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Para
mim, começar um texto já sabendo o
título é um ineditismo. Logo após
ler trechos da entrevista de Jarbas
Vasconcelos nas Páginas Amarelas da
revista Veja, comecei a escrever já
cravando o título.
A
teoria da Evolução de Charles
Darwin e a fala do ex-governador do
Pernambuco fundiram-se mutuamente.
O
cientista inglês que abalou as
estruturas do Criacionismo –
doutrina que entende que as
espécies nasceram de um sopro
divino - fincou as bases de uma
teoria formidável, que defende que
os seres vivos partiram de uma
estrutura simples e, com o passar
dos séculos, ganharam uma forma
mais complexa, adaptando-se ao
ambiente em que viveram.
Na
verdade, são os mais aptos, num
ambiente específico, é que
permanecem, enquanto os menos aptos
sucumbem, não legando, por
conseguinte, aos descendentes suas
características. Eis a base das
idéias propugnadas pelo Gênio
inglês.
Seria o PMDB o mais “apto” dos
partidos políticos tupiniquins? Por
isso ostenta, com galhardia, o
status de “maior” partido
brasileiro, pelo menos em números?
Perguntas para um evolucionista de
escol.
Como
é o ambiente que define as
características das espécies, o
PMDB, no seu processo evolutivo,
desceu das árvores, começou a andar
ereto, fortaleceu os músculos e
tornou-se mais vistoso, apto a
encabeçar a dianteira dos partidos
no jogo político nacional.
A
“ameba primeva” do cenário político
tornou-se uma estrutura
multicelular, com todas as
características plurifaçetadas que
identificam um organismo complexo.
O
ambiente político nacional todos
conhecem. A frouxidão moral, a
ausência de relações pautadas na
ética e no decoro, as jogatinas, os
direcionamentos, a disputa pelo
poder como forma de enriquecimento
ilícito pautam a nossa vida
política. Quem sobrevive ou é
moldado nesse ambiente acaba por
turbinar-se, proporcionando às
gerações futuras todos os
caracteres que permitirão uma
longeva trajetória de vida.
Nesse ambiente ignóbil, preponderou
uma célula robusta, capaz de compor
todos os governos,
independentemente de seus matizes
ideológicos. O Partido do Movimento
Democrático Brasileiro gerará seus
descendentes com as suas
caracterítiscas apreendidas durante
o seu processo de “evolução”.
O
futuro de nossa política herdará as
características apreendidas pelo
mais apto dos partidos. Como o
processo evolutivo carece de uma
jornada de tempo maiúscula, o nosso
futuro político mais próximo será
sombrio, afinal quem comandará o
nosso parlamento são dois espécimes
oriundos de um ser apto
“geneticamente”, mas inapto
eticamente, como a maioria.
Zeferino
Júnior
– Servidor Público |