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As cenas de pobreza,
de violências nas
ruas, terremotos e
mazelas não nos comove
mais. Todas as formas
disparadas de mudanças
recentes nos parecem
um cenário tão comum,
é como se já nos
acostumássemos a não
sentir dor ou
sentimento uns pelos
outros.
O nosso mundo é tão
bom, talvez seja este
o fato de a humanidade
ainda existir e poder
contemplar planos
eficientes para o
futuro. São as pessoas
boas que sustentam e
conduzem o mundo –
dizia um velho amigo.
Mortais e iguais
escravos ou livres,
cujo princípio maior é
a dignidade, e que a
cada dia menosprezamos
, fazemos redomas ao
nosso redor, nos
protegemos criando
abismos, invocando um
deus de prosperidade.
Não sabemos nos
controlar, e ganhamos
o mundo dentro dos
lares, cercando o e o
olhamos pela janela,
quando nas noites não
há tiroteios, sejam de
bandidos ou de
blindados da segurança
nacional.
Já não podemos dizer
que somos livres, pois
liberdade não há se
temos medo, isso é
sinônimo de
escravatura, mesmo que
tenhamos razão, nos
falta o coração, um
sentido fraternal.
Não confiamos deixar
nossas crianças saírem
pelas ruas, poderem ir
à escola e não termos
de revirar suas
mochilas ao retornarem
para casa. Não se pode
ter uma razão para
esperar o próximo
evento a não ser optar
por garantir nossa
própria integridade
fugindo de tudo e de
todos.
Mas faltando razão, o
homem é posto distante
de seus princípios
naturais e valores
éticos, tornando-se um
problema social sério.
Mas o dilema social da
atualidade é realçado
pelo um receituário
neoliberal, o qual
aponta mecanismos
assistencialistas, que
de fato são
importantes para
conter o impacto
negativo. Mas se
pensarmos por outro
lado, citando aqui,
por exemplo, O Bolsa
Família, um programa
criado no Governo
Lula, que permite que
os mais pobres se
beneficiem de
políticas
compensatórias, isto
é, políticas que não
os retiram de sua
condição de pobreza,
mas que aliviam seu
sofrimento. Se essas
políticas acabarem,
eles voltaram à
condição anterior,
murcha o comercio
local. Isso interfere
em diversos setores,
criando um desconcerto
incapaz de ser
solucionado de
imediato.
Este e outros
programas sociais
brasileiros, apesar de
satisfazerem as
camadas menos
favorecidas do país,
são alvos de criticas,
tanto pelos próprios
brasileiros, quanto
pelos cidadãos ou
instituições
internacionais. Os
debates sobre estes
programas costumam
estar marcados por
pressupostos nem
sempre explicitados,
mas que precisam ser
esclarecidos. O Banco
Mundial usa o termo
“condicional”,
sugerindo que haveria
algo de errado em dar
dinheiro para pessoas
pobres, porque isso
estimularia a preguiça
e o ócio, fazendo com
elas deixassem de
procurar emprego. Isso
é um fator desde os
tempos de Thomas
Malthus, e A Teoria
Populacional. Mas
olhando de outro
prisma, talvez esta
fosse à porta de saída
para animar a
população mais carente
a lutarem pela sua
dignidade. Sabemos que
muitas pessoas que
receberam estes
benefícios, e que
foram gradativamente
ganhando condições
para sobreviverem sem
esta ajuda, devolveram
o dinheiro recebido e
cancelaram suas
inscrições nos
programas. Isto
demonstra que ainda há
seriedade,
responsabilidade e
honestidade. Mas
sabemos também, que há
muitas pessoas que não
precisam do beneficio,
e omitem informações,
impedindo muitos que
realmente necessitam.
Mas se não falarmos na
educação no Brasil,
certamente estaríamos
negando um direito de
todos instituído pela
constituição, e, no
entanto, às vezes o
problema ainda na
questão educacional, é
a falta de escolas e
adequações. Pois as
próprias pesquisas
direcionadas, mostram
que a população
valoriza muito a
educação, e de fato a
permanência nas
escolas vem aumentando
ano a ano,
independente da
existência ou não de
bolsa-escola ou
subsídio semelhante.
Talvez o problema
ainda esteja na má
qualidade do ensino,
no recrutamento e
formação dos
professores, a
ignorância ao método
de ensino mais
apropriado.
O Brasil é a sociedade
do apartheid
social, vamos nos
insensibilizando,
aceitando um modelo de
vida que a todo
momento violenta
nossos valores, nossa
ética, nossa
capacidade de
solidariedade, de
viver em grupo, de
sofrer e ser feliz.
Nossas crianças estão
pelas calçadas, em
baixo da ponte, e nos
as desprezamos olhando
como se elas fizessem
apenas parte da
paisagem. Que mundo
nós temos para
sentirmos felicidade
se não acolhemos
nossos irmãos? Que
sentido faz
divertirmos se nas
próprias festas
ajudamos alguém a
morrer na saída ou em
poucos dias depois.
Este filme está
ficando rodado de mais
par aceitarmos e
assistirmos apenas
mais um capitulo.
Este é o Brasil, que
levantamos a bandeira,
e apoiamos em seu
mastro para não
cairmos de fraqueza
por falta de alimento,
de justiça e de
honestidade. Não basta
prender os covardes se
não ensinarmos a
sociedade a caminhar
com segurança e
dignidade. Não mais um
corrupto para enganar
e levar nossos
impostos e esquecermos
com o tempo. Não mais
a dor para nos
entristecer e
amedrontar. Mas sim a
garantia de que amanhã
será bem melhor para
todos nos.
Edjalma Borges |