.:":.Portal Sanraimundense.:":. - Entretenimento e Informação.

 

.

 

   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

Caros leitores-internautas, "ocuparei" este espaço pra falar e "provocar" vocês sobre política, cultura e direito.

 

 
Últimas Matérias
Política piauiense: o porvir
Jackson
O congresso, o futuro e o sonho.
Lula, Sarney e nós, os "dalits"
Enriquecendo o debate

  Golpes e contragolpes

z_junior@bol.com.br


          Já está no sangue. A velha América Latina parece respirar golpes. Via militar ou via civil quase tudo termina em golpes nesse pedaço de mundo. As repúblicas, por aqui, continuam a fazer bananadas dos princípios que servem para fortalecer instituições.

 

Agora é em Honduras. Depois da tentativa de tentar fraudar a Constituição Hondurenha, via popular, o então presidente Zelaya foi arrancado de sua alcova e, de pijamas, enviado para fora do país.

 

Depois que os bolivarianos, liderados por Chàvez, resolveram impor uma nova ética, fincada na idéia de que tudo pode ser consultado, via popular, ainda que não haja previsão constitucional, para perpetrar mudanças oportunistas, o continente latino voltou a sofrer.

 

É a forma que eles acharam para, usando meios democráticos, fraudar a própria democracia. Ou seja, uma maneira sórdida de, obliquamente, atingir o que é vedado via direta.

 

Para os mais afoitos pode parecer uma contradição. Se o poder emana do povo porque não ele, o povo, decidir a vida do país com suas manifestações?!

 

Um pouco mais de cautela e respeito às instituições pré-formatadas é uma condição básica para a estabilidade de qualquer nação. A não compreensão dessa idéia pode levar, inevitavelmente, a uma balbúrdia, capaz de, per si, solapar o Estado Democrático de Direito.

 

É preferível, às vezes, “sofrer” com as regras talhadas na Lei Maior do que submetê-las ao sabor das “preferências” populares. Aqui cabe, didaticamente, um exemplo.

 

A nossa Constituição proíbe, por exemplo, a pena de morte, exceto em tempo de guerra. Caberia, então, colocar a questão, via soberania popular, para ser apreciada e, porventura, alterada para que a pena de morte passasse a ser aplicada em caso de crime hediondo, por exemplo? E assim poderíamos estabelecer várias questões.  

 

Voltando ao caso hondurenho, fica evidentemente claro, embora grande parte da mídia não reconheça, que houve, na verdade, um contragolpe, na sua acepção mais fiel. O presidente deposto queria fraldar a Lei Maior do País, mas o seu projeto de alterar o texto constitucional foi barrado pelo Judiciário e pelo Legislativo, e, mesmo assim, o candidato a ditador não se conformou.

 

Seguindo as regras pré-estabelecidas na Constituição hondurenha, o desrespeito à regra constitucional pelo presidente leva à deposição e à prisão. É o que se estabelece lá. Aqui, haveria um processo de impedimento do presidente, com todas as garantias processuais.

 

Infelizmente, os outros poderes da república preferiram expulsar o presidente e desterrá-lo, ferindo, assim, a lei. Incorrendo, desta feita,  numa ilegalidade patente.

 

Na verdade, segundo as leis da nação, o lugar do presidente hondurenho era no xadrez e não em outro país, arregimentando o apoio da comunidade internacional para sua volta.

 

O golpismo na América Latina continua sendo uma prática reiterada. De forma reflexa ou direta, o continente continua a sangrar nas mãos de golpistas, ora de pijama, ora de farda, ora de toga. 

 

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

  Página Inicial | Comente esta matéria | Imprimir | Painel de Notícias | Topo

Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Zeferino Junior