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Para:
zeferino jr
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zeferino,sempre leio sua
coluna e gosto muito,como
também sou amante da
política espero que você
continue escrevendo sobre
esse tema,mas queria lhe
dar um conselho,você prega
muito a ética cristã no
meio políticos política é
jogo, e como tal você tem
que fazer quase sempre
acordos que muitas vezes
vão de encontro até com
nosso caráter,mas
infelizmente tem que serem
feitos sobre pena de... |
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Para:
zeferino jr
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De ficar fora do poder,não
lhe conheço
pessoalmente,mas temos
alguns amigos em comum e
eles me falam do seu
pensamento,talvez seja por
isso que você , o neim e o
Laércio e outras pessoas
desse grupo estejam de fora
do governo do padre,você
como líder desse grupo tem
que dar uma parada e
refletir se é isso que
vocês querem,porque se
vocês não tiverem
estratégias vocês nunca vão
conseguir nada.
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Gosto do bate-papo com os leitores.
É o que dá vida à coluna. Sem essa
interação, parece-me que tudo que
escrevo não ecoa. Por isso prezo e
incentivo as colocações dos
leitores.
O
leitor Marcos fez algumas
considerações interessantes sobre
nossas posições políticas, além de
atestar que a realidade política
sobrepõe-se aos ideais e até mesmo
a ética, afinal é um jogo com
regras próprias e quem não adere a
elas fica “falando sozinho”.
É
uma constatação dura, mas que, de
alguma forma, contém um dado da
realidade. O leitor vai além e me
avisa que devíamos rever as nossas
posições, embora ele goste muito do
que escrevo sobre o tema.
As
afirmações do leitor são
pertinentes e quase não merecem
reparos. Vou fazer alguns só por
amor ao debate e com o intuito de
esclarecer alguns pontos que acho
de extrema relevância.
Quando ele
afirma que as minhas idéias
políticas carregam valores
“ético-cristão” ele tem uma certa
razão. Reafirmo isso, apontando que
os valores apregoados pelo
Cristianismo – liberdade e
igualdade- serviram de base para as
Constituições democráticas e foram
a “pedra-de-toque” da
Declaração
dos Direitos do Homem
e dos ideais da
Revolução
Francesa,
instrumentos fundamentais na
construção da civilização moderna.
O
que isso tem a ver com a ética que
costumo embutir em grande parte dos
meus textos? Tudo. Se se tem esse
conhecimento histórico, se os
nossos atos partem desses
ensinamentos, dificilmente a
sedução do poder vai ser maior do
que o compromisso que se tem com os
interesses coletivos.
Por
isso, Marcos, embora eu entenda e
compreenda com muita lucidez o que
você quis dizer, não posso deixar
de ter como parâmetro esse norte
moral que acredito e com o qual
balizo os meus atos da vida
privada.
No
que diz respeito ao que você
intitula de grupo – e não deixa de
ser – essa tríade – Laércio,
Zeferino e Nei e – forma um
pensamento político, sim, em São
Raimundo.
Por
que eu afirmo isso? Porque nós três
discutimos constantemente a
situação política de São Raimundo.
Não somos ouvidos? Realmente, não.
O nosso pensamento, infelizmente,
não repercute no dia-a-dia dos
atuais mandatários do poder do
município.
E
porque deveria repercutir? Quem são
vocês para querer influenciar a
vida política da cidade? São
melhores, são dotados de uma
inteligência diferenciada?
Evidente, que não. Mas vou fazer
algumas considerações que reputo
pertinentes e que talvez ajude a
corroborar o que foi dito acima.
Abstenho-me
de detalhar minha participação na
campanha que levou o atual prefeito
à prefeitura. Acho que ajudei um
pouco e poderia,
com idéias,
ressalte-se, contribuir mais ainda.
Infelizmente, eles têm outras
concepções sobre poder, política e
sociedade e, neste aspecto, somos
diferentes.
A
participação do Vereador Laércio,
essa sim, foi decisiva desde o
início. Quem encarnou a oposição e,
praticamente, sozinho enfrentou, no
“braço”, o grupo político que
dominava São Raimundo? Quem recusou
uma oferta generosa para votar em
si mesmo e tornar-se presidente da
câmara dos vereadores em 2004? Quem
denunciou com documentos e provas
robustas os atos de corrupção
ocorridos na gestão passada? Quem
expôs de forma deliberada a
família?
Ah,
mas o vereador é grosseiro, peca
por excesso nas suas falas e não
consegue aglutinar grupos em seu
favor para se tornar viável numa
disputa para prefeito? Talvez. Mas
ninguém pode negar que é uma
reserva moral e ajuda a construir,
com suas ações, um ambiente
ético/moral saudável na vida
pública de nossa cidade.
Quanto ao Neim, para quem não o
conhece, é o dono de um bar na
Capital piauiense que é considerado
a “Embaixada” de São Raimundo em
Teresina.
Boa-praça, leal, exímio
articulador político, ligado a
figuras do alto escalão do PT em
Teresina, ajudou no início da
campanha fazendo pontes entre o PT
estadual e o atual prefeito, pois
havia uma distância entre eles, e
ainda há. Seu bar, Bola de Ouro, é
freqüentado por políticos e
lideranças de todos os partidos
políticos. Foi candidato a vereador
na eleição de 2004. Morando em
Teresina, andando a pé, só com
apoio dos amigos, teve 126 votos.
Muitos que tinham cargos no governo
estadual e já disputado várias
eleições não tiveram o mesmo
desempenho.
A
nossa intenção “pós-eleições” era
modesta. Queríamos o acatamento de
algumas idéias simples, nada
mirabolante. Tínhamos certeza que,
se implementadas, fariam muita
diferença, principalmente no que
diz respeito à transparência, a
relação com o administrado e com a
imprensa.
Para
viabilizar isso, fizemos uma
sugestão: o nome do Neim para fazer
parte da equipe. Com isso,
melhoraríamos a relação do prefeito
com o PT, pois o Neim faria essa
ponte, construindo entendimentos
entre o Vereador Laércio e o
prefeito. Infelizmente, ficamos a
ver navios. A sugestão não foi
acatada, pois, segundo eles, não
deu pra visualizar o que realmente
o Neim sabia fazer. Acredito que,
hoje, depois dessa negação, a
equipe deles seja composta só por
especialistas em cada pasta do
governo.
Quanto ao “grupo”, não exerço
liderança sobre ele, como afirmou o
leitor. Não tenho essa força. A
liderança, entendo eu, parte do
vereador legitimamente eleito com
quase novecentos votos. É um homem
do povo. Na verdade, gastamos a
nossa energia e dinheiro
(telefonemas são caros) para
discutir os fatos que ocorrem em
SRN e tentar entender o que se
passa por lá.
Podemos concluir, então, que o
nosso “grupo”, que não adere
totalmente às regras do jogo,
jamais alcançará êxito na política?
Bom. Se um
dia se puder fazer política
preservando um núcleo que
consideramos inegociável, qual seja
a
preservação da probidade, do
interesse coletivo acima do
interesse privado, do respeito ao
administrado, da gratidão aos que
ajudaram na construção das idéias,
da transparência, do respeito aos
bens públicos etc.-
aí, sim, talvez possamos ser
protagonista, um dia, desse jogo.
Preservando esse núcleo, o resto dá
pra negociar. Se não, é o jeito
esperar que os nossos filhos e
netos possam jogar o jogo em que
não seja necessário vender a alma e
abrir mão de princípios para
alcançar o poder.
Ressalte-se, por oportuno, que,
como não somos movidos por
interesses estritamente
particulares, continuamos apoiando
o atual governo da cidade e, se for
preciso, contribuiremos
desinteressadamente no que for
necessário. Entendemos que há
avanços nas questões
administrativas e que se entregará
uma cidade bem melhor, preparada
para os investimentos dos governos
estadual e federal que estão,
paulatinamente, chegando com o
esforço despendido pela atual
administração.
Zeferino Junior - Servidor Público
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