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Troquei de computador.
Substitui o jurássico monitor de
raios catódicos ( argh!!) pelo
moderníssimo notebook. Mais
compacto e estiloso, a nova
máquina, além de mais eficiente, é
quase uma peça de decoração.
A dificuldade em se adaptar ao
novo teclado é um problema a ser
superado. O velho, mais afeito aos
meus dedos, recebia as minhas
investidas digitais sem grandes
resistências.
O ir e voltar dos dedos, o
apagar de letras, o delete, os
ctrls ( ah !!ele os adorava) e as
combinações mais ilógicas eram
apreendidas com naturalidade pelo
velho computador. E o texto fluía,
a despeito da minha inaptidão inata
em construir idéias.
A rapidez com que escrevia
atropelava os claros e as lacunas
intelectuais. Não dava tempo de
“respirar”. Quando faltava uma
idéia, o embalo tinha a força de se
sobrepor e, bingo!!, a frase se
completava e tudo parecia natural.
Agora, não. A minha dificuldade
de andar bem com o novo teclado e
com as novas combinações de teclas
impedem que as idéias nasçam com
naturalidade. O branco do papel não
é preenchido com rapidez. Por
conseguinte, as conclusões e os
arremates, por exemplo, custam a
sair com espontaneidade. É preciso
parar e pensar um pouco mais.
Mas, estamos aí para o que der
e vier. Pouco a pouco vou me
familiarizando com as novas
tecnologias, tarefa difícil para
quem saiu dos rincões de São
Raimundo Nonato, cidade que se
orgulha do seu passado remoto, mas
que vive sufocada pelo seu passado
político recente.
As crônicas, ainda que
insipientes, vão ter que se
materializar; os textos que tratam
de quase tudo também não podem
faltar por conta dessa minha nova
mudança. Enfim, a fila vai ter que
andar.
Espero, na verdade, que seja
uma questão de tempo. Ao invés de
usar o velho e (in)eficiente mouse
vou ter que deslizar meus dedos
numa plataformazinha para conduzir
o cursor pela tela; as teclas,
dispostas de maneira diversa, logo,
logo vão ser tecladas mecanicamente
por mim, e assim vou continuar
minha tarefa de escriba.
Enquanto me acostumo, vou
passando os olhos pelo mundo,
tentando captar fatos e
acontecimentos para servir de mote
para essa tarefa hercúlea e
perigosa de escrever num meio de
comunicação.
No atual estágio em que
vivemos, em que tudo avança
desbragadamente, parar, sentar e
escrever, acaba sendo uma inflexão
necessária e saudável, embora os
temas gravitem, em sua maioria,
sobre assuntos muitas vezes amargos
e crus.
Bom, o fato é que se o mundo
se acelerou sem medida. Estou
pronto para acompanhar o ritmo com
a nova máquina, embora as minhas
primeiras intimidades com ela ainda
se ressentem daquele entrosamento
que costuma alçar os times de
futebol aos píncaros.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |