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Em regra, destilamos nossa fúria
contra os políticos. São raras as
nossas manifestações em favor de um
ou de outro. Poucos merecem, de
fato, as nossas saudações honrosas.
A cada ato mal feito
nos armamos e, pimba!! Tachamos de
desonestos, inoperantes, sem falar
nos termos impublicáveis que
costumamos alcunhá-los. Eles dão
motivos? Dão, e como dão. As
travessuras da nossa classe
política são diuturnas, fornecendo,
desta feita, munição para os
“atiradores de plantão”.
Uma coisa aprendida e
apreendida com o decorrer dos anos,
pelo menos no nosso país, é que, em
regra, política rima com decepção.
As ilusões são despedaçadas num
átimo pelos que assumem a condição
de representantes do povo.
A impressão que dá é
que não é prudente acreditar que,
por meio de eleições, possamos
mudar o quadro e vislumbrar grandes
transformações. Os nós da política
abarcam todos os grupos, todas as
bandeiras, todas as facções.
Uma olhadela no nosso
processo histórico de alternância
de poder revela, mais ou menos, uma
seqüência de erros e acertos dos
que já passaram pelo crivo do voto
popular.
Desconhecedor como sou
dos idos da história política
local, prendo-me a períodos
recentes, que, de certa forma,
aclaram e fornecem substratos para
algumas conclusões, ainda que
precipitadas e desprovidas de
precisão.
O período de transição
“inaugurado” pelo Senador Mão
Santa, artífice da derrocada de um
modelo tacanho de fazer política,
abriu as “portas da percepção” para
uma, digamos, “nova era”.
Ressalte-se que as práticas do
“artífice” acabaram por se
assemelhar às do velho sistema,
jogando por terra algumas
conquistas importantes.
Ao assumir, o atual
governador avançou bem mais,
apresentando um modelo diferente de
governar: distanciou-se de algumas
práticas que gravitavam na órbita
dos governos anteriores, e, de
forma interessante, vem tocando o
seu governo, que caminha para o
término com uma surpreendente
aceitação. Merece aplausos, embora
tenha ressuscitado e revigorado
figuras política até então
rejeitadas pela população.
A grande expectativa é
o novo momento político que se
avizinha. Caminhará ele na
crescente dos últimos dezesseis
anos? Poderemos avançar mais e
mais? Teremos condições de
vislumbrar um cenário onde o novo
timoneiro seja tão eficiente ou
mais do que o atual?
Perguntas que devem
fustigar os piauienses no porvir. É
possível um retrocesso? É, e como
é? Há uma ordem a ser quebrada?
Acho que não. Sem grandes
“revoluções”, acredito eu que o
“rito de passagem” seja mais
tranqüilo, embora o novo governante
tenha o desafio de substituir à
altura um dos maiores políticos do
nosso tempo. Missão difícil para os
que se apresentam, até agora, como
legítimos sucessores.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |