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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
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Uhh tererê!!!!

z_junior@bol.com.br


            O grupo político que foi apeado do poder em São Raimundo Nonato, na última eleição, voltou a mostra a cara, numa festa regada a bebidas e axé. Segundo relatos,  doze aeronaves pousaram no aeroporto inacabado da cidade,  todas recheadas de medalhões políticos.

 

            A festa seguiu seu ritual. De Tererê a Sílvio Mendes, todos se refestelaram nessa algazarra digna de Baco. Uma tentativa de demonstrar força e poder e dizer em alto e bom som: “estamos vivos, na espreita. Se vacilarem, voltaremos e, agora, para ficar para sempre”.

 

            Não me interesso por “eles”  enquanto indivíduos – que sejam felizes.  Assim como não desperto nenhum interesse para eles. Desde sempre, caminhamos por caminhos diferentes na política. Eu, um simples cidadão, metido a colunista, faço política só na teoria e entendo que o poder não é um fim em si mesmo. Ao revés, é um meio transformador, apto a criar melhores condições de vida para a coletividade.

 

“Eles”, diferentemente, nutrem o desejo do poder eterno, vivem numa busca frenética e se regozijam quando, no poder, podem gozar dos benefícios que o exercício dos cargos públicos oferece.

 

São duas visões diferente de mundo, inconciliáveis, decerto, e entram em choque porque são exercidas sobre um mesmo espaço, um mesmo ambiente, que é a cidade de São Raimundo.

 

            Só os combato na seara política e com um punhado de letras. São só palavras que, na maioria das vezes, perdem-se pelos desvãos do tempo e do espaço. Preservo-os quando pessoas despojadas do poder político. Quando se travestem de homens públicos, aí sim interfere na minha esfera de interesse, afinal modifica a vida da coletividade e, pela posição que assumi, sou forçado a “enfrentá-los”, dentro, claro, das regras de civilidade.

 

            Depois que eles saíram do poder político local, percebam, eu nunca mais havia tocado no assunto. A irrelevância nos  atinge e, no nosso caso, é uma via de mão dupla: somos irrelevantes reciprocamente.

 

            Mas, antes que eu perca o foco, voltemos, pois, à festa promovida pelo deputado.

 

            Dizem que foi de arromba.  Na política, o poder impressiona e desperta cobiça. Para os mais desafortunados, leia-se, o povão, aquilo representa a força do paternalismo, uma mão protetora que pode estar à disposição para um momento de carência. Simbolicamente, isso tem um peso imenso. Os “sem-posse” sentem-se seguros. Podem “dormir” tranqüilos, pois “eles” estarão lá com uma estrutura gigantesca para “ajudá-los”. 

 

Para os ditos afortunados, o brilho dos olhos diante da farra tem a mesma intensidade. É o único momento que os “sem” se aproximam dos “com”, afinal eles se alimentam da mesma fonte e sobrevivem dela.

 

 O evento nababesco, patrocinado pelo parlamentar sãoraimundense, serviu para, entre outras coisas, rufar os tambores da política local. Uma tentativa, à moda deles, de dizer que estão na área, prontos para voltar, caso deixem espaço.

 

É a velha política interiorana palpitando. São os velhos caciques se movimentando, ensaiando os primeiros passos para o próximo pleito eleitoral que se avizinha. No embalo do trio elétrico voa-voa, de Juazeiro, fui capaz de ouvir daqui da capital, acreditem, Heráclito, Sílvio Mendes, Marcelo Castro etc e o .....Tererê gritando, todos abraçadinhos, ao som dos hits de Ivete, vociferando “ uhhh tererê, uhhh tererê...

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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