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A
extinção do Senado, depois de sua
incursão sem fim num pântano de
águas pútridas, é vocalizada por
alguns setores da política e da
sociedade.
Para alguns, o bicamelarismo, no
nosso caso, não tem razão de ser. O
órgão que representa os Estados não
faria falta, afinal é um peso nas
costas do contribuinte e seus
membros estão distantes de um
ideário de representação legítima:
um bando de reacionários sem
pudores.
A
lógica, engendrada no caso, parece
não ser das melhores. Se é assim,
teríamos que usar a solução, então,
para os outros dois órgãos, quais
sejam a Câmara e o Executivo.
Num
plano teórico, parece ser a decisão
mais equânime. Já que a idéia
parte do princípio de que o mal
funcionamento e os sucessivos
escândalos perpetrados pelos seus
membros são condições sine qua
non para a referida extinção,
porque, então, ficariam de fora as
outras instituições.
A
Câmara Federal, notória pelas suas
peripécias nada republicanas, seria
uma candidata excelente para
figurar como vítima das investidas
dos “algozes-moralistas”. Os
quinhentos e treze deputados teria
suas “cabeças cortadas” pela lâmina
dos verdugos de plantão.
O
Executivo, produtor de falcatruas
de toda ordem, fiador descomedido
das falcatruas alheias, também
teria sua cabeça afastada do corpo
por uma machadada certeira. Assim,
mensalões não medrariam mais nesse
solo, que um dia foi tachado de
extremamente fértil por Caminha em
sua carta ao Rei: “Nesta Terra em
se plantando, tudo dá”, relatou o
escriba ultramarinho.
E
assim, um a um, teríamos a maior
degola coletiva institucional da
história. Sem Executivo e sem
parlamento, o país, que nunca
entrou nos eixos, sairia de vez dos
trilhos.
É
hora de invocar, ou já passou da
hora, o pensador Tocqueville. O
francês, que se incumbiu de estudar
as instituições americanas,
produziu “ A democracia na
América”. Para o insigne estudioso,
os males da liberdade se corrigem
com mais liberdade.
Nessa esteira, a lição se amolda
perfeitamente. Os males da
democracia – corrupção, atos
imorais, improbidade, falsa
representatividade – corrigem-se
com mais democracia e não com
menos.
Extinguir o Senado não nos torna
menos corruptos, nem nos redime de
nossa precariedade como nação. Para
os nossos males, precisamos, sim,
de duas coisas: aperfeiçoar a nossa
legislação, aplicando penas
rigorosas aos que malversam o
dinheiro público e revitalizar o
sentimento de indignação de cada um
que anda perdido de há muito.
Zeferino Júnior – Servidor
Público |