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Diógenes e sua “lanterna” |
Uma “Lanterna de Diógenes” seria
uma ótima ferramenta para esses
dias de crise política. Certamente
não encontraríamos um homem público
que merecesse o facho de luz
iluminador (perdão pelo truísmo) em
sua direção.
As
luzes, que são outras, na semana
passada, foram projetadas nas faces
de dois políticos que representam
bem uma época, um momento. Os
rostos dos políticos da
“mitológica” Alagoas, carregados
pelo arrivismo de um país viciado
em seus próprios vícios,
convulcionaram-se, sem acanhamento,
numa tentativa canhestra de
defender um companheiro oriundo de
um Estado idílico chamado Maranhão.
Renan, Collor e Sarney representam
a história de um país que não quer
passar. Uma história que insiste em
assombrar as novas gerações, após
assombrarem as antigas.
O
trio empresta ao país um toque
feudal. Fazem parte de uma época,
de um momento que carrega na sua
garupa a força de um coronelismo
típico da República Velha. Ah, mas
eles usam gravatas, tomam bons
vinhos, fingem-se de democratas
empedernidos. Diferente dos antigos
coronéis, os novéis políticos são
letrados e delicados: não usam
chicote nem gibão.
As
diferenças de indumentárias não são
capazes, por si só, de afastarem os
recalques e as estranhezas que
emanam desses senhores. Vícios são
vícios, independemente de como eles
se entremostram: as vestes e o
requinte não têm o condão de
transmudar a natureza das coisas.
Quando Collor foi impedido de
continuar com o seu governo
desastrado, para ser benevolente, o
país se encheu de orgulho.
Havíamos perpetrado um duro golpe
na forma corrupta de fazer
política. Via democrática depusemos
um presidente e arrastamos para o
lixo as fuligens de um país que não
podia aceitar a corrupção como
método. A juventude, de cara
pintada, vibrou. A esquerda,
capitaneada pelo Partido de
Trabalhadores, estufou o peito e se
auto-intitulou detentora da moral e
dos bons costumes.
Pois
é!! As coisas mudaram. O que
parecia o fim de uma era, na
verdade, foi só um hiato. O país,
durante todo esse tempo caminhou, a
duras penas, pelos trilhos da
democracia, sempre envolto em
escândalos políticos.
“Elle” voltou e ajudou,
recentemente, a protagonizar mais
um espetáculo circense no picadeiro
do Senado. Ao seu lado, o velho
Renan, antigo traidor e agora
aliado. Em sua volta, o beneplácito
do Partido dos Trabalhadores,
referendado pelo seu líder maior, o
qual, segundo “Elle”, não sabia a
diferença entre uma duplicata e uma
promissória.
Sinal de um tempo. Ou final dos
tempos. Não tem importância. O que
importa, realmente, é a
governabilidade, desculpa
esfarrapada e impostora de um
Partido que um dia nos ensinou que
os coronéis e a elite burguesa
comiam criancinhas.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |