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Os jovens não morrem –
foi isso que ouvi um
dia em uma destas
reuniões de
adolescentes que
desafiavam a vida como
um bem interminável.
Isso foi para mim uma
várzea de discussão em
que tentei entender
tal colocação daqueles
impetuosos e
frenéticos jovens que
desafiavam o valor
herdado da criação que
é uma vida e uma
morte. Por mais safos
que sejamos um dia
passaremos desta vida
para uma outra, e para
isso temos de nos
deparar com a morte.
Mas mesmo assim não
ficou entendido a
razão de os jovens não
morrerem, ou pelo
menos é o que achava
aquele grupo naquela
noite de luar em uma
praça próximo ao fórum
em que havia faltado
energia elétrica nas
proximidades. Por
ocasião ouvi uma
palestra sobre a
valorização da vida em
que a mesma era
segmentada e seus
maiores afincos seriam
a família e a sua
estrutura, que com
exclusividade instrui
a criança desde cedo a
participar da vida
comunitária e
freqüentar a igreja,
esta não apenas o
templo, mas a Igreja
que é todos nos
cristãos.
Pelos conceitos
definidos naquela
palestra entendi um
pouco porque os jovens
não morrem, pelo menos
aquele grupo. Primeiro
pelo fato de terem uma
educação
excessivamente
permissiva, em que o
comodismo e a falta de
atenção têm provocado
desastres na formação
dos jovens, onde
alguns pais convivem
com uma falência de
autoridade para atuar
sobre os desafios
enfrentados por estes
na sua fase critica. E
outro fator mais
marcante e a cultura
do prazer, o tudo
convertido no
instantâneo, onde não
mais um conselho ou
afeto do pai serve,
mais sim um objeto de
valor material como um
carro, um videogame,
uma viagem a lugares
vulgares, tudo isso é
contextualizado aos
jovens que sempre se
deparam com o algo
novo. E muitas vezes
este algo novo é fruto
das compensações
inconscientes. Onde
falta o dialogo e ação
dos pais. Por exemplo,
não falar coisa que
não existam, mais sim
acompanhar suas
atividades, pois
sabemos que os jovens
vivem no acesso direto
das informações, e
desafia-los com
assuntos
desconcertantes, não é
uma boa atitude, é
mais sensato que os
pais se informem
também, pois falar
outra língua ou não
repreender com o
certo, é ser ignorante
e assim pode causar o
afastamento dos mesmo.
Jovens não morrem,
eles apenas se
confundem. A vida não
deve ser tirada tão
precocemente, mais sim
revigorada e orientada
a aclamar a
diversidade de coisas
boas que o mundo ainda
oferece apesar dos
desastres. Talvez
nossos jovens morram.
Mas
será que não
poderíamos evitar?
Talvez sim talvez não.
O problema é que os
pais quando perdem um
filho sempre dizem:
ele não merecia isso.
E os pais merecem
isso? Não quero culpar
ninguém, mas será que
muitas vezes não há
uma culpa primeira?
Quantos casos de
gravidez que acontece
e os pais não
desejavam? Por ai
começa o que podemos
chamar de sensitivo ou
algo deste seguimento.
Infelizmente os jovens
morrem, e morrem cedo
e em grande quantidade
neste país e no mundo.
Quantos acidentes
fatais, destruição por
meio das drogas e a
criminalidade que é o
contexto do maior caos
que temos, e ainda
teremos de suportar
por ser um problema
nosso que deve ser
erradicado um dia. Com
certeza tudo isso um
dia vai passar, e ai
nossos jovens poderão
se encontrar nas
praças, avenidas e
subúrbios escuros, e
comentarem tal
ocorrido, e
comemorarem suas
vidas, pois jovens não
devem morrer.
Edjalma Borges |