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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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 O fim do Senado?

z_junior@bol.com.br


A extinção do Senado, depois de sua incursão sem fim num pântano de águas pútridas, é vocalizada por alguns setores da política e da sociedade.

 

 Para alguns, o bicamelarismo, no nosso caso, não tem razão de ser. O órgão que representa os Estados não faria falta, afinal é um peso nas costas do contribuinte e seus membros estão distantes de um ideário de representação legítima: um bando de reacionários sem pudores.

 

A lógica, engendrada no caso, parece não ser das melhores. Se é assim, teríamos que usar a solução, então, para os outros dois órgãos, quais sejam a Câmara e o Executivo.

 

Num plano teórico, parece ser a decisão mais equânime. Já  que a idéia parte do princípio de que o mal funcionamento e os sucessivos escândalos perpetrados pelos seus membros são condições sine qua non para a referida extinção, porque, então, ficariam de fora as outras instituições.

 

A Câmara Federal, notória pelas suas peripécias nada republicanas, seria uma candidata excelente para figurar como vítima das investidas dos “algozes-moralistas”. Os quinhentos e treze deputados teria suas “cabeças cortadas” pela lâmina dos verdugos de plantão.

 

O Executivo, produtor de falcatruas de toda ordem, fiador descomedido das falcatruas alheias, também teria sua cabeça afastada do corpo por uma machadada certeira. Assim, mensalões não medrariam mais nesse solo, que um dia foi tachado de extremamente fértil por Caminha em sua carta ao Rei:   “Nesta Terra em se plantando, tudo dá”, relatou o escriba ultramarinho.

 

E assim, um a um, teríamos a maior degola coletiva institucional da história. Sem Executivo e sem parlamento, o país, que nunca entrou nos eixos, sairia de vez dos trilhos.

 

É hora de invocar, ou já passou da hora, o pensador Tocqueville. O francês, que se incumbiu de estudar as instituições americanas, produziu “ A democracia na América”. Para o insigne estudioso, os males da liberdade se corrigem com mais liberdade. 

 

Nessa esteira, a lição se amolda perfeitamente. Os males da democracia – corrupção, atos imorais, improbidade, falsa representatividade – corrigem-se com mais democracia e não com menos.

 

Extinguir o Senado não nos torna menos corruptos, nem nos redime de nossa precariedade como nação. Para os nossos males, precisamos, sim, de duas coisas: aperfeiçoar a nossa legislação, aplicando penas rigorosas aos que malversam o dinheiro público e revitalizar o sentimento de indignação de cada um que anda perdido de há muito.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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