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Eu
não posso escrever, sempre, sobre
temas locais. Ficaria enfadonho. É
bom rascunhar sobre assuntos
nacionais. Até porque são temas que
nos interessam sobremaneira e nos
ofertam um leque maior para
digressões.
O
texto da semana passada rendeu. Os
ânimos políticos se acirraram. É
normal. Pelo menos a discussão não
descambou para agressões gratuitas.
É sinal de que a civilidade
preponderou sobre a barbárie. Uma
evolução!!
Por
isso, o tema merece mais algumas
pinceladas, afinal o (e) leitorado
comportou-se bem. Adiante.
Alguns fatos e argumentos foram
colocados no texto anterior para
bem explicitar o que está
acontecendo em São Raimundo. Da
forma como são colocadas as coisas,
por alguns oposicionistas, dá
impressão que não há uma única ação
do governo local e que tudo foi
feito pelo Estado por conta do
Congresso Internacional.
É
preciso ter uma visão mais
sistemática e entender o novo
momento político de nossa cidade.
Há uma lógica que deve ser
compreendida. E, por
desconhecimento ou má vontade,
deturpam-se fatos e tentam nos
incutir a idéia de que nada mudou
ou até mesmo piorou.
Não
é bem assim. Houve um bom
investimento do governo local na
cidade. Todavia, devido o ápice da
crise econômica mundial, os valores
que seriam investidos em São
Raimundo decresceram
vertiginosamente, não
representando, desta feita, o que o
Governo Estadual havia prometido no
início.
O
que é mais importante, na verdade,
é entender que o atual prefeito faz
parte de um encadeamento de fatos
que estão diretamente ligados aos
novos investimentos na nossa
cidade. Sem a vitória dele, pouco
se teria avançado. Explico, pegando
emprestada uma lição muito estudada
em Direito Penal.
Quando estudamos o delito e suas
características, há uma teoria
chamada “Teoria da Equivalência de
Antecedentes”. Em apertada síntese,
pode ser resumida assim:
Tudo
que concorre para o delito é causa.
Causa, então, é o acontecimento
que, retirado da linha de
desdobramento, o delito deixa de
ocorrer. No encadeamento de atos do
crime – a fabricação da arma, a
aquisição dela, o tiro disparado
etc –, caso se retire dessa série
qualquer um desses acontecimentos o
crime não é levado a efeito.
Para
entender isso, no que toca ao
estudo do crime, faz-se necessárias
outras considerações. Mas, essa
primeira informação, já serve de
mote para que possamos construir o
raciocínio.
A
vitória do atual gestor está no
desenrolar lógico dos investimentos
direcionados para a cidade. Nessa
lógica: eleição, maioria de votos,
vitória dele, investimentos na
cidade. Tire, por exemplo, a
eleição dele e não teríamos o
esforço empreendido pelo governo
para os investimentos.
Um
fato para entender a lógica. Quando
saiu a decisão do TSE, homologando
a vitória do Padre, o Governador,
que estava em Paris, em êxtase,
ligou imediatamente para o
vitorioso e disparou: “vamos
transformar São Raimundo. Eu tenho
um projeto para o Estado e esse
projeto passa por São Raimundo. E o
senhor é um instrumento disso. Com
sua boa vontade podemos criar novas
condições para a cidade.”.
Verifica-se, então, que a vitória
foi importantíssima. Sem ela, não
haveria disposição desmedida do
governo estadual em investir
maciçamente na cidade. Por
conseqüência, o estreitamento de
relações com o governo federal
ganhou corpo. Ou seja, a promessa
de campanha, que afirmava que o
alinhamento dos governos federal,
estadual e municipal era necessário
para um governo progressista,
consolidou-se e virou realidade.
Saindo um pouco da questão
administrativa, há um debate que
povoa o imaginário popular e é
sempre trazido à baila por todos.
Muitos acreditam que a volta dos
antigos gestores são favas
contadas. Alegam, entre outras
coisas, que a vitória obtida pelo
atual foi apertada e que os pouco
mais de 300 votos de diferença já
se diluíram, em face da pouca
habilidade política do atual
governo e da força popular e
econômica dos antigos gestores.
Eu
discordo.
A um
amigo de longa data, que aposta
nisso, embora não queira,
apresentei meus argumentos. Disse a
ele que achava uma atitude
imediatista pensar que se pode
extrair uma conclusão dessas com
oito meses de governo.
Uma
olhada mais acurada a alguns fatos
serve para abalizar uma análise,
embora, repito, qualquer previsão
política, agora, é um exercício de
futurologia, digno de cartomante.
Vejam bem.
O
Padre venceu em praticamente todas
as urnas da cidade. Isso demonstra
que a cidade disse um não
escancarado para os antigos
gestores. Depois de muito
maltratados, os moradores da cidade
recusaram a continuidade do modelo
político até então reinante.
O
interior, como é de praxe,
manteve-se equilibrado, com uma
ligeira vitória dos antigos
mandatários. Vitória essa
“soterrada” pelos votos da cidade.
Historicamente, o interior divide
bem os votos e acredito que será
assim por um bom tempo.
A
lógica, pelo andar da carruagem, é
que se entregue, em 2012, uma
cidade bem melhor ou, melhor
dizendo, uma cidade com, pelo
menos, um aspecto edificado, bem
distante dos escombros deixados no
passado.
Com
o Aeroporto funcionando, gerando
divisas e empregos, com o IFET
(antigo CEFET) a todo vapor,
atraindo estudantes de toda região
e até mesmo de fora dos limites da
região, a cidade viverá um momento
de prosperidade bem interessante.
Isso afasta, podem acreditar, mais
ainda, a pretensão do velho esquema
do Poder.
Há
também um fato que influenciará
sobremaneira. O resultado da
eleição estadual ajudará a dar
contornos mais nítidos ao nosso
futuro político. Alguns acreditam
que o “nosso” único parlamentar não
vença as eleições. Eu não acredito.
Embora ele tenha perdido colégios
eleitorais importantes, acho que
continuará no parlamento piauiense
por mais um mandato, pelo menos.
Quanto à eleição majoritária, não
consigo vislumbrar uma vitória que
não seja a da base governista.
Imaginem, num mesmo palanque, Hugo,
Heráclito, Freitas e demais
integrantes do tenebroso “Vida
Nova”, compondo a candidatura de um
pretenso candidato ao Karnak. Posso
estar enganado, mas o povo do Piauí
já disse um NÃO bem grande para
eles e não os reconduzirá para o
governo.
Com
esses elementos, é possível traçar
um panorama das eleições que virão.
Esse conjunto de fatores é que vai
decidir se a atual gestão terá uma
sobrevida de mais quatro anos ou
ficará num único mandato. As
conclusões, sacadas do bolso sem
analisar esses fatores, acabam por
deslegitimar qualquer previsão.
A
tarefa dos, hoje, oposicionistas, é
das mais difíceis. Mas, na
política, o improvável sempre nos
espreita com olhos esbugalhados. Eu
prefiro contar com as
probabilidades, pelo menos estas
nos ofertam um caminho mais seguro,
um pouquinho mais distante do
imponderável.
Zeferino Júnior – Servidor
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