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Alguns leitores querem um
posicionamento sobre o novo governo
que ora se instala na cidade de São
Raimundo. Cobram de mim críticas
para esta ou aquela ação ou inação
da novíssima administração.
A tarefa de quem escreve e assume uma posição
política é árdua, afinal a política
é um campo minado, um terreno
pantanoso e não uma planície adrede
preparada para uma caminhada
tranqüila, sem percalços.
A minha atividade como escrevinhador é privada. A
minha opinião é fruto das minhas
convicções apreendidas durante a
minha formação política e cidadã.
Quem me conhece, sabe muito bem do
que estou falando.
A imparcialidade, tema que já tratei aqui em outra
oportunidade, é um ideal. Funciona
muito bem no campo das idéias. A
parcialidade, por seu turno, é a
regra. Não há nada demais em ser
parcial, desde que não se extrapole
as fronteiras do razoável e não se
atropele a lógica.
Sou parcial, sim. Apoiei o atual gestor na sua
tentativa frutífera de retorno ao
Poder Executivo Municipal. Vivi
vivamente, desculpe o truísmo,
todos os dias que antecederam a
vitória consagradora nas eleições
de outubro. Sofri com o problema
jurídico e com todas as
dificuldades inerentes à campanha.
Hoje, restrinjo-me a criticar e
opinar, sempre tentando ajudar.
Não concordo com alguns procedimentos, mas isso é
normal. Faço o alerta e espero que
se corrija ou me prove o contrário.
A vitória chegou com todos os seus louros. Quem
aprecia a democracia e reconhece a
força da oratória, da capacidade de
envolvimento e da construção de uma
idéia em cima de palanques, no
corpo-a-corpo, envolveu-se nesse
clima formidável de mudança, que
assaltou os corações e mentes do
são-raimundense.
O dia-a-dia na Administração Pública costuma ser
bem diferente dos momentos de
campanha. Ao invés do tom profético
do discurso, é necessário um
discurso mais preso à realidade,
mais técnico, sem, é claro,
enveredar pelo excesso de
burocracia que, em regra, emburrece
e afasta os governados dos
governantes.
A nova gestão começou com erros e acertos,
deveras. Os primeiros passos são
cambaleantes, afinal a equipe é
nova no trato com a coisa pública e
requer um tempo mínimo para poder
se “achar”.
Sempre procuro dar sugestões aos novos gestores.
Alerto-os para isso ou aquilo.
Aponto falhas e, de dedo em riste,
sou, às vezes, severo demais. Tudo
com uma única preocupação: ajudar a
criar um ambiente
político-administrativo mais
saudável e compatível com os novos
tempos.
Evidente que eu sou só mais um nessa tarefa. Há
outros que são ouvidos, até com
mais freqüência. A soma das boas
idéias é que proporcionará mais
acertos do que erros.
É cedo para cobrar? Sim! Mas é preciso aproveitar
o apoio popular e a vontade de
mudança que paira sobre a cidade
para acertar mais do que errar. E
como se faz isso? Ouvindo os
grupos, as associações, os
munícipes, enfim, todos que, de uma
forma ou de outra, participaram
desse momento histórico.
Apesar da distância, fico na torcida fervorosa com
a bandeira em punho, atento aos
erros e acertos de uma gestão que
tem a missão gigante de enterrar um
passado político que nos subtraiu a
dignidade e a esperança.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |