.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

 

   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
Últimas Matérias
Uhh Tererê!!!!
Golpes e contragolpes
Política piauiense: o porvir
Jackson
O congresso, o futuro e o sonho.

O rosto que devora

z_junior@bol.com.br


         Um corpo esquálido, “bronzeado” pelos intrépidos raios do sol de nossa capital, vestido numa calça rota, vagava, até um dia desses, pelas avenidas da cidade.

 

O seu sorriso amalucado, que tomava sua face sulcada pela fome, já não faz parte de uma paisagem à qual me acostumei nos últimos dias.

 

Descalço e desvalido, o ser que “sujava”  a paisagem da planejada capital foi recolhido. Confinado em algum manicômio ou porão, o homem sem nome, sem teto, sem camisa, deve estar a errar pelos corredores de algum “hospital” ou “casa de loucos”.

 

Lembrei, de imediato, de “O bicho” de Manuel Bandeira. A diferença é que ele nunca comia e não habitava os monturos que serviam de banquetes para o “farto” e nefasto ritual de alimentação pútrida, promovido pelo “bicho-homem” de Bandeira.

 

Parecia imune à fome e à sede. Nem mesmo a quentura do chão era capaz de afastar os seus pés rachados do asfalto em chamas.

 

Ele ria sempre. Aquele misto de riso e melancolia parecia invadir-me como um punhal afiado. Mais afiada, ainda, e ferina era a indiferença dos que passavam sempre por ele. Como se já fizesse parte da paisagem, o esmolento já não assustava mais: incorporou-se em definitivo ao caos urbano.

 

Os vidros levantados dos carros já não era mais para se proteger “dele”. Não oferecia mais riscos. Era só um incômodo que atrapalhava o olhar de quem fitava outras paisagens.

 

Não senti falta dele, é verdade. Senti um certo alívio por não vê-lo mais na contramão, atrapalhando o trânsito e incomodando meu universo.  As flores recém plantada na Frei Serafim já podem ser vistas na sua inteireza.

 

Aquele rosto aflito, assemelhado à imagem pintada em “O Grito”, famoso quadro expressionista do norueguês Edward Munch, que, como ninguém, materializou a angústia e o desespero existencial do ser humano, me assalta, vez em quando.

 

Em “flashs”, vez por outra, aquele rosto me devora. Para mim, a qualquer momento, do nada, aquela efígie voltará a fazer parte das avenidas asfálticas de Teresina.

 

Vivo sobressaltado. A minha pequenez e minha indiferença vão sofrer um duro golpe se “ele” voltar.  O meu mundinho pequeno, medíocre, vive com medo de ser “seqüestrado” por aquele rosto que foi recolhido e que agora deve estar  a sorrir  e a “assombrar” os que estão ao seu redor.

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Zeferino Junior