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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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 Herculano: Átropos!?

z_junior@bol.com.br


        Grande Caros leitores, estou de férias, como já havia comentado com vocês. Mas deu vontade de rascunhar alguma coisa e acabei produzindo o texto que vai abaixo.  Tornou-se oportuno o rascunho ora redigido, uma vez que houve mudanças no governo local e é hora de comentários. O texto serve a esse propósito. Volto, regularmente, em fevereiro.

 

Um fio de ouro, 1885 – As Parcas (Cloto, Láquesis, Átropos) tecendo os fios da vida.

 

 

 

 

           Herculano: Átropos!?

 

 

Um ano de governo. Tempo para reflexão e análises. Tempo para deitar os olhos sobre o que aconteceu nos primeiros trezentos e sessenta e cinco dias do governo petista em São Raimundo Nonato.

 

A análise do atual governo, que veio cheio de boas expectativas e que prometeu melhores dias ao povo de São Raimundo, deve ser enfocada em diversos pontos.  

 

Não é novidade que a realidade, no setor público, costuma atropelar as boas intenções. Sabemos que o dia-a-dia da administração pública é acachapante e que, como uma espécie de moagem de cana, tritura idéias e despedaça sonhos.

 

As questões orçamentárias, oscilantes por natureza, não permitem grandes estripulias. O FPM em um mês é rechonchudo; no outro é esquálido. A economia mundial e suas oscilações, de que todos os países são esquizofrenicamente dependentes, acaba trazendo incertezas diuturnas a todos, mormente aos gestores públicos.

 

 Entendo que, por falta de convivência no dia-a-dia, não posso emitir nenhum juízo de valor sobre o cotidiano da cidade - iluminação, limpeza, ordenamento do trânsito, enfim. Cabe aos moradores essa análise. As reclamações são muitas e sempre existirão. Até mesmo em Teresina, cidade governada por um prefeito com mais de 80% de aprovação, os reclamos são constantes.

 

O que eu pretendo tratar aqui, no entanto, é da dificuldade dos laços políticos da atual gestão. O diálogo que deveria estar sendo travado entre o governo e os grupos, o governo e a população.

 

 É do conhecimento de todos que governar é, acima de tudo, dialogar. Um bom diálogo abre caminhos e encontra soluções para os problemas considerados insolúveis.

 

Parece ser, sem dúvida, o grande problema do governo. O colunista Alexandre Rocha, no seu último texto, tratou bem sobre isso. In loco, pois o mesmo visitou a cidade recentemente, percebeu a dificuldade e vazou em seu texto, muito bem escrito, diga-se, a necessidade de um aperfeiçoamento nesse quesito.

 

Um passo gigante foi dado pelo gestor nessa virada de ano. Vai ser colunista do Portalsrn. É uma atitude louvável. Assim, poderá, semanalmente, debater, colocar suas idéias e interagir com a população como nunca antes nesta cidade. Um espaço formidável que, bem administrado, pode render belos frutos no que tange à proximidade entre ele a população.

 

Com relação aos laços com as lideranças, os grupos e os partidos, a situação não é nada boa. A começar pelo partido em que o prefeito está filiado.

 

Hostis, um ao outro, o PT de São Raimundo e o Padre não costumam falar a mesma língua. Aqui há culpas recíprocas. O PT municipal é frágil. Incapaz de fomentar boas discussões, o Partido dos Trabalhadores local acaba se reduzindo a grupelhos que brigam por espaço sem, no entanto, avançar um milímetro em questões maiores. Mas, embora ostente essa fragilidade, deveria estar próximo de um governo comandado por um dos seus filiados. Até porque os outros partidos – PSB, PCDOB, PDT, PMDB etc – não são capazes, também, de conduzir boas discussões, ao contrário.

 

O gestor atual também se furta ao debate, é preciso que se diga. Deveria estar mais aberto e pronto a resolver, pessoalmente, arestas que, porventura, surjam na relação entre ele e os grupos. Essa relutância com o PT não é de hoje. O PT costuma apontar que o nosso gestor morre de amores é pelo PSB, partido que ele ajudou a fundar em São Raimundo. E, por isso, não se importa com o fortalecimento do partido do qual é filiado.

 

            Essa discussão estéril prejudica os dois: o PT, por não conseguir ganhar projeção, nem mesmo num espaço governado por um dos seus; o prefeito, por não poder contar, no meio municipal, com uma legenda que, quer queira quer não, é um partido que teve dois vereadores  - Laércio e Ronaldo – com uma votação nada desprezível.

 

O prefeito já provou, nas últimas eleições, que é um grande maestro das massas populares. Com sua oratória, com sua capacidade impressionante e, às vezes, hipinotizante, de guiar multidões, o nosso gestor diferencia-se. Acredito que não houve, ainda, na política sãoraimundense quem o superasse nesse quesito.

 

O grande sociólogo Max Webber já tratou bem disso com suas teorias sobre o “Líder Carismático”. Vou deixar para o nosso cientista político, Alexandre, pincelar sobre essa obra. É mais a “praia” dele. Aqui fica o registro como forma de tentar entender a figura política do nosso prefeito.

 

No dia-a-dia, no entanto, acaba passando a idéia de taciturno, casmurro, só para usar duas expressões cunhadas pelo genial Machado de Assis. Ou seja, não se abre e dificulta a aproximação de muitos que poderiam contribuir com ele.

 

No Direito, há uma expressão clássica, que costuma ser usada costumeiramente: “quem pode o mais, pode o menos”. Traduzindo para o nosso caso: quem pode conduzir multidões, pode conduzir indivíduos. Não é mesmo!! Se eu posso vocalizar mensagens a milhares de pessoas com proficiência, posso, com menor esforço, incutir idéias num pequeno grupo.

 

Por isso, às vezes, não consigo entender a dificuldade do prefeito em se relacionar com os grupos. Tenho certeza que se ele abrisse o diálogo, chamando pra si a responsabilidade das conversas, sempre pronto a compreender as dificuldades de cada agremiação, certamente teríamos grandes avanços.

 

Ressalte-se que esse tipo de ação não deve ser delegada a ninguém. É intransferível. Não cabe “a” ou “b” legitimar-se a falar em nome do gestor. Ele, com sua capacidade de diálogo, deve assumir a dianteira das conversas sem mais demora.

 

O ano entra com esse desafio para o prefeito. Os laços devem ser refeitos, apertados, sob pena de comprometer um projeto duradouro de reconstrução da cidade. Não é coisa do outro mundo. E, para falar a verdade, é uma forma saudável e agradável de reconstruir amizades e amainar as agruras que costumam acometer o dia-a-dia de uma administração.

 

Aqui prefeito, só para nós, sem alarde, quer dar continuidade a um projeto político-administrativo longevo?: Dê prioridade, também, a pequenas obras estruturantes – calçamento, iluminação, higiene, embelezamento - reforce o diálogo com a população, com visitas periódicas às obras, ao comércio local, aos líderes comunitários, aos bairros mais pobres, valorize o servidor público com ações que levantem a auto-estima, converse tête-à-tête com os líderes de todos os partidos, sejam eles de quaisquer agremiações, seja aberto às críticas, entendendo-as como uma forma de complemento, como já dizia Dom Hélder Câmara, ande a pé pela cidade para que todos percebam uma proximidade umbilical entre o senhor e os problemas que importunam o povo.

 

Garanto-lhe, caro prefeito, que com essas pequenas ações os fantasmas políticos do passado que nos assombraram por tanto tempo não nos perturbarão tão cedo. Ficarão relegados a uma espécie de limbo, digno das almas atormentadas que arrastam correntes e que vivem conectadas com o mundo dos vivos apenas por um tênue fio de um novelo que precisa ser desenrolado e, ao fim, cortado.

 

Na mitologia grega há a figura das três Parcas (seres mitológicos que conduzem nosso destino por meio de fios) Elas não param de fiar, dia e noite. Cloto,  faz girar o fio do destino dos homens, tecendo os dias; Láquesis, puxa e enrola o fio tecido, calculando o seu cumprimento e determinando o nosso destino; Átropos, implacável, corta o fio da vida, determinando a partida, o fim.  

 

Mais do que administrar e reestruturar a cidade, o povo de São Raimundo sonha com o fim de uma era. Quer uma cidade melhor, evidente, mas quer, também, que como Átropos, o atual gestor, por meio de ações políticas e administrativas, “corte” de vez o fio que sustenta, ainda, um passado que insiste em se dependurar na esperança do renascimento, renascimento este que representará a morte de todas as expectativas de uma cidade melhor.  

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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