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Lá vêm eles, de novo.
Avassaladoramente, como os Hunos,
os caciques políticos apresentam
uma “proposta” de reforma política
para “inglês ver”.
A
idéia é mudar tudo para deixar tudo
como está. Entenderam?! Lista
fechada, financiamento público de
campanha, tudo balela. Falta do que
fazer.
O
que muda? Votar em lista fechada ou
aberta, coexistência de dinheiro
público e privado nas milionárias
campanhas eleitorais são só
detalhes de um sistema político que
fecunda bizarrices e serve de
picadeiro para o desfile dos
malabaristas do dinheiro público.
Atentai-vos. Como
costuma dizer o nosso folclórico “Senador-dos-mil-discursos”.
“O Cícero” do Parlamento
tupiniquim. Percebam que hoje quem
domina a política nacional são os
que já a dominavam há meio século.
Parece que eternizaram o presente.
Impressionante!
Se alguém entrasse em
coma profundo por cinqüenta anos e
voltasse à tona conheceria a
maioria dos parlamentares que hoje
atuam. Caso não os conhecesse,
identificaria traços genéticos
assemelhados em outros, parentes
dos que não estão mais. Se, ainda
assim, não conseguisse recobrar,
era só buscar nos sobrenomes o elo
de fidalguia.
Ah! Mas hoje somos
governados por um operário que
rompeu os grilhões e se alçou à
condição de gestor maior,
arrebentando com uma tradição
patrimonialista, fincada pelos
conquistadores ibéricos. Coisa
nenhuma.
Os que representariam a
ruptura se aliançaram com os mesmos
que, um dia, nos tornaram herdeiros
do que há de mais ignóbil na
política. Ou ninguém percebeu que
alguns dos “cadáveres” políticos –
Collor, Renan, Jader etc., - foram
ressuscitados pelo partido do
operário que hoje nos governa?
Os mais apressados
podem afirmar com propriedade: é a
governabilidade, seu tonto!. Sem
ela, não seria possível implantar o
projeto de “invenção do Brasil”
perpetrado pelo “Operário do Povo”.
Ahh, bom!. Vou ver se
entendi. Não é possível fazer
política nesse país sem que se
recorra aos descendentes dos
fundadores de nossa colônia
ultramarinha. É a nossa amarra, o
nosso pesar, a nossa condenação.
Sem os que “fundaram” não é
possível “refundar” ou afundar, sei
lá!!
Bom, se é assim, a
forma como escolhemos os que nos
representam não importa. Lista
aberta ou fechada, dinheiro público
ou privado ou os dois, recursos não
contabilizados, enfim, para que
discutir frivolidades se os que nos
governam hoje são os de ontem e
serão os de amanhã?!
Lista fechada ou
aberta, o problema está em quem
figura nelas. Não adianta: a forma
de escolha não altera o resultado.
Não adianta qualificar os meios se
os fins são os mesmos.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |