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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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 Política local e teorias

z_junior@bol.com.br


Eu não posso escrever, sempre, sobre temas locais. Ficaria enfadonho. É bom rascunhar sobre assuntos nacionais. Até porque são temas que nos interessam sobremaneira e nos ofertam um leque maior para digressões.

 

O texto da semana passada rendeu. Os ânimos políticos se acirraram. É normal. Pelo menos a discussão não descambou para agressões gratuitas. É sinal de que a civilidade preponderou sobre a barbárie. Uma evolução!!

 

Por isso, o tema merece mais algumas pinceladas, afinal o (e) leitorado comportou-se bem. Adiante. 

 

Alguns fatos e argumentos foram colocados no texto anterior para bem explicitar o que está acontecendo em São Raimundo. Da forma como são colocadas as coisas, por alguns oposicionistas, dá impressão que não há uma única ação do governo local e que tudo foi feito pelo Estado por conta do Congresso Internacional.

 

É preciso ter uma visão mais sistemática e entender o novo momento político de nossa cidade. Há uma lógica que deve ser compreendida. E, por desconhecimento ou má vontade, deturpam-se fatos e tentam nos incutir a idéia de que nada mudou ou até mesmo piorou.

 

Não é bem assim. Houve um bom investimento do governo local na cidade. Todavia, devido o ápice da crise econômica mundial, os valores que seriam investidos em São Raimundo decresceram vertiginosamente, não representando, desta feita, o que o Governo Estadual havia prometido no início.

 

O que é mais importante, na verdade, é entender que o atual prefeito faz parte de um encadeamento de fatos que estão diretamente ligados aos novos investimentos na nossa cidade. Sem a vitória dele, pouco se teria avançado. Explico, pegando emprestada uma lição muito estudada em Direito Penal.

 

Quando estudamos o delito e suas características, há uma teoria chamada “Teoria da Equivalência de Antecedentes”. Em apertada síntese, pode ser resumida assim:

 

Tudo que concorre para o delito é causa. Causa, então, é o acontecimento que, retirado da linha de desdobramento, o delito deixa de ocorrer. No encadeamento de atos do crime – a fabricação da arma, a aquisição dela, o tiro disparado etc –, caso se retire dessa série qualquer um desses acontecimentos o crime não é levado a efeito.

 

Para entender isso, no que toca ao estudo do crime, faz-se necessárias outras considerações. Mas, essa primeira informação, já serve de mote para que possamos construir o raciocínio.

 

A vitória do atual gestor está no desenrolar lógico dos investimentos direcionados para a cidade. Nessa lógica: eleição, maioria de votos, vitória dele, investimentos na cidade. Tire, por exemplo, a eleição dele e não teríamos o esforço empreendido pelo governo para os investimentos.

 

Um fato para entender a lógica. Quando saiu a decisão do TSE, homologando a vitória do Padre, o Governador, que estava em Paris, em êxtase, ligou imediatamente para o vitorioso e disparou: “vamos transformar São Raimundo. Eu tenho um projeto para o Estado e esse projeto passa por São Raimundo. E o senhor é um instrumento disso. Com sua boa vontade podemos criar novas condições para a cidade.”.

 

Verifica-se, então, que a vitória foi importantíssima. Sem ela, não haveria disposição desmedida do governo estadual em investir maciçamente na cidade. Por conseqüência, o estreitamento de relações com o governo federal ganhou corpo. Ou seja, a promessa de campanha, que afirmava que o alinhamento dos governos federal, estadual e municipal era necessário para um governo progressista, consolidou-se e virou realidade.

 

Saindo um pouco da questão administrativa, há um debate que povoa o imaginário popular e é sempre trazido à baila por todos. Muitos acreditam que a volta dos antigos gestores são favas contadas. Alegam, entre outras coisas, que a vitória obtida pelo atual foi apertada e que os pouco mais de 300 votos de diferença já se diluíram, em face da pouca habilidade política do atual governo e da força popular e econômica dos antigos gestores.

 

Eu discordo.

 

A um amigo de longa data, que aposta nisso, embora não queira, apresentei meus argumentos. Disse a ele que achava uma atitude imediatista pensar que se pode extrair uma conclusão dessas com oito meses de governo.  

 

Uma olhada mais acurada a alguns fatos serve para abalizar uma análise, embora, repito, qualquer previsão política, agora, é um exercício de futurologia, digno de cartomante.

 

Vejam bem.

 

O Padre venceu em praticamente todas as urnas da cidade. Isso demonstra que a cidade disse um não escancarado para os antigos gestores. Depois de muito maltratados, os moradores da cidade recusaram a continuidade do modelo político até então reinante.

 

  O interior, como é de praxe, manteve-se equilibrado, com uma ligeira vitória dos antigos mandatários. Vitória essa “soterrada” pelos votos da cidade. Historicamente, o interior divide bem os votos e acredito que será assim por um bom tempo.

 

A lógica, pelo andar da carruagem, é que se entregue, em 2012, uma cidade bem melhor ou, melhor dizendo, uma cidade com, pelo menos, um aspecto edificado, bem distante dos escombros deixados no passado.

 

Com o Aeroporto funcionando, gerando divisas e empregos, com o IFET (antigo CEFET) a todo vapor, atraindo estudantes de toda região e até mesmo de fora dos limites da região, a cidade viverá um momento de prosperidade bem interessante. Isso afasta, podem acreditar, mais ainda, a pretensão do velho esquema do Poder.

 

Há também um fato que influenciará sobremaneira. O resultado da eleição estadual ajudará a dar contornos mais nítidos ao nosso futuro político. Alguns acreditam que o “nosso” único parlamentar não vença as eleições. Eu não acredito. Embora ele tenha perdido colégios eleitorais importantes, acho que continuará no parlamento piauiense por mais um mandato, pelo menos.

 

Quanto à eleição majoritária, não consigo vislumbrar uma vitória que não seja a da base governista. Imaginem, num mesmo palanque, Hugo, Heráclito, Freitas e demais integrantes do tenebroso “Vida Nova”, compondo a candidatura de um pretenso candidato ao Karnak. Posso estar enganado, mas o povo do Piauí já disse um NÃO bem grande para eles e não os reconduzirá para o governo.

 

Com esses elementos, é possível traçar um panorama das eleições que virão. Esse conjunto de fatores é que vai decidir se a atual gestão terá uma sobrevida de mais quatro anos ou ficará num único mandato. As conclusões, sacadas do bolso sem analisar esses fatores, acabam por deslegitimar qualquer previsão.

 

A tarefa dos, hoje, oposicionistas, é das mais difíceis. Mas, na política, o improvável sempre nos espreita com olhos esbugalhados. Eu prefiro contar com as probabilidades, pelo menos estas nos ofertam um caminho mais seguro, um pouquinho mais distante do imponderável.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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