no Estado seria mais
importante.
Acostumados a se alimentarem da
pequenez das briguinhas travadas
nos escaninhos de um Estado
pobretão, parte do PMDB prefere
discutir se segue com a situação,
depois de se beneficiar de um
benevolente pacote de cargos
despejados nos colos de seus
caciques por oito anos ou se marcha
com a oposição, afinal o candidato
dela, da oposição, surfa numa onda
de aceitação confortável.
O
deputado Marcelo Castro mostra-se
firme no seu propósito de continuar
na luta pela divisão equânime do
“bolo-de-sal” para todos os
Estados. Peregrinando pelos Estados
vizinhos, tenta convencer as
lideranças políticas para se
atentarem à regulamentação da Lei
que tratará disso, principalmente
da emenda do Deputado Ibsen
Pinheiro, a favor da divisão
igualitária.
A
atual sucessão estadual, da forma
como é tratada, é só mais um
capítulo leviano da novela política
de nosso Estado, marcado pela
inconsistência e pusilanimidade de
seus políticos. Já a questão do
“Pré-Sal” traz o roteiro de um
filme que só terá final feliz para
todos se as nossas lideranças
resolverem fazer parte do elenco.
Entre fazer parte de um dramalhão
mexicano, pautado por todos aqueles
apelos imbecilizados, ou de uma
produção cinematográfica, campeã de
bilheteria, faz bem o deputado
Marcelo optar por esta.
Zeferino Junior - Servidor Público
|