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   Com Zeferino Junior      

 

Entrementes, entre mentes, entre mim e ti. Entretanto, entre tantos, no entanto.......

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Carnavais, desvarios e melancolia

z_junior@bol.com.br


A festa pagã que nos envolve, arremessando-nos nas “avenidas” ardidas em chamas, que crepitam sentimentos volúveis e despertam a nossa concupiscência, começou e terminou em mais uma edição.

 

Não sei se a idade que corre seqüestrou um pouco da minha disposição e me infligiu um ar melancólico que me assalta as diabruras da juventude: o carnaval já não me apetece tanto.

 

Seios à mostra, pernas, pernas, bundas e bundas, tudo em seus lugares plasticamente acondicionados. Morena cor. Loira com cor. Suor ao desvario escorrendo pelo corpo lipoesculturado. Nem uma banha a mais, muitas a menos. E sorrisos que se confundem com lágrimas de êxtase, eis a paisagem que nos “assombra” quatro dias do mês de fevereiro.

 

Todo esse cenário pecaminoso ( ahh!! um pecadilho nunca é demais)  e nada do frenesi abrigar-se no meu corpo cascudo.

 

Quando vejo as morenas trocando os passos freneticamente em cima de um salto esguio, rio. Rio de saudade ou melancolia;

 

Quando vejo a juventude empunhando, numa mão uma cerveja, na outra um abadá, rio. Rio de inveja ou temor, pelas suas vidas e pela minha;

 

Quando vejo o espírito de manada “descer o morro”, trocar beijos lascivos, com sobras de língua encontrando sobras de outras línguas, rio. Rio de riso mesmo, aplaudindo o despojamento e o rebaixamento das convenções e do amor romântico, pelo menos temporariamente.

 

É assim que, ultimamente, o carnaval começa para mim: meio vazio de sentido, provocador de riso bobo, parecido com soluço (como dizia Renato Russo numa de suas canções) e reavivador de lembranças que, pelo passar ininterrupto do tempo, empoeiram-se, atacadas pelos fungos e pelas teias de aranha.

 

 Ah!! Os velhos carnavais de antanho em São Raimundo Nonato!! Penso eu com meu riso preso e caduco, acorrentado pelas rugas que pululam como foliãs, lantejouladas, brilhosas, viçosas, em meu cenho.

 

Enquanto “as comportas se abrem”, com o carnaval desaguando libido, pulsando tentações e provocando contatos carnais e sensuais, recolho-me sem riso. Corro, corro do movimento em busca de mansidão, fechando portas, esperando as avenidas asfálticas que não abrigarão foliões, abrirem-se para mim, solitárias, pedindo a minha passagem lenta, morosa, séria, encurvada.

 

Vou esperar a quarta-feira de cinzas para afastar meu riso medonho, indisfarçável, transmudando-o em riso risível, daqueles que a gente esboça sem esforço, como se fosse natural.

 

Aí sim, o carnaval terá passado por mim, taciturno, claudicante, sem serpentinas e sem viços.  

 

Mas, no próximo, prometo, caro e festivo leitor. Libertar-me-ei dos grilhões que me acorrentam e me jogarei na avenida, sem melancolia, vívido do espírito carnavalesco que um dia aportou em mim. Aí sim, não haverá mais textos melancólicos na quarta-feira de cinzas, e sim uma brutal ressaca que falará por mim, com soluços.

Zeferino Júnior – Servidor Público

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