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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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z_junior@bol.com.br


        

Para: zeferino jr

zeferino,sempre leio sua coluna e gosto muito,como também sou amante da política espero que você continue escrevendo sobre esse tema,mas queria lhe dar um conselho,você prega muito a ética cristã no meio políticos política é jogo, e como tal você tem que fazer quase sempre acordos que muitas vezes vão de encontro até com nosso caráter,mas infelizmente tem que serem feitos sobre pena de...

Para: zeferino jr

De ficar  fora do poder,não lhe conheço pessoalmente,mas temos alguns amigos em comum e eles me falam do seu pensamento,talvez seja por isso que você , o neim e o Laércio e outras pessoas desse grupo estejam de fora do governo do padre,você como líder desse grupo tem que dar uma parada e refletir se é isso que vocês querem,porque se vocês não tiverem estratégias vocês nunca vão conseguir nada.

 

 

Gosto do bate-papo com os leitores. É o que dá vida à coluna. Sem essa interação, parece-me que tudo que escrevo não ecoa. Por isso prezo e incentivo as colocações dos leitores. 

 

O leitor Marcos fez algumas considerações interessantes sobre nossas posições políticas, além de atestar que a realidade política sobrepõe-se aos ideais e até mesmo a ética, afinal é um jogo com regras próprias e quem não adere a elas fica “falando sozinho”.

 

É uma constatação dura, mas que, de alguma forma, contém um dado da realidade. O leitor vai além e me avisa que devíamos rever as nossas posições, embora ele goste muito do que escrevo sobre o tema.

 

As afirmações do leitor são pertinentes e quase não merecem reparos.  Vou fazer alguns só por amor ao debate e com o intuito de esclarecer alguns pontos que acho de extrema relevância.

 

Quando ele afirma que as minhas idéias políticas carregam valores “ético-cristão” ele tem uma certa razão. Reafirmo isso, apontando que os valores apregoados pelo Cristianismo – liberdade e igualdade- serviram de base para as Constituições democráticas e foram a “pedra-de-toque” da Declaração dos Direitos do Homem e dos ideais da Revolução Francesa, instrumentos fundamentais na construção da civilização moderna.

 

O que isso tem a ver com a ética que costumo embutir em grande parte dos meus textos? Tudo. Se se tem esse conhecimento histórico, se os nossos atos partem desses ensinamentos, dificilmente a sedução do poder vai ser maior do que o compromisso que se tem com os interesses coletivos.    

 

Por isso, Marcos, embora eu entenda e compreenda com muita lucidez o que você quis dizer, não posso deixar de ter como parâmetro esse norte moral que acredito e com o qual balizo os meus atos da vida privada.

 

No que diz respeito ao que você intitula de grupo – e não deixa de ser – essa tríade – Laércio, Zeferino e Nei e – forma um pensamento político, sim, em São Raimundo.

 

 Por que eu afirmo isso? Porque nós três discutimos constantemente a situação política de São Raimundo. Não somos ouvidos? Realmente, não. O nosso pensamento, infelizmente, não repercute no dia-a-dia dos atuais mandatários do poder do município.

 

E porque deveria repercutir? Quem são vocês para querer influenciar a vida política da cidade? São melhores, são dotados de uma inteligência diferenciada? Evidente, que não. Mas vou fazer algumas considerações que reputo pertinentes e que talvez ajude a corroborar o que foi dito acima.

 

Abstenho-me de detalhar minha participação na campanha que levou o atual prefeito à prefeitura. Acho que ajudei um pouco e poderia, com idéias, ressalte-se, contribuir mais ainda. Infelizmente, eles têm outras concepções sobre poder, política e sociedade e, neste aspecto, somos diferentes.

 

A participação do Vereador Laércio, essa sim, foi decisiva desde o início. Quem encarnou a oposição e, praticamente, sozinho enfrentou, no “braço”, o grupo político que dominava São Raimundo? Quem recusou uma oferta generosa para votar em si mesmo e tornar-se presidente da câmara dos vereadores em 2004? Quem denunciou com documentos e provas robustas os atos de corrupção ocorridos na gestão passada? Quem  expôs de forma deliberada a família?

 

Ah, mas o vereador é grosseiro, peca por excesso nas suas falas e não consegue aglutinar grupos em seu favor para se tornar viável numa disputa para prefeito? Talvez. Mas ninguém pode negar que é uma reserva moral e ajuda a construir, com suas ações, um ambiente ético/moral saudável na vida pública de nossa cidade.

 

Quanto ao Neim, para quem não o conhece, é o dono de um bar na Capital piauiense que é considerado a “Embaixada” de São Raimundo em Teresina.

 

 Boa-praça, leal, exímio articulador político, ligado a figuras do alto escalão do PT em Teresina, ajudou no início da campanha fazendo pontes entre o PT estadual e o atual prefeito, pois havia uma distância entre eles, e ainda há.  Seu bar, Bola de Ouro, é freqüentado por políticos e lideranças de todos os partidos políticos. Foi candidato a vereador na eleição de 2004. Morando em Teresina, andando a pé, só com apoio dos amigos, teve 126 votos. Muitos que tinham cargos no governo estadual e já disputado várias eleições não tiveram o mesmo desempenho.

 

A nossa intenção “pós-eleições” era modesta. Queríamos o acatamento de algumas idéias simples, nada mirabolante. Tínhamos certeza que, se implementadas, fariam muita diferença, principalmente no que diz respeito à transparência, a relação com o administrado e com a imprensa.

 

Para viabilizar isso, fizemos uma sugestão: o nome do Neim para fazer parte da equipe. Com isso, melhoraríamos a relação do prefeito com o PT, pois o Neim faria essa ponte, construindo entendimentos entre o Vereador Laércio e o prefeito. Infelizmente, ficamos a ver navios. A sugestão não foi acatada, pois, segundo eles, não deu pra visualizar o que realmente o Neim sabia fazer. Acredito que, hoje, depois dessa negação, a equipe deles seja composta só por especialistas em cada pasta do governo.

 

Quanto ao “grupo”, não exerço liderança sobre ele, como afirmou o leitor. Não tenho essa força. A liderança, entendo eu, parte do vereador legitimamente eleito com quase novecentos votos. É um homem do povo. Na verdade, gastamos a nossa energia e dinheiro (telefonemas são caros) para discutir os fatos que ocorrem em SRN e tentar entender o que se passa por lá.

 

Podemos concluir, então, que o nosso “grupo”, que não adere totalmente às regras do jogo, jamais alcançará êxito na política?

 

 Bom. Se um dia se puder fazer política preservando um núcleo que consideramos inegociável, qual seja a preservação da probidade, do interesse coletivo acima do interesse privado, do respeito ao administrado, da gratidão aos que ajudaram na construção das idéias, da transparência, do respeito aos bens públicos etc.- aí, sim, talvez possamos ser protagonista, um dia,  desse jogo.

 

Preservando esse núcleo, o resto dá pra negociar. Se não, é o jeito esperar que os nossos filhos e netos possam jogar o jogo em que não seja necessário vender a alma e abrir mão de princípios para alcançar o poder.

 

Ressalte-se, por oportuno, que, como não somos movidos por interesses estritamente particulares, continuamos apoiando o atual governo da cidade e, se for preciso, contribuiremos desinteressadamente no que for necessário. Entendemos que há avanços nas questões administrativas e que se entregará uma cidade bem melhor, preparada para os investimentos dos governos estadual e federal que estão, paulatinamente, chegando com o esforço despendido pela atual administração.

             

Zeferino Junior - Servidor Público

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