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O grupo político que foi apeado do
poder em São Raimundo Nonato, na
última eleição, voltou a mostra a
cara, numa festa regada a bebidas e
axé. Segundo relatos, doze
aeronaves pousaram no aeroporto
inacabado da cidade, todas
recheadas de medalhões políticos.
A festa seguiu seu
ritual. De Tererê a Sílvio Mendes,
todos se refestelaram nessa
algazarra digna de Baco. Uma
tentativa de demonstrar força e
poder e dizer em alto e bom som:
“estamos vivos, na espreita. Se
vacilarem, voltaremos e, agora,
para ficar para sempre”.
Não me interesso por
“eles” enquanto indivíduos – que
sejam felizes. Assim como não
desperto nenhum interesse para
eles. Desde sempre, caminhamos por
caminhos diferentes na política.
Eu, um simples cidadão, metido a
colunista, faço política só na
teoria e entendo que o poder não é
um fim em si mesmo. Ao revés, é um
meio transformador, apto a criar
melhores condições de vida para a
coletividade.
“Eles”, diferentemente, nutrem o
desejo do poder eterno, vivem numa
busca frenética e se regozijam
quando, no poder, podem gozar dos
benefícios que o exercício dos
cargos públicos oferece.
São
duas visões diferente de mundo,
inconciliáveis, decerto, e entram
em choque porque são exercidas
sobre um mesmo espaço, um mesmo
ambiente, que é a cidade de São
Raimundo.
Só os combato na seara
política e com um punhado de
letras. São só palavras que, na
maioria das vezes, perdem-se pelos
desvãos do tempo e do espaço.
Preservo-os quando pessoas
despojadas do poder político.
Quando se travestem de homens
públicos, aí sim interfere na minha
esfera de interesse, afinal
modifica a vida da coletividade e,
pela posição que assumi, sou
forçado a “enfrentá-los”, dentro,
claro, das regras de civilidade.
Depois que eles saíram
do poder político local, percebam,
eu nunca mais havia tocado no
assunto. A irrelevância nos atinge
e, no nosso caso, é uma via de mão
dupla: somos irrelevantes
reciprocamente.
Mas, antes que eu perca
o foco, voltemos, pois, à festa
promovida pelo deputado.
Dizem que foi de
arromba. Na política, o poder
impressiona e desperta cobiça. Para
os mais desafortunados, leia-se, o
povão, aquilo representa a força do
paternalismo, uma mão protetora que
pode estar à disposição para um
momento de carência.
Simbolicamente, isso tem um peso
imenso. Os “sem-posse” sentem-se
seguros. Podem “dormir” tranqüilos,
pois “eles” estarão lá com uma
estrutura gigantesca para
“ajudá-los”.
Para
os ditos afortunados, o brilho dos
olhos diante da farra tem a mesma
intensidade. É o único momento que
os “sem” se aproximam dos “com”,
afinal eles se alimentam da mesma
fonte e sobrevivem dela.
O
evento nababesco, patrocinado pelo
parlamentar sãoraimundense, serviu
para, entre outras coisas, rufar os
tambores da política local. Uma
tentativa, à moda deles, de dizer
que estão na área, prontos para
voltar, caso deixem espaço.
É a
velha política interiorana
palpitando. São os velhos caciques
se movimentando, ensaiando os
primeiros passos para o próximo
pleito eleitoral que se avizinha.
No embalo do trio elétrico voa-voa,
de Juazeiro, fui capaz de ouvir
daqui da capital, acreditem,
Heráclito, Sílvio Mendes, Marcelo
Castro etc e o .....Tererê
gritando, todos abraçadinhos, ao
som dos hits de Ivete, vociferando
“ uhhh tererê, uhhh tererê...
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |