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Os
avanços estruturais são
significativos em São Raimundo
Nonato. A afirmação é de fácil
constatação. Basta visitar a
cidade. A expectativa de novos
investimentos cria um clima
favorável e, se atendida,
transformará de vez o município.
Em
contrapartida, as denúncias sobre
malversação de dinheiro público por
assessores diretos da atual gestão
acabam por eclipsar os avanços do
novo governo. Não se pode deixar
que a onda de denuncismo paute,
novamente, a vida política da
cidade.
Fui
defensor dessa atual gestão. E
acredito que fizemos a escolha
certa, sem sombra de dúvidas.
Afastar o antigo governo era uma
medida urgentíssima. A população
não suportou ser maltratada por
tanto tempo.
Agora o desafio é outro. Eu dizia
em auto e bom tom, quando
participava dos encontros com os
novos gestores: “é preciso três
coisas para governar bem:
transparência, transparência e
transparência”.
As
pessoas precisam entender uma
coisa: quando fazemos escolhas na
vida, temos que suportar o peso
delas. É uma regra básica que, se
atendida, melhora a vida de todos,
principalmente dos que são
destinatários das ações de quem fez
a escolha.
Ao
optar por uma função, temos que
pesar os prós e contras. Fui livre
na escolha? Se a resposta é
afirmativa, o ônus do resultado
deve recair sobre os meus ombros e
eu devo suportá-lo ou então
sofrerei as conseqüências.
Quem
escolheu gerir os bens púbicos,
manejando recursos da coletividade,
deve ser cuidadoso, diligente,
responsável, afinal os recursos vêm
da coletividade e pra ela devem
voltar. Na hora da escolha, todos
foram livres, sem coação ou
qualquer coisa que o valha, pelo
contrário, colocaram-se como aptos
a gerir os destinos de uma
coletividade.
O
peso agora recai sobre os ombros de
todos os secretários e dos que
estão diretamente ligados à
Administração Pública, além do
prefeito, é claro. Assumir a
condição de gestor da coisa pública
é tarefa das mais espinhosas, que
requer esmero e zelo.
Não
se pode, de maneira alguma, pairar
dúvidas sobre o bom encaminhamento
dos recursos públicos. Não se deve
deixar que se crie um ar de
desconfiança na atual gestão,
afinal o mote da campanha era
justamente a oposição aos desmandos
dos antecessores com as verbas
públicas.
Numa
época que a regra é a má conduta no
trato com a coisa pública, quem
consegue sair desse lugar-comum
ganha o status de benfeitor, de
responsável e serve de exemplo para
o país.
Seguir por outros caminhos não vale
a pena. Não acredito ser grande o
sacrifício de agir com lisura, com
retidão. Será que é difícil receber
os recursos, aplica-los e depois
mostrar por meio de documentos que
efetivamente foram aplicados?
Acredito que não. Nada mais
saudável do que acordar com a
consciência limpa. Nada mais
engrandecedor do que olhar uma obra
pública e perceber que ela está
servindo ao seu propósito. Nada
mais recompensador do que ver o
povo satisfeito com seus
dirigentes.
Confesso que quando tive em São
Raimundo, numa época dessas,
visitei, junto com o Prefeito, o
“Mercado de Frutas”. Cheguei a me
emocionar. Que obra formidável!!!
Por um momento, orgulhei-me da
escolha que havíamos feito.
Ali
eu senti que a dignidade que nos
foi roubada durante décadas havia
sido restituída. Senti que a
política, quando bem feita, é um
meio fantástico que propicia melhor
qualidade de vida para todos, sem
distinção de raça, credo e classe
social.
As
frutas, as verduras, todas bem
acondicionadas, vendidas ali
ajudavam a construir uma cadeia
produtiva capaz de gerar riqueza e
renda. Bem diferente de antes,
quando o local mais parecia uma
pocilga e todos se conformavam com
a podridão e o descaso.
Abrir mão dos princípios da
moralidade, da probidade e da
eficiência é o primeiro passo para
alimentar a desesperança e jogar
todos no fosso da mediocridade.
Honras, riquezas, bens materiais
são só formas de poder. Há os que
lutam por isso de maneira ignóbil,
sem se atentar que a vida é curta,
que os nossos descendentes se
orgulharão ou sofrerão as
conseqüências de nossos atos. Há,
no entanto, os que buscam isso de
maneira sóbria, plácida, sempre
atento às repercussões de suas
ações.
Confio plenamente na boa intenção
do atual prefeito. Posso assegurar
que ele pensa vinte e quatro horas
em São Raimundo Nonato. Raras vezes
nos encontramos, mas quando
acontece percebo o entusiasmo, a
vibração, a força e a determinação
de quem quer acertar e entregar uma
cidade melhor, bem melhor do que
nos foi entregue pelos últimos...
como é mesmo?... gestores.
Parece complicado, mas a receita
para bem contornar o atual momento
é simples. É preciso refletir. Não
adianta concentrar poderes,
retirando deste ou daquele
secretário o poder de decidir. É
preciso prudência, humildade e
inteligência.
A
cidade vive num clima de acusações
mútuas, troca de farpas,
principalmente dentro do próprio
grupo. Não se pode alimentar esse
clima. Ao contrário, é necessário
tomar medidas duras sem, no
entanto, agigantar mais ainda o
sentimento de animosidade que paira
sobre as cabeças dos
sãoraimundenses.
O
desafio é grande, mas perfeitamente
exeqüível. O importante é ter em
mente que é um momento histórico e
que não devemos, em nenhum momento,
abrir mão da transparência e da
responsabilidade no trato com a
coisa pública, ainda que se tenha
que fazer alguns sacrifícios.
Nós
escolhemos, via democrática, a
atual gestão. Foi quase uma
revolução, digna de ser
historicizada. Esperamos com
ansiedade que o peso de nossa
escolha seja leve e que não nos
curve a ponto de ofertar aos
aproveitadores, co-autores de
vários crimes cometidos contra a
nossa cidade, motivos para
destilarem suas falsas moralidades,
dignas das velhas prostitutas que,
agora, desfilam recatadas, cobertas
por um véu que tentam esconder o
seu passado pervertido.
Que
a história desse governo, por falta
de um grito, não fique refém da
memória dos que fazem da política o
leito para a prática de todas as
espécies de crimes capitulados na
Lei Penal.
Zeferino Junior - Servidor Público |