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Obs.: caros
leitores, vou pedir licença, no mês
de janeiro, para umas merecidas
férias, afinal são mais dois anos
de labuta, sem descanso. Em
fevereiro, volto. Uma jornada anual
de debates nos espera. Será um ano
repleto de acontecimentos, não
tenham dúvidas.
Clichês, línguas e Camões.
Os
clichês são enfadonhos. Mas, não
adianta, fazem parte de nossas
vidas. O fim de ano nos reserva uma
porção deles. Eles caem como um
peso de uma tonelada sobre os
nossos ombros. Obrigam-nos a
dizê-los a “ torto e a direita”.
Fazer o quê. “Feliz Natal e
próspero Ano Novo. Boas festas”.
Tentando fugir disso, eu sou mais
lacônico: “felicidades”! É a minha
sentença resumida das falas mais
utilizadas nesse fim de ano.
Mas
não sou ranzinza, caros leitores.
Não compactuo com os que vêem o
final do ano com o final dos
tempos. A minha face não sofre de
vultuosidades macabras com o
acender das luzes de natal por toda
a cidade, ao contrário, permanece
como dantes: plácida, risível,
burlesca. Conservo-a e não a
transformo por conta de uma festa
religiosa.
Não
me encho de saudosismos
superestimando o passado e dourando
o futuro com promessas-clichês
(olha “ele” de novo”) de fim e
início de períodos. Adiposidades a
menos, estudos a mais. Não. Sei que
o ano que vem a minha vida
caminhará cheia de platitudes, como
sempre.
As
minhas adiposidades abdominais
continuarão recheando meu abdômen.
Os estudos, mais uma vez, ficarão
um pouco de lado, os exercícios não
serão prioridades. A não ser que eu
comece agora as minhas atividades
físicas e intelectuais. Se deixar
para o ano que vem, ainda que seja
no primeiro dia do ano, não serei
capaz de cumprir as promessas
vertidas neste ano. Por isso, acho
que para me afastar dessa
“maldição” vou começar os estudos e
a corrida, nessa ordem, já, sem
mais demora.
Ainda dá tempo. O marco ainda está
um pouco longe. Há vários dias
antes do “fim-início”. É preciso
correr. Acho que é isso que vou
fazer agora, logo depois dessa
nossa conversa.
Mas
não posso ir embora sem umas
palavrinhas com meus anônimos
leitores que me acompanharam
durante o ano de 2009. Sei que há
alguns que não vivem sem minha
coluna. Nas noites insones ela
serve, acredito eu, para passar o
tempo, e deve forçar aquele bocejo
digno de um enfado e de um sono
homéricos.
Foi
um ano produtivo. Cheio de
comentários. Cheio de assunto. Nós,
leitores, não padecemos daquele mal
que costuma assaltar os novéis
namorados tímidos, acabrunhados,
que não têm muito assunto um com o
outro. Somos verborrágicos. Às
vezes, deixamos um carinho de lado
para um longo diálogo capaz de nos
aproximarmos mais ainda.
Claro, claro, trocamos afagos e,
não raro, alguns beliscões, quando
não concordamos um com outro. Mas,
falem sério, é uma relação
interessante, digna de perdurar por
um bom tempo.
Eu
sei também que a paixão é uma onda
química. Os hormônios “enamorados”
que ela ativa arrefecem-se com
passar do tempo. Ou seja, o tempo,
esse “canalha”, pode acabar com o
que resta de prazer entre nós. Mas
deixemos isso pra lá. A hora é de
comemorar mais um ano de
relacionamento.
Entre beijos, abraços e farpas
vivemos bem. Para mim, foi
recompensador. Não sei pra vocês.
Os nossos momentos íntimos foram
revigorantes, embora alguns
assuntos, com perdão da palavra,
foram broxantes.
Espero que o ano de 2010 nos
reserve acalorados momentos. E que
nós, em concurso, possamos
apimentar essa relação cultural que
nos une.
Para
não sair do tom apimentado do
texto, cito Caetano, para finalizar
o nosso ano:
“Gosto de sentir
minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Minha patria é minha
lingua"
Zeferino Junior - Servidor Público
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