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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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 “vox populi” e democracia

z_junior@bol.com.br


         Fechamento dos meios de comunicação, perseguição política, ameaça a dissidentes, desrespeito à Constituição e as Leis, personalismo, populismo, afronta e intimidação aos poderes constituídos.

 

Não, não estou citando a situação da diminuta Honduras, palco dos novéis acontecimentos políticos na América Latina.

 

  As atrocidades acima ocorrem, diuturnamente, sob o olhar complacente e emudecido do Governo Brasileiro nos países de inspiração bolivariana - Venezuela, Bolívia, Equador etc. Nenhuma nota de repúdio, nenhuma moção de gravame. Pelo contrário, aplausos e a exortação de que, na Venezuela, por exemplo, há é “excesso de Democracia”.

 

Liderados pelo pantomímico venezuelano, “pai do Socialismo do século XXI”, os paises governados pelos seguidores da revolução bolivariana, utilizam-se dos meios democráticos para solapar o próprio regime que possibilita, por exemplo, que um metalúrgico (Lula), um agricultor (Evo), comande os destinos de uma nação.  

 

Não contentes com isso, os “neo-socialistas” preferem o caminho sinuoso do personalismo, da hipertrofia do executivo em detrimento do legislativo e do Judiciário. 

 

Numa lógica sinuosa e refratária ao fortalecimento das instituições, esses senhores, com o apoio de intelectuais e de uma esquerda raivosa, apostam num embuste que lhes dá legitimidade e afasta, de pronto, as críticas dos que entendem que a vontade popular manifestada em instrumentos constitucionais não é, por si só, o eixo fundamental de um regime democrático.

 

           A atual situação de Honduras serve de mote para entender esse novo momento político por que passa o mundo, mormente a nossa complicada América Latina.

 

O presidente daquele país foi deposto por tentar violar a Constituição Hondurenha, que vedava mandatos sucessivos. Depois da barreira levantada pelo Legislativo e Judiciário, o então presidente-inconformado não se contentou com o controle legítimo dos outros poderes instituídos.

 

 Ele não se conteve. Convocou as Forças Armadas e pediu que levasse adiante o seu intento.

 

Ahh! Mas o povo deveria ser consultado. O que há de mal nisso? O povo é o poder, logo cabe a ele direcionar os destinos da nação: “vox populi, vox Dei”.

           

Há quem diga com propriedade que é preciso proteger o povo dele mesmo. Se a elite é cruel, o povo é violento e interesseiro. Isso é uma verdade que incomoda, mas que é necessária ser dita.   

 

Entendo que, se é para pespegar a pecha de golpistas a governos e se imiscuir em assuntos internos dos outros países,  é preciso condenar governos que não respeitam a liberdade de imprensa, que executam dissidentes, que fraudam constituições com o fito de promover a participação popular, que financiam terroristas, que negam o holocausto, por exemplo, e que confessam até atentados contra aviões comerciais.

 

Nesse sentido é preciso vociferar em alto e bom tom: existem golpes com tanques e com urnas. O método é diferente, mas o resultado é o mesmo: regime de exceção pura  simples.

 

O  povo não é soberano para calcar aos pés a Constituição que ele próprio votou.

 

Fraudar constituições com seus próprios instrumentos virou uma realidade perigosa. No afã de robustecer a “vox populi” e empresta-la um caráter irrevogável estão dinamitando um regime que perde força diante de líderes e de intelectuais que não querem entender que as instituições são mais importantes que os homens que as dirigem.   

 

Zeferino Junior - Servidor Público

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