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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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Fé, razão e sentenças

z_junior@bol.com.br


           Não há como fugir da polêmica. A excomunhão dos autores do aborto perpetrado na adolescente que foi estuprada pelo padrasto gerou polêmica e “contaminou” as falas dos articulistas e dos “formadores de opinião”.

 

            O direito canônico é taxativo em relação à prática do aborto. A violação a vida, independente de suas circunstâncias, é tida como inaceitável. Destruir fetos com potencial de vida, ainda que com intuito de salvar outra já formada ou preservar a higidez mental e orgânica da genitora, é, do ponto de vista religioso, indesculpável.   

 

            Louvamos então a adoção de um Estado Leigo, que não permite a ingerência desmedida de dogmas religiosos na formatação das leis e dos códigos legais. Como o Estado, “governado” por homens, prende-se ao mundano, sem percustrar, a fundo, as questões transcendentais, prevaleceu a ótica da razão, felizmente.

 

            Os “ministros da razão” cumpriram sua missão ao agir sob o abrigo da lei da república, criada pelos que “militam” no mundo dos homens; o ministro da fé cumpriu sua missão eclesiástica e excomungou os que desrespeitam a lei do Altíssimo, legislador maior, que está acima das questões terrenas, e, por conseguinte, mais afastado, diga-se, de nossa precariedade imanente, embora, para alguns, seja responsável por ela.

 

            Pobres humanos, nós!!! Afundados na nossa própria mesquinhez, volta e meia nos defrontamos com questões conflitantes, envolvendo razão e fé.

 

            A brutalidade que instigou o agressor e o provocou a ponto de violentar uma garota é humana, decadentemente humana; a difícil decisão de interromper dois projetos de vida em curso (eram gêmeos os bebês frutos da violência), que avançaria para o seu fim natural ou começo, foi humana, debilmente humana.

 

            É no campo do “humano” que a decisão sobre a interrupção ou não da gravidez deveria ser tomada. Era o leito apropriado para a “sentença” de morte e vida. E foi assim que foi feito, dentro das nossas fragilidades e das nossas contradições, tão dignas de nós mesmos.

 

            A autonomia da “decisão” é o ateste de que somos nós responsáveis pela nossa via-crúcis. Não podemos, então, delegar poderes, furtar-nos de nossa missão de continuar a andar pelos caminhos pantanosos da trajetória humana.

 

            Quanto à decisão do bispo, mera subsunção do fato à Lei Canônica, foi fácil. O “encaixe” foi automático. Ponto. Não ponderou. Divorciou-se das circunstâncias, esqueceu-se de que a tragédia humana nasceu da escolha, lá no início, segundo sua própria visão religiosa, da renúncia de Adão ao Paraíso.

 

            Preferiu, o “primeiro-homem”, o conhecimento a um mundo sem deformações. Com isso, o peso das escolhas desabou nos seus ombros e nos nossos. A partir daí, fomos “condenados” a ser humanos, e tudo que decorrer disso não nos pode ser estranho.  

 

Zeferino Júnior – Servidor Público

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Está coluna é de inteira responsabilidade do colunista Zeferino Junior

 

 

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