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“Navegava
Alexandre em uma poderosa armada
pelo mar Eritreu a conquistar a
Índia; e como fosse trazido à sua
presença um pirata, que por ali
andava roubando os pescadores
repreendeu-o muito Alexandre de
andar em tão mau ofício: porém ele
[o
pirata],
que não era medroso nem lerdo,
respondeu assim:
“Basta, senhor, que eu, porque
roubo em uma barca, sou ladrão, e
vós, porque roubais em uma armada,
sois imperador?”
Assim é. O roubar pouco é culpa, o
roubar muito é grandeza:
o roubar com pouco poder faz os
piratas, o roubar com muito, os
Alexandres.
Mas Sêneca, que sabia bem
distinguir as qualidades e
interpretar as significações, a uns
e outros definiu com o mesmo nome
(…)
Se o rei de
Macedônia, ou de qualquer outro,
fizer o que faz o ladrão e o
pirata; o ladrão, o pirata e o rei;
todos têm o mesmo lugar, e merecem
o mesmo nome.”
O trecho acima é de
Padre Vieira, influente orador
português que residiu no Brasil,
autor do “Sermão do bom Ladrão”,
dentre outros.
“ Um dos mais influentes
personagens do
século
XVII em termos de
política,
destacou-se como
missionário em terras
brasileiras. Nesta qualidade,
defendeu infatigavelmente os
direitos
humanos dos povos
indígenas
combatendo a sua exploração e
escravização”. (dados da Wikipédia
– enciclopédia eletrônica)
Trago
esse trecho magnífico para a
coluna, no dia internacional do
combate à corrupção, para enfatizar
que não devemos fazer concessões a
esse mal que corrói nossas
esperanças e nos oferta um mundo
pior.
Já
enfatizei em textos anteriores: “
há um núcleo – probidade,
transparência – que não se pode
negociar”, haja o que houver, dê no
que dê. Isso diferencia os honestos
dos desonestos, os retos dos
tortos.
Mensalão do “DEM”. Mensalão do PT.
Mensalão do PSDB. Todos vão a
“acompanhante” que o pariu. Devemos
rechaçá-los de pronto.
Denunciá-los. Se o componente ético
se divorciar, de vez, da política,
se é que um dia estiveram juntos, a
vida em comunidade tornar-se-á
insuportável.
Grandes obras, como as de Arruda em
Brasília, as do Maluf em São Paulo,
as do Lula no Brasil, não são
suficientes para esconder, sob o
véu da imoralidade, as práticas
escusas que rebaixam a nossa
dignidade e a nossa cidadania.
Se
não for assim, prevalece a máxima
apontada no genial texto de Padre
Vieira: roubar pouco faz um ladrão.
Roubar muito faz um Imperador.
Num
país sério: Imperadores ladrões e
ladrões ladrões devem ser presos:
“Uns furtam e são
enforcados; outros furtam e
enforcam“.
No dia 09/12/09, dia
internacional do combate à
corrupção, essa coluna, mais uma
vez, reforça o compromisso com a
ética e repudia quaisquer atos de
corrupção. Ou ajudamos a construir
valores para nos tornarmos melhores
ou aderimos aos malfeitos para nos
tornarmos piores, ou na melhor das
hipóteses, permaneceremos como
somos: servis e condescendente com
os atos ímprobos. Num linguajar
mais pop: “doidos pelo alheio”.
Não a corrupção,
sempre.
Zeferino Junior - Servidor Público
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