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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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 Escolhas, pudores e perversão

z_junior@bol.com.br


        Os avanços estruturais são significativos em São Raimundo Nonato. A afirmação é de fácil constatação. Basta visitar a cidade. A expectativa de novos investimentos cria um clima favorável e, se atendida, transformará de vez o município.

 

Em contrapartida, as denúncias sobre malversação de dinheiro público por assessores diretos da atual gestão acabam por eclipsar os avanços do novo governo. Não se pode deixar que a onda de denuncismo paute, novamente, a vida política da cidade.

 

Fui defensor dessa atual gestão. E acredito que fizemos a escolha certa, sem sombra de dúvidas. Afastar o antigo governo era uma medida urgentíssima. A população não suportou ser maltratada por tanto tempo.

 

Agora o desafio é outro. Eu dizia em auto e bom tom, quando participava dos encontros com os novos gestores: “é preciso três coisas para governar bem: transparência, transparência e transparência”.

 

As pessoas precisam entender uma coisa: quando fazemos escolhas na vida, temos que suportar o peso delas. É uma regra básica que, se atendida, melhora a vida de todos, principalmente dos que são destinatários das ações de quem fez a escolha.  

 

Ao optar por uma função, temos que pesar os prós e contras. Fui livre na escolha? Se a resposta é afirmativa, o ônus do resultado deve recair sobre os meus ombros e eu devo suportá-lo ou então sofrerei as conseqüências.

 

Quem escolheu gerir os bens púbicos, manejando recursos da coletividade, deve ser cuidadoso, diligente, responsável, afinal os recursos vêm da coletividade e pra ela devem voltar. Na hora da escolha, todos foram livres, sem coação ou qualquer coisa que o valha, pelo contrário, colocaram-se como aptos a gerir os destinos de uma coletividade.

 

O peso agora recai sobre os ombros de todos os secretários e dos que estão diretamente ligados à Administração Pública, além do prefeito, é claro.  Assumir a condição de gestor da coisa pública é tarefa das mais espinhosas, que requer esmero e zelo.

 

Não se pode, de maneira alguma, pairar dúvidas sobre o bom encaminhamento dos recursos públicos. Não se deve deixar que se crie um ar de desconfiança na atual gestão, afinal o mote da campanha era justamente a oposição aos desmandos dos antecessores com as verbas públicas.

 

Numa época que a regra é a má conduta no trato com a coisa pública, quem consegue sair desse lugar-comum ganha o status de benfeitor, de responsável e serve de exemplo para o país.

 

Seguir por outros caminhos não vale a pena. Não acredito ser grande o sacrifício de agir com lisura, com retidão. Será que é difícil receber os recursos, aplica-los e depois mostrar por meio de documentos que efetivamente foram aplicados?

 

Acredito que não. Nada mais saudável do que acordar com a consciência limpa. Nada mais engrandecedor do que olhar uma obra pública e perceber que ela está servindo ao seu propósito. Nada mais recompensador do que ver o povo satisfeito com seus dirigentes.

 

Confesso que quando tive em São Raimundo, numa época dessas, visitei, junto com o Prefeito, o “Mercado de Frutas”. Cheguei a me emocionar. Que obra formidável!!! Por um momento, orgulhei-me da escolha que havíamos feito.

 

Ali eu senti que a dignidade que nos foi roubada durante décadas havia sido restituída. Senti que a política, quando bem feita, é um meio fantástico que propicia melhor qualidade de vida para todos, sem distinção de raça, credo e classe social.

 

As frutas, as verduras, todas bem acondicionadas, vendidas ali ajudavam a construir uma cadeia produtiva capaz de gerar riqueza e renda. Bem diferente de antes, quando o local mais parecia uma pocilga e todos se conformavam com a podridão e o descaso.

 

Abrir mão dos princípios da moralidade, da probidade e da eficiência é o primeiro passo para alimentar a desesperança e jogar todos no fosso da mediocridade.

 

Honras, riquezas, bens materiais são só formas de poder. Há os que lutam por isso de maneira ignóbil, sem se atentar que a vida é curta, que os nossos descendentes se orgulharão ou sofrerão as conseqüências de nossos atos. Há, no entanto, os que buscam isso de maneira sóbria, plácida, sempre atento às repercussões de suas ações.

 

Confio plenamente na boa intenção do atual prefeito. Posso assegurar que ele pensa vinte e quatro horas em São Raimundo Nonato. Raras vezes nos encontramos, mas quando acontece percebo o entusiasmo, a vibração, a força e a determinação de quem quer acertar e entregar uma cidade melhor, bem melhor do que nos foi entregue pelos últimos... como é mesmo?... gestores.

 

Parece complicado, mas a receita para bem contornar o atual momento é simples. É preciso refletir. Não adianta concentrar poderes, retirando deste ou daquele secretário o poder de decidir. É preciso prudência, humildade e inteligência.

 

A cidade vive num clima de acusações mútuas, troca de farpas, principalmente dentro do próprio grupo. Não se pode alimentar esse clima. Ao contrário, é necessário tomar medidas duras sem, no entanto, agigantar mais ainda o sentimento de animosidade que paira sobre as cabeças dos sãoraimundenses.

 

O desafio é grande, mas perfeitamente exeqüível. O importante é ter em mente que é um momento histórico e que não devemos, em nenhum momento, abrir mão da transparência e da responsabilidade no trato com a coisa pública, ainda que se tenha que fazer alguns sacrifícios.

 

Nós escolhemos, via democrática, a atual gestão. Foi quase uma revolução, digna de ser historicizada. Esperamos com ansiedade que o peso de nossa escolha seja leve e que não nos curve a ponto de ofertar aos aproveitadores, co-autores de vários crimes cometidos contra a nossa cidade, motivos para destilarem suas falsas moralidades, dignas das velhas prostitutas que, agora, desfilam recatadas, cobertas por um véu que tentam esconder o seu passado pervertido.

 

Que a história desse governo, por falta de um grito, não fique refém da memória dos que fazem da política o leito para a prática de todas as espécies de crimes capitulados na Lei Penal.

  

Zeferino Junior - Servidor Público

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