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Fechamento dos meios de
comunicação, perseguição política,
ameaça a dissidentes, desrespeito à
Constituição e as Leis,
personalismo, populismo, afronta e
intimidação aos poderes
constituídos.
Não,
não estou citando a situação da
diminuta Honduras, palco dos novéis
acontecimentos políticos na América
Latina.
As
atrocidades acima ocorrem,
diuturnamente, sob o olhar
complacente e emudecido do Governo
Brasileiro nos países de inspiração
bolivariana - Venezuela, Bolívia,
Equador etc. Nenhuma nota de
repúdio, nenhuma moção de gravame.
Pelo contrário, aplausos e a
exortação de que, na Venezuela, por
exemplo, há é “excesso de
Democracia”.
Liderados pelo pantomímico
venezuelano, “pai do Socialismo do
século XXI”, os paises governados
pelos seguidores da revolução
bolivariana, utilizam-se dos meios
democráticos para solapar o próprio
regime que possibilita, por
exemplo, que um metalúrgico (Lula),
um agricultor (Evo), comande os
destinos de uma nação.
Não
contentes com isso, os
“neo-socialistas” preferem o
caminho sinuoso do personalismo, da
hipertrofia do executivo em
detrimento do legislativo e do
Judiciário.
Numa
lógica sinuosa e refratária ao
fortalecimento das instituições,
esses senhores, com o apoio de
intelectuais e de uma esquerda
raivosa, apostam num embuste que
lhes dá legitimidade e afasta, de
pronto, as críticas dos que
entendem que a vontade popular
manifestada em instrumentos
constitucionais não é, por si só, o
eixo fundamental de um regime
democrático.
A atual situação de
Honduras serve de mote para
entender esse novo momento político
por que passa o mundo, mormente a
nossa complicada América Latina.
O
presidente daquele país foi deposto
por tentar violar a Constituição
Hondurenha, que vedava mandatos
sucessivos. Depois da barreira
levantada pelo Legislativo e
Judiciário, o então
presidente-inconformado não se
contentou com o controle legítimo
dos outros poderes instituídos.
Ele
não se conteve. Convocou as Forças
Armadas e pediu que levasse adiante
o seu intento.
Ahh!
Mas o povo deveria ser consultado.
O que há de mal nisso? O povo é o
poder, logo cabe a ele direcionar
os destinos da nação: “vox populi,
vox Dei”.
Há
quem diga com propriedade que é
preciso proteger o povo dele mesmo.
Se a elite é cruel, o povo é
violento e interesseiro. Isso é uma
verdade que incomoda, mas que é
necessária ser dita.
Entendo que, se é para pespegar a
pecha de golpistas a governos e se
imiscuir em assuntos internos dos
outros países, é preciso condenar
governos que não respeitam a
liberdade de imprensa, que executam
dissidentes, que fraudam
constituições com o fito de
promover a participação popular,
que financiam terroristas, que
negam o holocausto, por exemplo, e
que confessam até atentados contra
aviões comerciais.
Nesse sentido é preciso vociferar
em alto e bom tom: existem golpes
com tanques e com urnas. O método é
diferente, mas o resultado é o
mesmo: regime de exceção pura
simples.
O
povo não é soberano para calcar aos
pés a Constituição que ele próprio
votou.
Fraudar constituições com seus
próprios instrumentos virou uma
realidade perigosa. No afã de
robustecer a “vox populi” e
empresta-la um caráter irrevogável
estão dinamitando um regime que
perde força diante de líderes e de
intelectuais que não querem
entender que as instituições são
mais importantes que os homens que
as dirigem.
Zeferino Junior - Servidor Público |