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Andei um pouco distante da política
local. Não deixei, no entanto, de
observá-la com lupa. Meus leitores,
se é que os tenho, devem ter
percebido que ando tratando de
temas mais, digamos, universais.
De
porcos, capitalismo e farra dos
congressistas com passagens aéreas,
tudo foi pincelado com a pena da
galhofa (Machado, sempre ele!) nos
últimos textos.
Mas,
para ser universal, como diria
Tolstoi, devemos, primeiro, cuidar
de nossa aldeia. E, podem ficar
certos, caros leitores, de que vivo
pensando nessa aldeia de trinta mil
habitantes diuturnamente.
Certamente o escolado
colunista Alexandre Rocha tem mais
o que dizer sobre o momento
político. Versado no tema, suas
considerações são estribadas nas
teorias políticas, enquanto as
minhas limitam-se ao diagnóstico
leigo.
Já apontei aqui algumas
deficiências do governo local.
Leiam o texto do “Bar Algo Mais”.
Continuo identificando-as. Acredito
que poderia ser diferente. Embora
eu torça pelo sucesso da gestão,
afinal fui um dos afiançadores da
empreita.
A questão dos
professores foi o assunto mais
perturbador até agora dos cem
primeiros dias do governo. Acredito
que faltou diálogo desde o início,
bem como uma dose cavalar de bom
senso e ponderação.
A lei que concedeu o
aumento é flagrantemente ilegal.
Não respeitou as proibições legais
e teve como único intuito
“dificultar” a atual gestão.
Afinal, o último gestor não tinha
compromisso nenhum com a educação,
muito menos com a melhoria de vida
da classe dos professores.
Tenho certeza que a
atual gestão pensa diferente. Está
muito mais compromissada com a
classe e quer acertar. O problema é
que, no meu entender, faltou um
diálogo mais aberto, com a
exposição da situação desde o
início. A morosidade acabou por
agravar uma situação até então
contornável. Faltou tato.
O ideal era, logo no
início, apontar uma carta de
intenções, mostrando as idéias e as
metas para educação municipal,
enfatizando a impossibilidade de
cumprir com o que foi estabelecido
pela lei ilegal.
É evidente que depois
de pagos salários maiores, a
redução causa um mal estar. Até
porque o piso nacional tem que ser
implementado. E esse é legal.
Grevar é uma solução
drástica, embora seja um direito
que assiste aos trabalhadores. O
problema é que quem sofre é a parte
mais fraca (os alunos) - que não
tem nada a ver com isso. Acredito
no bom senso de todos e que esse
impasse seja resolvido com
serenidade e lucidez.
Outra falha que
identifico de pronto no governo
atual é a falta de divulgação das
ações governamentais.
A construção, por
exemplo, do mercado de frutas é uma
conquista sem precedentes para São
Raimundo. A obra está andando e,
daqui a pouco, o que era uma
pocilga vai se transformar num
ambiente arejado, apto a sediar um
local de venda de frutas frescas.
Não há divulgação nenhuma desse
feito, a não ser uma notinha aqui e
acolá.
O asfaltamento do
centro da cidade, a recuperação do
famoso abrigo, a construção de uma
espécie de balneário no Santa Fé, a
demarcação de trechos próximos à
barragem da Onça para a construção
de uma espécie de Parque, sem falar
em projetos que estão engatilhados,
como, por exemplo, a abertura de
ruas e avenidas, enfim.
É pouco? É. As minhas
primeiras críticas continuam e acho
que poderia ser bem melhor. Do
ponto de vista político,
principalmente.
A lição que fica por
enquanto é uma só: é preciso
dinamizar e azeitar a máquina
administrativa para que os naturais
problemas e as falhas não se
sobreponham aos avanços, ainda que
tímidos.
O resultado da pesquisa
que aponta a Administração
Municipal como uma das mais
bem-avaliadas do Piauí – 3ª
colocada, só atrás dos prefeitos de
Teresina e Picos-, deve ser
recebido como uma lição de que o
povo ainda confia na Administração
e que o período, ainda, é de
lua-de-mel.
É preciso, pois,
aproveitar esse momento para rever
os atos, aprimorar o que está dando
certo e, acima de tudo, estreitar
os laços com todas as classes,
mostrando que o passado político de
nossa cidade é uma roupa que não
nos cabe mais.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |