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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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 Prefeitura x Portal: lições de um embate

z_junior@bol.com.br


        Não costumo fugir do debate. Quem acompanha a coluna desde o início sabe disso. Sempre me envolvi nas refregas, nas contendas e nos embates que aqui se travaram durante esse longo tempo que escrevo neste portal.


        O tema é polêmico? Lá estou eu emitindo minha opinião. Quando não vem a polêmica eu mesmo a crio com alguns temas que resolvo abordar. Mas tudo, ressalte-se, com algum nível de civilidade. Os meus “ataques e golpes” são todos acima da linha da cintura. Eu prefiro assim. E meus poucos leitores, acredito eu, também.


        As provocações sempre existem.  Vem um “cara-pálida”, por exemplo, no mural do leitor com o intento de me ofender e escreve:  
“e aí lorde-democrata não vai dizer nada sobre a atitude do prefeito em processar o portal”. Chego até visualizar o momento em que ele tirou as quatro patas do chão e teclou.  


        A ironia é ruim. Lorde, segundo o Aurélio, quer dizer: 
“Homem que vive com ostentação; título honorífico inglês".

        Democrata, alguém que acredita num regime em que os princípios e as liberdades individuais são inegociáveis.  


       Se queria me ironizar, perdeu a piada. Lorde eu não sou, mas democrata pode apostar que sou. E dos bons.  Tanto é que ainda pego a suposta ironia e a utilizo como mote para o texto da semana.


       Mas, voltando ao tema principal, vou tecer algumas considerações. E adianto que não concordo com a atitude do prefeito ou de qualquer outro governo que resolva processar meios de comunicação sem antes esgotar todas as possibilidades de diálogo.


       Uma ressalva antes de prosseguir com o texto.  A Imprensa não é livre para ofender ou caluniar ninguém. Deve ser responsável. A honra e a integridade das pessoas precisam ser preservadas e, jamais, podem ser alvo de ataques inverídicos ou calúnias.


      As matérias veiculadas neste portal que deram ensejo às ações judiciais, parece-me que não extrapolavam esse limite, embora tenham exposto, segundo o autor da ação, imagens que não correspondiam  com os fatos.  


      Só acho, no entanto, que há um meio muito mais eficaz e polido para confrontar as informações.  E esse meio, tenho certeza, estava ao alcance do autor da ação. Era só pedir o direito de resposta e, numa longa nota, colocar as razões que entendiam necessárias para elucidar os fatos.  Caso não atendido, aí sim caberia uma ação judicial com todas as repercussões legais.


      Ao invés de uma truculência judicial, teríamos um baita de uma reportagem sobre os avanços da cidade. Fotos seriam expostas com um bom texto ao lado e o que parecia uma nota contra os atos do governo, na verdade, seria uma oportunidade única para mostrar, por exemplo, que o envelopamento do lixão está sendo um sucesso. Enfim. Por falta de sensibilidade perdem-se grandes oportunidades.


      Particularmente, concluo, de antemão, sem entrar no mérito do pedido da prefeitura, que o ato foi desproporcional, irrazoável e que, do ponto de vista político, um desastre.  Eu, como assessor jurídico, não orientaria a proceder assim; como assessor político então....nem se fala.


      É preciso levar em conta uma porção de coisas antes de tomar uma atitude como essa. Esse portal, na campanha, foi fundamental para o atual prefeito chegar aonde chegou. Ainda que não fosse declaradamente eleitor dele, mas abrigou textos meus, do Alexandre Rocha e muitos comentários de leitores anônimos que não concordavam com a nefasta gestão anterior.


      Não se pode esquecer os fatos, os acontecimentos e as pessoas que contribuíram sobremaneira para que o grupo anterior fosse apeado do poder.


      Na verdade, eu acho que falta ao governo atual malícia e jogo de cintura e uma  boa dose de política,  no sentido astuto da palavra. Na política, “apanha-se” sorrindo. E o “contra-ataque” deve ser na medida exata. É do jogo. Sem isso, as disputas se embrutecem e só quem perde é o governo de então.


      A luta de boxe pode servir como uma metáfora para essa situação. O indício da derrota do boxeador dá sinais quando ele começa a ter raiva do adversário. Com raiva, ele perde a concentração e a frieza. Resultado: tenta arrancar, com uma mordida, a orelha do adversário, como fez o Tyson.  


      O Nocaute vem logo em seguida. Ou por um golpe certeiro do adversário ou pela desclassificação por ter infringido as regras decorosas do jogo.


      Note-se, também, que os espectadores quando assistem a um confronto em que se digladiam um time de futebol mais forte do que o outro, geralmente se torce pelo mais fraco. Temos certa predileção por aqueles que estão em desvantagem. Uma espécie de senso de justiça e piedade nos invade e, então, torcemos para “Davi” e não para o “Golias”.


      A prefeitura, neste caso, é o poder encarnado, é a força, é o Leviatã – o monstro que materializa o ente político. O portal, ao revés, é um meio de comunicação conduzido por uma única pessoa. Respondam rápido, para quem torceríamos? 


      A Democracia tem seu preço. Um deles é uma imprensa livre que, muitas vezes, extrapola do seu dever de informar e acaba atingindo um ou outro. Isso é fato. Mas o mesmo regime que permite essa liberdade, às vezes acima da medida, oferece o contraponto e os mecanismos aptos a contrastar e até mesmo a revidar. Ninguém sai impune.


       É preciso fechar o raciocínio com uma constatação.


       O presidente americano Obama, recentemente, citou uma frase antiga de outro presidente americano, que define bem o que eu penso. E ela deve servir de reflexão para todos, principalmente para os que foram alçados à condição de homem público:


      
“Prefiro jornais sem um governo a governos sem jornais”. Ou seja, a imprensa, com todos os seus pecados, que não são poucos, deve ser encarada como um elemento necessário no jogo político.  Não acima do bem e do mal, evidente. Mas um componente fundamental para o amadurecimento da democracia.


        Por isso, discordo da atitude da atual gestão. Pecou em diversos aspectos, principalmente no político.


       Ninguém ver com bons olhos algumas atitudes, ainda que legítimas, afinal exercer o poder não deixa de ser, na sua essência, uma demonstração de arrogância.


       É preferível encarar o poder como um estágio e não como uma morada. Assim teremos claro o papel de cada um no processo democrático. As instituições permanecerão. Os homens que as criam perecerão. 


         Nada mais saudável do que perceber isso, nada mais salutar do que propagar essa máxima.  


         É isso.

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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